Somar livros
Li um interessante artigo numa revista americana sobre o acumular incessante de livros por certas pessoas. Falava de alguém que entrava numa livraria sem intenção de comprar nada, mas saía sempre com três ou quatro livros novos – algumas vezes apenas novas e melhores edições de alguns títulos que já tinha em casa. Penso que todos os que visitam este blogue são um pouco assim, excepto os que têm o bom hábito de ir às bibliotecas (mas nem todos temos horários para isso), até porque há muitos livros que precisamos de consultar mas, na verdade, dispensaríamos ter. No entanto, já Walter Benjamin dizia que uma biblioteca com uma maioria de livros não lidos é muito mais inspiradora do que uma biblioteca de livros lidos. E, a este propósito, contava que, quando um homem rico e ignorante visitou um dia Anatole France, olhou para a sua biblioteca e perguntou se o escritor francês tinha lido todos aqueles livros; ao que ele respondeu que nem um décimo, mas que provavelmente o outro também não se servia da porcelana de Sèvres todos os dias...
Reconheço-me. As bibliotecas mais ricas são aquelas que existem para além da sua [óbvia] utilidade; são aquelas que nos namoram sabendo que não conseguiremos dar-lhe todos os beijos que desejamos...
ResponderEliminarTunga! Em cheio...
ResponderEliminarMesmo em tempos difíceis nunca os livros foram excluídos do meu orçamento por magro que fosse! Contenção, escolha mais criteriosa mas nunca deixei de comprar livros, que confesso adoro possuir e acumular, só para os ver, tocar, saber que os tenho.
Porquê? Não sei bem, é uma doença? Uma monomania? Alguma forma de desequilíbrio? Um vício? Mas que liberta e nos faz ir, nos faz sair disto e de nós mesmos, dos problemas dos maus momentos, que apetecem e nos dão bons momentos.
As viagens astrais sendo substituídas pelas viagens da leitura?
Não sou psicólogo nem psiquiatra, serei eventualmente candidato a paciente mas considero-me um caso perdido!
Saudações convalescentes da Cidade Morena!
Os 9/10 de livros que não li e que me rodeiam em casa, tenho-os pela companhia única que me fazem. Amei cada um deles quando os comprei (muitas vezes em saldo). Continuo apaixonado por eles e percorro os olhos com volúpia os meus olhos pelas estantes, acaricio-os rearranjando a sua ordem, aqui e acolá. E tenho prateleiras especiais dos meus autores preferidos. Nessas está metade (ou mais?) de mim.
ResponderEliminarAinda que neste blogue sejamos todos diferentes, aqui fica o ponto em que nos tocamos: acumular livros só pelo prazer de os ter por perto, de os olhar e folhear ao acaso, uns lidos outros por ler, mas estão lá, sempre prontos para nós!
ResponderEliminarAbraço.
Um livro engraçado que aborda estes e outros fantasmas que passam pela cabeça dos acumuladores de livros - Bibliotecas cheias de fantasmas – Jaques Bonnet.
ResponderEliminarBibliotecas cheias de fantasmas? É um livro, ou romance, sobre o acumular de livros? Uma história de livros não-lidos?
EliminarVou procurar! Há-de ser bom tê-lo, ahahah! E lê-lo evidentemente....
Encontrei isto no Jardim de Mil Histórias - de Isaura Pereira:
EliminarSinopse:
Tem medo de morrer durante o sono esmagado pela sua biblioteca? A acumulação de livros coloca a existência da sua família em risco? Arruma os livros por tema, língua, autor, data de edição, ou formato, ou segundo um critério que só você conhece? Poderemos pôr lado a lado na estante dois autores irremediavelmente desavindos? São muitas as questões que envolvem esta espécie em vias de extinção: os bibliófilos que, além da paixão pela posse de livros, têm a obsessão pela leitura. As bibliotecas são seres vivos à imagem da nossa complexidade interior, e compõem um labirinto do qual poderemos não conseguir sair. Na verdade, os milhares de páginas que ocupam as nossas estantes estão povoadas de fantasmas que, uma vez encontrados, nunca nos largarão.
Um livro de amor aos livros.
Opinião:
Quem já me segue há algum tempo e quem me conhece sabe que gosto de ler livros sobre livros. E assim que descobri este livro achei que seria interessante.
Este é um livro de não-ficção que fala de variados temas como a arrumação de livros, dos bibliófilos e as suas manias e vícios. Um livro cheio de referências a clássicos e literatura moderna que entraram para a minha lista de livros a ler.
É um livro pequeno e de fácil leitura para quem gosta de ler sobre o tema e quer uma leitura diferente do habitual.
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Vou mesmo procurá-lo! Tenho de ter este livro!!!!
É mais um pequeno ensaio escrito por um editor e bibliómano que discorre pelos motivos e diferentes enquadramentos que levam pessoas a juntar muitos livros. Tem parte até engraçadas como as teorias sobre arrumação de livros, e algumas referências e citações curiosas. A editora é a Quetzal e o preço muito simpático de 5€.
EliminarMuito interessante.
ResponderEliminarQuando estou rodeado de livros perco a razão, algo que se apodera de mim, uma sensação que me deixa nas nuvens .e levito, levito...é, absolutamente, um acto de amor!
ResponderEliminar"Uma biblioteca terá de conter tantos livros para ler quanto os livros que já li" - Eduardo Prado Coelho
"Depois do prazer de possuir livros, não há outro que seja mais doce do que falar sobre eles" - do livro "Bibliotecas cheias de fantasmas"
Em todas as localidades onde vivi, uma das minhas primeiras iniciativas foi tornar-me sócio da biblioteca municipal.
ResponderEliminarNão tenho casa para milhares de livros.
Embora gostasse de os ter.
E gosto muito das pessoas que têm o bom hábito de comprar muitos livros.
E de os ler.
Muito bom :D
ResponderEliminarNão costumo comprar edições diferentes da mesma obra. Digamos mesmo que evito que isso aconteça por me parecer que dar oportunidade de leitura a outros livros me é mais salutar. Os meus amigos acham que tenho muitos livros, mas só porque no caso de alguns, eles lêem pouco e têm poucos livros; além disso, desconhecem os leitores deste blogue:). Eu sei que não tenho muitos livros, até porque, em alguma altura, li cada um deles. Não os colecciono nem compro só para que existam por perto. Compro os que, julgo, me darão horas de prazer (algumas vezes engano-me). E, se calha olhar as prateleiras, sei que já os corri linha a linha. Acho que é disso que gosto, saber que andei por lá. Mesmo quando já não me lembro do que li:). As pessoas são todas diversas no seu mesmo modo de gostar.
ResponderEliminarConcordo inteiramente.
EliminarLendo os outros comentários, já estava a pensar que era a única que só comprava para ler.
"A casa de papel" de Carlos María Domínguez
ResponderEliminarRui Ferreira
Sim, também eu entro numa livraria, e saio de lá, ás vezes, com mais livros do que pensava comprar.
ResponderEliminarEnfim, nalgumas livrarias, porque noutras nem me atrevo a entrar, pois ainda sairia de lá era com um aspirador ou uma máquina de fazer sumos...
Mas tenho o absurdo hábito de só comprar o que vou ler, e enquanto não o faço, não acúmulo livros por ler. Stressa-me.
Mas é claro que fica sempre tempo para o inesperado.
Ainda hoje acredito, que não sou eu quem escolhe os livros, mas sim, eles que me escolhem!
Puck
Já li e tenho o interessante livro "Bibliotecas Cheias de Fantasmas" que recomendo. Gosto de comprar livros e de os ler mas tenho um problema de espaços pelo que tenho tendência a ser cada vez mais selectivo. Tenho poucos livros e gostaria de ter mais mas já não cabem nos 3 locais em que estão espalhados: Na minha casa da Beira Alta estão meus e os poucos do meu pai, além de álbuns de arte e de cozinha; na casa da minha sogra no ribatejo álbuns de arte e livros de não-ficção; no meu apartamento de Lisboa a maior parte :romance, não-ficção (cinema, gastronomia, arte, religião) poesia, espalhados pela sala, quartos, corredor, num amontoado uns atrás dos outros, que dificulta ás vezes a pesquisa certa. Amo os livros e comprei sempre alguns pelos locais por onde andei na minha andança profissional, especialmente Estocolmo e Paris. Antigamente fazia sempre as minhas listas em vésperas da Feira do Livro, mas nos últimos anos não compro mais do que dois ou três. Começo a abominar a Feira porque chego à conclusão de que mesmo as grandes editoras têm sempre os mesmos monos de ano para ano e as novidades são poucas ou nenhumas. É certo que a maioria do que se edita é lixo que enxameia os escaparates das livrarias. Escapam algumas pequenas editoras independentes que são a excepção para confirmar a regra.
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