Ir ao casino
Os casinos podem ser, claro, antros de perdição. Tive uma tia que, nesse particular, teve pouca sorte e se casou nada mais nada menos do que com dois jogadores… Livra! Mas o dinheiro do jogo também pode servir para coisas interessantes e, na Figueira da Foz, o casino tem uma programação cultural bastante boa para compensar as horas e horas de mau vício que lá se vivem todo o ano. Em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores, hoje, entre as 21h30 e as 23h30, um par improvável vai estar presente na actividade Casino das Artes; trata-se de Ana Margarida de Carvalho, a autora do premiado Que Importa a Fúria do Mar e do ainda mais aplaudido pela crítica Não Se Pode Morar nos Olhos de Um Gato, e do músico Rui Reininho que, para quem não saiba, além de figura-mestra dos GNR, também escreve poesia de vez em quando. A entrada é livre (ir ao casino sem gastar dinheiro é mesmo uma coisa invulgar) e a conversa promete ser rica e variada, pois os participantes trabalham ambos em áreas que dão muito que falar e a troca de experiências de ambos só pode ser frutífera. Se estiver por perto, ora aqui tem um bom programa.
Parece, na verdade, um bom programa. Do que conheço dos dois, podem ser bons conversadores. Nos casinos, nem só de jogo vive o homem. Ou também vive jogando com palavras, em apostas de vida inventada. Por vezes, musicada. São tudo histórias.
ResponderEliminarOra a literatura sempre em movimento... portanto!
ResponderEliminarÉ curioso que artistas, mesmo sem serem multifacetados, acabem por escrever... e, já que vem à baila o Rui Reininho (gosto dos GNR!) enquanto poeta e com a lógica de muitos músicos serem igualmente poetas, ocorre-me o Carlos Tê (grande letrista de muitos êxitos do Rui Veloso - deste sou mesmo fã!) e do seu vôo melancólico do melro. Alguém aqui leu?
Saudações multifacetadas cá da Cidade Morena, em transição do cacimbo para a chuva... um dia destes fui lá abaixo ao Catara, e cá de cima no platô antes da terrível descida, via-se o mar na sua matinal calmaria podre e côr de chumbo a fundir-se com o céu encoberto lá onde se perde a vista, na largueza imensa daquelas superfícies espelhadas. Nem um sopro de vento, nem um ruído, silêncio e calmaria absolutos. Religiosamente desligado o motor V8 do Land Cruyser , dizia-me num sussurro para não romper o momento, o meu companheiro de viagem homem nascido no mato e nas pescarias com essa sensibilidade: Mar de cacimbo!
Ás vezes tenho pena de não ser poeta...
Ambos inteligentes, cultos e ainda por cima charmosos, só pode mesmo dar óptima conversa.
ResponderEliminarPena os trezentos e muitos quilómetros que nos separam :-(.
Boa sessão!
Antonieta
Pois não sei, se é apenas um poeta que ainda não sabe que é, ou simplesmente alguém com palavras irrequietas, por aí a saltarem-lhe de todo o lado.
ResponderEliminarMas lá que o que escreveu, é um bom prenúncio de livro, é!
Duma história maior.
Está aberto o caminho e nem lhe falta o título. " Mar de cacimbo".
Que as musas o guiem :)
As ondinas... neste caso, que as Tágides andam longe! Eheheh!
EliminarEstá previsto sim senhora, e em fase de escrevinhação... o título que sugere é excelente, tenho outro em mente que um amigo dos escritores-desalinhados me criticou porque longo e terei de analisar a questão, mas o nome foi o que me sugeriu o enredo e até tem a ver com os personagens e claro com a acção.
Mar de cacimbo é bonito e sugestivo, é curioso... eu não acredito em bruxas, mas...
Saudações do cacimbo, que ainda não cacimbadas!
Boa tarde, não gosto de jogo, nem dos mais baratos. Mas iria com certeza assistir à conversa anunciada, apesar de ainda nada ter lido dos dois convidados.
ResponderEliminarO curioso, pelo menos para mim, é que ofereci recentemente o Não Se Pode Morar nos Olhos de Um Gato da Ana Margarida de Carvalho, de quem gosto muito de ler as matérias que escreve para a revista Visão e também o Rio do Esquecimento de Isabel Rio Novo, que também ainda não li.