Os novos plagiadores
Todos sabemos como é difícil a um escritor desconhecido arranjar quem lhe publique o primeiro livro – e é certamente por isso que já há muitas empresas a fazerem dinheiro à custa disso, algumas das quais publicam tudo o que vem à rede desde que o autor financie a edição, nem que seja mediante a compra de um certo número de exemplares que cubra o investimento necessário para fabricar o livro. Mas nem toda a gente tem dinheiro para isso ou vai na cantiga, pelo que muitos dos que escrevem um primeiro texto, não conseguindo interessar nenhuma editora mais convencional, preferem apesar de tudo recorrer à auto-edição e divulgar ou vender a obra na Internet. Acontece, porém, que – sem o crivo de um profissional – podemos encontrar textos lastimáveis à disposição do público, gratuitamente ou a preços módicos, seja em termos de redacção, estrutura ou mesmo ortografia… Mas agora descobriu-se, além disso, que estes escritores que se auto-editam muitas vezes também plagiam os consagrados ou minimamente conhecidos com grande à-vontade. Nos Estados Unidos, parece que os escritores estão a braços com dezenas de situações em que alguém «rouba» os seus romances, muda uma coisa aqui e outra ali, superficialmente, e os vende depois como seus, alterando-lhes o título e fazendo crer aos leitores que se trata de uma coisa nova. No mundo de hoje, em que é fácil a qualquer um pôr um livro à venda na Amazon, têm-se repetido histórias deste tipo e descoberto, inclusivamente, que os pretensos autores se dão ao trabalho de cortar cenas mais picantes ou eróticas, como se fosse disso que devessem ter vergonha… Uma questão que, suponho, ainda vai dar muito que falar.
Shameful. O plágio está em toda a parte e é uma praga!
ResponderEliminarSe há quem seja capaz de copiar alguns textos simples da "blogosfera", e fazer de conta que são seus, mais fácil será apropriar-se (se puder...) da obra de quem tem um reconhecimento superior como autor...
ResponderEliminarÉ sabido que a "internet" veio facilitar a vida a toda a gente, especialmente a burlões e vigaristas, que estão sempre um passo à frente do cidadão comum...
Pois... acredito que sim e é óbvio que tal suceda!
EliminarSeja com a intenção de plagiar, ou sem ela e na falta do tal aconselhamento competente que pode alertar para esse detalhe, entre outros!
Eu fui dos que "foram na cantiga"... e nem por isso me arrependo, ou seja foi um risco calculado como pegar um toiro. Financeiramente falando.
Do ponto de vista editorial, sim, faltou-me óbviamente a orientação que fizesse de uma simples impressão um romance estructurado, revisto e bem organizado... coisa de que só me apercebi depois de o ter na mão e pela minha experiência de leitor, nunca conseguindo percebê-lo na versão ficheiro word dada a minha inexperiência como autor de romances.
Desaconselho essa via, a da edição partilhada?
Não... mas também não a recomendo, é um risco que tem de ser muito bem analisado e medido do ponto de vista económico e logístico pois a distribuição é outra vertente onde falham redondamente!
Porém, é um facto que as editoras nem sequer analisam uma obra de desconhecido...
Quanto à questão do plágio... curiosamente, li um romance editado por casa editora e da autoria de um conhecido jornalista, que me deixou a viva impressão dele ter lido o meu romance... é óbvio que nem existe nada de novo debaixo do céu, nem eu sou original a esse ponto absoluto, mas que há muitas coincidências, isso há.
Saudações de um desalinhado auto-editado cá da Cidade Morena!
Ai que isto tem sido muito "coq au vin!!!
EliminarQuanto á questão dos plágios é uma absoluta e total pulhice.
Talvez seja de aconselhar os futuros prosadores a registrarem as obras antes mesmo de as darem a ler a alguém .
Saudações
Puck
É lastimável que assim seja, mas a verdade é que o conceito de autor e de autoria se vulgarizou de tal forma que todos se sentem predestinados a produzir um qualquer tipo de obra literária ou artística. Infelizmente, e julgo que muito desse sentimento passa por aí, esta ideia baseia-se naqueloutra de que não há nada que o dinheiro não compre. Por isso, muitos acreditam que podem comprar a sua glória - mesmo que temporária e, claro, efémera, enquanto outros acreditam que o que importa é o dinheiro que ganham com os enganadores sonhos dos outros. Quem quiser que faça a destrinça entre o que vale a pena e o que não interessa. É lamentável, mas reflexo dos tempos que se vivem.
ResponderEliminarBom dia Rosário! Novos... Plágio é (feio) e démode.
ResponderEliminarNão consigo entender esse afã em publicar. Publicar sem critério, só para ter um livro seu, quero dizer. E entendo ainda menos quem plagia. Porque se os primeiros têm uma certa vaidade satisfeita e nem se lembram que os erros ficam todos lá plasmados, os segundos, têm o quê, se nem sequer a obra é sua. Será vontade de aparecer?! De ser não é.
ResponderEliminarMas, ao contrário, a gente lê uma entrevista a um escritor e ele afirma sempre trabalho, trabalho, trabalho, muita perseverança e estimular o talento individual.
Trabalho! Trabalho?
EliminarPara quê? Se ninguém dá a hipótese de editar?
Dou-lhe como exemplo eu mesmo - que não sou nem quero ser exemplo mas sirvo para ilustrar o que digo, pois é o caso que melhor conheço:
- Levei um ano inteiro a escrever 1200 páginas, dando corpo, organizando o que reuni e fui esboçando por muitos anos. Ao longo desse ano não fiz práticamente mais nada, quase só escrevi, noites dentro e dias afora - foi muito trabalho, garanto.
Resultado? Uma a querer que eu eliminasse as passagens que descreviam caça ou toirada... outra a querer reduzir, outra... já nem sei (curiosamente saíram-me sempre mulheres!) e por aí adiante, fóra as respostas que nem obtive... mas é assim que são as coisas e isso muitos sabem, editores ou candidatos a autor.
Depois, foram meses a divulgar e a vender livros, eu-mesmo.
E houve o antes, as muitas dezenas de livros que li, as consultas feitas ao longo de vários anos (quase uma vida), e claro, muitas páginas escritas e publicadas em revistas, digamos que a ganhar embalagem...
Não é isto trabalho, trabalho, trabalho?
Claro que nunca saberei se o que escrevi tem ou tinha algum valor.
Para mim tem e para as 600 pessoas que me compraram os 1200 exemplares porque me responsabilizei... aliás nem sei se foram editados os outros 1200, pois nunca me foram prestadas contas, quando procurei por eles apenas disseram que o I volume está esgotado - ou nem foi editado?
Das contas não quis e nem quero saber... fiz a minha parte e recuperei o que investi.
Ando a cozinhar outro, é verdade, e provávelmente vai ser a mesma coisa!
O gozo é meu, como conquistador do inútil que tenho sido. Não espero que o compreendam, porque a mim me basta.
Perdoem estar a falar sózinho, mas sou mesmo assim, os ribatejanos abrem os braços à vida como aos toiros e aguentam os derrotes... porquê?
Por uma volta à praça que dura um minuto? Vá-se lá explicar o que não tem explicação, apenas sentimento.
Outros preferem ficar sentados à sombra, a bom recato e a fingir que são sensatos e sabem das coisas, a ver os outros e a ler os outros. Fazem falta, claro, sem espectadores nem leitores não valeria a pena representar nem escrever.
Entretanto, fica-me a tal sensação de que alguém leu o meu livro e usou as minhas idéias, mas esse tem quem o publique ao contrário de mim, e quem o edite e reveja, mas não conhecendo o meu não lhe pode ter feito nenhum reparo - a despeito de haver a reserva legal e essas coisas que não me interessam, antes fazem rir, porque não terá sido assim tão ruim!
Saudações inúteis cá da Cidade Morena - amanhã terei um dia complicado e este bocadinho, ao fim de horas de preparação, também me faz bem!
Lembre-se estar à desenvolver um trabalho de escrita cultural importantíssimo e vá enfrente por construí-lo, aprimorá-lo e ser exemplo ser instrumento de perseverança de fé e de suas paixões a consistir neste seu patrocínio. Você merece ser feliz do seu modo e, defender tal estilo literário o valha suor e suas crenças donde libertárias.
EliminarPartilho esse sentimento Extraordinária Cláudia e agradeço as suas palavras de quem me compreendeu!
EliminarNão sou escritor-frustrado, longe disso pois nem sou escritor, tenho outra profissão onde também posso usar a minha natural tendência e o gosto de partilhar, de ensinar, de orientar, de formar, de opinar e ajudar a criar - é gratificante, creia, aliás a reunião de que falei ontem decorreu esta manhã e muitíssimo bem! Consegui passar a mensagem que preparei e foi bem recebida, sinto-me como se tivesse escrito um livro... enfim, um opúsculo!
Saudações contentes cá da Cidade Morena!
Peço desculpa pela demora, sou um bocadinho distraída e além disso sou dada a pensar que aqui cada um diz sem esperar resposta. Mas, na verdade gosto de lê-lo. E dos seus desabafos mesmo que por vezes não concorde muito com eles (a concordância total é uma anulação, não acha?).
EliminarNão sei falar sobre sentimentos ou sensações relacionadas com a edição. Pertenço aos que se ficam pela sombra da leitura a admirar quem escreve. Que, como afirma, são bem necessários a quem escreve. Detesto e até me apavora esse mundo de amostragem a que os autores se sujeitam ou de que gostam, dependendo do carácter de cada um.
Mas deve continuar a fazer o que lhe dá prazer. A vida não oferece assim tantos prazeres e esse tem a mais valia de poder ser extensivo a terceiros que podem ser muita gente:).
Boa Sorte para o que não tem explicação:). E desabafe sempre. É um prazer lê-lo.
Um bom dia para si que a praia me chama com voz de sereia (não será de sereia,mas, certamente, de ruaz).
Um abraço