Livrarias diferentes

Florentin Bosse, alemão, trabalhou anos num banco, de fatinho e gravata, sonhando com o dia em que tivesse ganho o suficiente para comprar uma vinha e gozar a reforma. Mas isto de bancos, já se sabe, não é lá muito seguro – e a vida dele deu uma reviravolta (suponho que tenha sido despedido, mas não tenho a certeza). Decidiu, pois, refugiar-se primeiro na Natureza, fazer a seguir uma «caminhada» de quase 4000 quilómetros em seis meses e, por gostar tanto de ler e querer fazer algo pelos outros e pela literatura, pediu finalmente a leitores vorazes espalhados pelo mundo que lhe dessem a lista dos seus dez livros favoritos para criar uma espécie de livraria «ideal» que combatesse as pressões do mercado. A livraria, que conta com mais de dois milhares de livros escolhidos por cerca de 500 leitores (Miguel Esteves Cardoso é um deles), chama-se Letters Matters e está situada em Lisboa, na Rua Rodrigo da Fonseca, n.º 21, contando com uma bonita decoração da qual fazem parte retratos de escritores como Oscar Wilde ou Virginia Woolf. No interior estão também os livros da vida de muita gente conhecida, tendo Florentin recolhido as listas de livros preferidos de Hemingway ou García Márquez da Internet, que acrescentou à dos «curadores» ainda vivos. Vale a pena entrar numa livraria que praticamente não tem best sellers e ver quem aconselha o quê. Literatura para quem gosta de literatura.

Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda5 de setembro de 2016 às 01:31

    Um lugar a visitar na primeira oportunidade.

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  2. Há quem goste (e consiga, felizmente) de "nadar contra a corrente"...

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  3. Com o meu desejo de que as férias vos tenham sido leves, ora aí está um espaço a visitar.

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    1. Entretanto, tendo encalhado no Diário III dos Cadernos de Lanzarote, esgotado, bem como o IV e o V, aparentemente só a Wook possui o IV, alguém sabe quando a Porto Editora os trará novamente à tona do submergido e inquieto leitor?

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    2. Os Cadernos I e II virão a lume já no próximo mês de Outubro, mas os restantes não serão publicados antes do próximo ano.

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    3. Obrigado, Rosário, pela informação. Lá terei de esperar, recorrer a uma biblioteca ou ir a um alfarrabista. Os cadernos de Lanzarote são de facto excepcionais.

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  4. Já fui pesquisar e parece-me um local encantador.
    Tanta coisa boa a acontecer em Lisboa e eu aqui tão longe.
    E se eu conheço bem essa rua: foi precisamente aí que aos nove anos entrei para o Liceu Maria Amália.
    Talvez esteja na altura de fazer uma viagem ao passado...
    :-) Antonieta

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    1. Pelos vistos esta rua sempre teve lojas diferentes, como a deste senhor Florentim Bosse. Lembrei-me de uma mercearia de esquina, frente ao liceu que também frequentei, cuja proprietária, tão enigmática, nunca respondia ao chamado do lado da mercearia, apenas se ocupava da taberna/bar que dava para uma das ruas, e era ver a malta meter «coma com pão» nos bolsos das batas brancas (obrigatórias). Quero ir visitar essa livraria, mas sem bolsos, porque os livros sabem melhor quando os compramos, e então se forem livros recomendados por autoridades na matéria, melhor ainda.

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  5. Há gente com ideias muito originais.

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