Escrever sem erros

Há quem pense que os doutores (os que tiraram um curso universitário, enfim) ou mesmo os escritores não dão erros, mas a verdade é que muitos, mesmo tendo estudado, escrevem de forma incorrecta, sobretudo palavras que ouviram muitas vezes mas nunca viram escritas. Eu, por exemplo, escrevia «atarrachar» em vez de «atarraxar», que é a forma correcta, até ver a palavra escrita por alguém que respeitava e ter conferido no dicionário que andava enganada havia muitos anos. Acontece a muito boa gente e não é crime, mas devemos obviamente tentar evitar escrever com erros. Marco Neves, que se tem vindo a especializar na área da revisão, dá umas dicas no blogue Certas Palavras para nos ajudar a corrigir os erros ortográficos, entre elas, claro, ler muito, ler cada vez mais. Porém, aconselha também a que sejamos humildes e aceitemos que não sabemos tudo, o primeiro passo para desconfiarmos de nós próprios e irmos ver tudo aquilo de que não estamos 100% seguros, aprendendo assim a rever os nossos textos antes de os mostrarmos a alguém, embora possamos pedir a um amigo em quem tenhamos confiança nestas coisas que os leia também (quatro olhos vêem mais do que dois). Os dicionários são igualmente de grande ajuda, entre eles o do processador de texto, que sublinha habitualmente palavras mal escritas a vermelho no ecrã do computador; mas não chega – um bom dicionário online ou em papel faz muita falta e consegue tirar muitas dúvidas. Rever com cuidado é também meio caminho andado para limpar gralhas; e ter a noção dos erros que cometemos mais frequentemente para estarmos mais atentos a esses também se revela fundamental. Se quiserem espreitar o blogue de Marco Neves, façam-no, pois vale muito a pena.

Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda6 de setembro de 2016 às 02:18

    Excelentes sugestões.

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  2. Já la fui algumas vezes, suponho que a conselho do Horas Extraordinárias; é interessante para algumas situações, mas não me entusiasmou.

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  3. Na actualidade acontece-me algo que não acontecia quando comecei a escrever: tenho dúvidas de estou a escrever bem ou mal algumas palavras.

    E também tenho o mesmo problema com a Rosário com algumas palavras, muito pela forma como ouvimos os outros "falar". Durante algum tempo pensava que algália era argália...

    E também nunca fui um purista e sou um péssimo caçador de gralhas. Tantas vezes que olho para um texto e leio-o com a palavra que falta...

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    1. Não leve a mal, mas essa da argália / algália faz-me lembrar aqueles versos que o chulo (ou será xulo?...) dedicou à sua “protegida”:

      «Os teus olhos têm álcaro,
      Também têm resmatível.
      Quando olho para eles
      Até me mete impossível.”

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  4. Confesso que, pós Acordo Ortográfico. muitas vezes dou comigo a pensar: mas escreve-se assim??? ou será assim??? e com variadíssimas palavras -e confusão perdura-.

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  5. Vou espreitar a sugestão... A questão do acordo (com o qual entro em guerra muitas vezes!) veio suscitar dúvidas onde antes não existiam...

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  6. António Luiz Pacheco6 de setembro de 2016 às 07:55

    Interessante... mas óbvio, hum, será o tal orgulho que temos de evitar? Ou será porque já havia lido algures e creio que não da autoria do bloguista?

    Uma coisa é certa: dou erros e muitos! Por variadíssimas razões que vão da ignorância à falta de atenção, porém o corrector automático que está a sublinhar a vermelho a palavra corrector (mas eu escrevo mesmo corrector porque digo corrector!) não me ajuda lá muito dado que não aderi e nem conto aderir ao famigerado acordo ortográfico, mas às vezes sublinha a azul a construcção (não digo construção mas aprendi a escrever assim!) de frases o que se torna útil. Embora para quem escreva nem sempre, explico: é que muitas vezes sugere usar outra palavra ou não reconhece o termo (gíria) e isso compete ao autor e não a uma máquina analítica mas cega e insensível.

    Saudações de um errante cá da Cidade Morena!

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    1. António Luiz Pacheco6 de setembro de 2016 às 07:58

      Lá está! Devia ter lido antes de publicar e verificado que falta uma vírgula em "... de frases o que se torna útil ... "

      Hélas...

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    2. Eu também não respeito o AO - mas em nenhum desacordo, o "c" de "corrector" se leu. Muito menos o "c" intruso, na palavra "construção", existiu.

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    3. António Luiz Pacheco8 de setembro de 2016 às 01:34

      Pois, pode ser e se o diz assim será... mas eu digo correcção e como tal digo corrector... e escrevo o c intruso. Tal como em construção... já não me apetece desaprender o que aprendi, que quer.
      Mas obrigado pela informação.

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    4. :) Eu deveria ter dito: "em nenhum 'desacordo' do meu tempo". Concordo consigo, em absoluto, quando diz que não lhe apetece desaprender o que aprendeu. A mim também não, nem que seja por respeito à minha professora das primeiras classes, que era uma santa-paciência. Saudações para si, e obrigada pela cordialidade saudável da interacção.

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    5. António Luiz Pacheco8 de setembro de 2016 às 06:26

      Ora essa, afinal nós somos Extraordinários!
      Ahahah!

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  7. Mas olha que eu acho que é mesmo - atarrachar - e não atarraxar...

    Enfim, todos damos erros. Tenho visto por aqui e em escritos de altíssíssississima erudição, erros de cair para o lado! Já para não falar das pontuações que isso é de gritos!

    A verdade é que todos damos erros. Sem dúvida. Uns mais do que outros, mas damos.

    Cristina Carvalho

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    1. Ainda a respeito do meu poste anterior: quando digo - tenho visto por aqui - este - por aqui - quero referir-me à internet no geral.

      Cristina Carvalho

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  8. Já agora uma lengalenga por demais conhecida cheia de "erros": "Meu coração por ti(gela); Ando á procura de ti no tacho (não te acho); Passo por ti e não molhas (me olhas); Vê-se mesmo que já não mamas (me amas)".

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  9. Só que o maldito (des)acordo baralha-me de tal maneira que já tem vezes que não sei escrever...

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  10. Sugeria que no corpo do texto fosse incluído o link para o blog. Facilmente chegarei lá através do Google mas será mais imediato para quem lê o post.

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