De pequenino

Embora esteja convencida de que há uma certa dose de acaso no facto de alguém gostar de ler (é uma lotaria, um clique, e pode nunca acontecer o casamento entre livro e leitor ser tão bom que se queira continuar naquela relação), é também sabido que os bons hábitos devem ser criados na infância e que, por isso, a escola tem de ser uma das principais responsáveis por passar a ideia de que a leitura é importante e contribui para o desenvolvimento individual e a aprendizagem do mundo. No Paraná (Brasil), uma escola evangélica (com o nome Martin Luther, vejam lá) resolveu, por isso, evocar a importância dos livros de uma forma original e curiosa, rodeando o espaço escolar de um muro integralmente constituído por enormes lombadas de livros que podem ser apreciadas por quem passa na rua. De forma bastante democrática, inclui livros de grande tiragem e não tanto sumo (como, por exemplo, o best seller A Culpa é das Estrelas) ao lado de clássicos para a infância, como As Crónicas de Narnia, de C. S. Lewis, que há muitos anos foram publicadas numa editora em que trabalhei e que, por isso, li na íntegra, achando que a miudagem só poderia gostar das aventuras daqueles garotos que entram no armário e descobrem lá dentro uma porta que dá para um mundo fantástico. Não sei se não seria mais vantajoso virar as lombadas para o interior da escola, mas, pelo menos, a ideia é gira. E talvez haja meninos cujas mães digam para esperarem todos os dias por elas diante de um livro distinto, levando-os a aprender os nomes de tantos autores e títulos diferentes. Ora vejam a foto abaixo e digam lá se não é um muro digno de respeito.


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Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda2 de setembro de 2016 às 01:48

    Excelente «muro das inspirações».

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  2. Ideia bem interessante, talvez inspirada na fachada da Kansas City Public Library...
    :-) Antonieta

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  3. Cláudia da Silva Tomazi2 de setembro de 2016 às 04:18

    O modelo latino americano faz-se expresso em convidar futuros leitores com livros, pano de fundo juvenil a base excelente editoras.

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  4. António Luiz Pacheco2 de setembro de 2016 às 06:07

    É uma idéia curiosa, mas que não vejo vá influenciar futuros leitores e nem despertar novos interesses.

    Diz-se que na América latina se lê muito, e de facto há muitos escritores bons lá naquela parte do Mundo. Mas acho que isso se deve mais ao facto de escreverem coisas que apetece ler e as pessoas gostam de ler do que a pintar muros nas escolas...

    Volto a dizer que uma boa parte da minha paixão pela leitura se deveu às selectas literárias e aos textos dos livros de leitura, desde a escola, se bem que o interesse pelos livros já fosse anterior. As boas selectas, com textos e excertos apelativos, acho que são ainda uma boa receita...

    Algum jovem resistiria a um excerto do "Jaime Bunda"? Por exemplo... não me parece, e daí a descobrir a obra de Pepetela ia um pulinho, o mesmo para excertos de Jorge Amado, Torga, etc.

    Saudações selectas cá da Cidade Morena!

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    Respostas
    1. Pois eu acho, meu caro ALP, que todas as ideias são boas para despertar o interesse pelos livros e pela leitura e esta não me parece nada má, antes pelo contrário.
      No nosso tempo não havia o excesso de oferta ao dispôr dos jovens para ocupação dos tempos livres e a leitura era mesmo a melhor opção, que no meu caso se transformou num amor para a vida inteira: não imagino a minha vida sem livros.
      Entretanto tudo mudou nestes últimos anos e, para ser sincera, eu até me admiro como os jovens de hoje ainda conseguem arranjar um tempinho livre para a leitura.
      Admiro e incentivo os que o fazem, mas também compreendo que muitos não consigam estar horas e horas sentados a ler um livro...
      :-) Antonieta

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    2. António Luiz Pacheco3 de setembro de 2016 às 12:45

      Sem dúvida que todas (ou quase...) as idéias serão boas, mas, também muitas delas serão inúteis... creio que é o caso!
      Alguém vai ler um livro porque viu pintada na parede da escola - cois'hórrorosa - a capa de um? Acredita mesmo nisso? Eu não...

      O problema das boas ideias é que muitas vezes são boas para o autor e quem como ele pensa, e nem sempre são para a generalidade.

      Lembro-me há muitos anos, de um jovem entusiasta e romântico estagiário de gerente do Pingo Doce ter a idéia genial de propor que as lojas passassem música com harpa celta... tão a ver, n'é? Excelente idéia, mas lá está... o sonho e a realidade nem sempre convergem.

      Saudações cépticas cá da Cidade Morena.



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  5. Conheço uma escola que tem um murinho de lápis de cor. É muito grácil. Este, simulando livros em estante, é na verdade apelativo, mas quem passa perde a visão da criançada. Apesar dos perigos que hoje as espreitam - e no Brasil os muros são bem altos - não me parecem saudáveis tão altas paredes ainda que bonitas.

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  6. Ainda aqui volto para dizer à Maria do Rosário que gostei muito de ler a página 103 da Revista E de ontem, que afinal tem tudo a ver com os livros e o bem que eles nos podem fazer.
    Tenho e já li vários livros do Olivier Rolin, mas nunca li o "Porto
    Sudão" que acaba de entrar para a lista de livros que quero mesmo ler.
    Bom domingo!
    :-) Antonieta

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  7. Como dizia recentemente um escritor brasileiro da nova geração, "o leitor de literatura é hoje um animal em extinção". Pouco optimista sobre os caminhos da Literatura, o mesmo autor está convencido de que "o escritor não tem mais importância nenhuma, a literatura ficou um objecto fetiche. Ela era elitista, mas ela irradiava, agora não irradia, qualquer entretenimento tem mais tentáculos, atinge mais pessoas, influencia mais gente. Quem é que se mata hoje por causa de um Werther?". Não desanimemos e continuemos, ainda que minoritários, na senda de Michel de Montaigne que dizia : "Os livros são o viático que nos acompanham durante toda a vida".

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