O autor e o leitor

Hoje em dia os autores vão a todo o lado – escolas, bibliotecas, feiras, festivais – e não raro têm de estar na berlinda a falar com aqueles que lêem ou virão a ler os seus livros. De um modo geral, os escritores vão descontraidamente para esses lugares e respondem àquilo que lhes perguntam, mas há quem ache que esses momentos são determinantes para se conquistar o público e não devem ser desperdiçados. Num artigo de Jane Friedman, uma mulher com vinte anos de experiência editorial, ela aconselha aos novos autores cinco passos que os vão ajudar a ter êxito nestas actividades. Em primeiro lugar, pensar no que vão dizer e escrever tudo de fio a pavio (um texto para dez minutos de conversa e talvez outros dez de leituras, que podem ser intercaladas na conversa); se usar o humor, óptimo, mas só se for o tipo de pessoa que já recorre habitualmente a ele. Em segundo lugar, ler alto o texto até se sentir completamente confortável com ele (cortar tudo o que for complicado de dizer). Em terceiro lugar, transformar esse texto em notas, usando um tipo de letra maior e palavras-chave que recordem o texto completo: partir delas para a conversa. Em quarto lugar, Friedman aconselha que se varie o tom do que é dito e do que é lido e não se escolha nenhum excerto demasiado difícil – a linguagem escrita é uma coisa, a oralidade é outra. Por fim, o autor deve pensar em todas as perguntas mais plausíveis que lhe vão ser feitas e ensaiar as respostas. Assim, garantidamente, vai sair-se bem. Bons conselhos para quem começa.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco25 de julho de 2016 às 02:41

    São sim senhora!

    Ser escritor, não significa ser-se necessáriamente um bom comunicador.
    Muitos escritores, principiantes ou consagrados, decididamente não o são ou são de uma vulgaridade que não faz justiça aos seus escritos.

    Bom... e isso é grave?
    Não me parece que seja, o que espero de um escritor é que escreva bem, que escreva coisas para eu ler! Para o resto... há o Herman, por exemplo.

    Não sei se concordam, mas eu avalio o escritor pelas obras escritas e não por ser bom comunicador. Bons conversadores normalmente são, mas mais em privado e num ambiente restrito, próprio.

    Também não conheço assim tantos mas conheço uns quantos, tenho falado com bastantes e visto os suficientes na TV ou outras sessões.
    Há aqui quem possa muito melhor do que eu opinar, como é óbvio, mas creio que o que digo não é assim uma asneira tão grossa.

    Saudações convalescentes da Cidade Morena.

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    1. Concordo. De um escritor interessa-me a escrita. O resto sãoacessórios e pormenores que não me fazem comprar livros. Mas podem levar-me a admirar ou detestar a pessoa que os escreve.

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  2. Subscrevo os dois textos.

    ABC

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  3. Olá!

    Penso que todos agradecemos estas dicas. O senão é serem completamente vazias de conteúdo.
    Não conheço a Jane Friedman. Mas, pela amostra (e, a bem da autora, espero que menos bem escolhida), o que sugere são banalidades. Basta uma consulta um pouco mais cuidada na internet para encontrar uma série de indicações mais relevantes. Que dizer a quem tem (alguma) ansiedade em falar em público?
    Se a intenção da MRP era ajudar os novos autores nesta tarefa, a principal dificuldade não é a escolha planeada do texto. [A este nível, a melhor sugestão possível será a definição de duas ou três mensagens fortes (de preferência com uma ou duas frases tipo "soundbite", para os media agarrarem).]
    De resto, e bem mais importante, é pensar em formas de diminuir a ansiedade quando a mesma é disfuncional e em formas de estabelecer uma relação empática com a audiência. Aspectos práticos relativamente simples de trabalhar e que me parecem merecer destaque incluem: manter contacto visual com a audiência, gestos adequados e alinhados com o que se diz, "escuta activa" do comportamento da audiência, possibilitando a adequação do tipo de discurso em função do nível de atenção que se está a conseguir atrair (independentemente do que foi antes planeado), etc.
    De qualquer modo, como todos sabemos, há oradores que não fazem nada disto e são simplesmente brilhantes... porque a sua obra fala por eles. Por isso, "no final do dia" o que pode contar verdadeiramente - a curto ou a longo prazo - é a obra feita. Por isso, parece-me demagógico e pouco pedagógico dizer que "Assim, garantidamente, vai sair-se bem". Como concordará, MRP, não é possível prever sucesso com receitas assim tão simples...

    Osvaldo Santos.

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    1. Isso! É como no anúncio, ou se tem ou se não tem... mas, pode ir-se ganhando com o treino e a habituação - é um facto.

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  4. Basta dizer-lhes o que vai dizer, dizer e dizer-lhes o que disse!

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  5. Bom dia a todos!

    Eu diria que todas essas informações estão muito certas, claro, mas quanto a mim falta uma coisa importantíssima: ser-se o mais natural, verdadeiro e autêntico possível. Até se pode esquecer das notas todas, que sendo o escritor verdadeiro, justo e honesto isso transpirar-lhe-á da sua pele. E é isso que as pessoas mais gostam, acima de tudo, acima da maior ou menor facilidade com que se fala.

    Cristina Carvalho

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    1. Completamente de acordo com este comentário da Cristina Carvalho. O escritor deve ser o mais natural, verdadeiro e autêntico possível.
      Eu detestaria que um escritor desse uma resposta "ensaiada" a uma pergunta minha. Penso que a sinceridade é o mais importante e isso nota-se.
      :-) Antonieta

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  6. Uma mulher com vinte anos de experiência editorial???? Se até o "grande empresário" Zeinal Bava foi condecorado pelo Cavaco, se até o Tim e o Jorge Palma cantam, se até o João Moutinho "o passa pró lado e pra trás" foi Campeão da Europa de futebol, se até o André Gomes "o pernas de chumbo" foi comprado pelo Barça por mais de 50 milhões, se até o Zé Cabra foi disco de prata, qual é a admiração dos conselhos desta experiente senhora?

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    1. Não sei quem é o Zé Cabra (nem tenciono investigar), agora o Tim e o Jorge Palma são dois excelentes músicos, dos melhores deste país, quer nas suas carreiras a solo, quer nos projectos em que participam ou participaram, como
      por exemplo, Xutos & Pontapés (Tim), Resistência (Jorge Palma) e Rio Grande (ambos).
      :-) Antonieta

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    2. E disse muito bem Antonieta, dois excelentes músicos, mas eu falei em cantar (formar com a voz sons variados e melodiosos)...

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    3. Tudo isso de "sons variados e melodiosos" é muito subjectivo (e ainda bem), mas já vi que o Severino só gosta de canários e rouxinóis e não aprecia o canto das cigarras. E que vozes estilo Bob
      Dylan, Tom Waits, Leonard Cohen ou Louis Armstrong não lhe dizem
      nada. Fiquemos então assim.
      E viva a diferença.
      :-) Antonieta

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    4. Na minha concepção cantar é isso mesmo (FORMAR COM A VOZ SONS VARIADOS E MELODIOSOS), e, na minha opinião (na minha) o Tim, o Jorge Palma não cantam bem, do Bob Dylan então nem se fala (mas o homem canta?) mas o Tom Waits canta? eu não gosto mas, por exemplo, já gosto imenso do Leonard Cohen e do Louis Armstrong, é o meu gosto e isso leva-me (se calhar não correctamente) a dizer que não cantam nada. Outro que (na minha opinião) não sabe cantar é o Pedro Abrunhosa e, tal como diz um homem que sabe mais de música ã dormir- que nós todos juntos acordados (José Cid) que diz que o Abrunhosa não é um cantor é um "diseur".

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    5. Bem, se o Severino acha que o Bob Dylan nem sequer canta e que o José Cid emite sons variados e MELODIOSOS, não tenho mais nada a acrescentar a não ser desejar-lhe boas audições.
      E ainda bem que nem todos gostam do amarelo...
      :-) Antonieta

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    6. Atenção não deturpe as minhas palavras, eu não disse que o José Cid cantava bem ou mal, o que eu disse é que sabe ele mais de música a dormir que nós todos acordados (não tenha dúvidas, eu não tenho complexos de o admitir); tal como não tenho complexos de afirmar que (para mim) o Bob Dylan a cantar até mete medo aos mortos. E olhe que, por acaso, até nem gosto do amarelo!

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    7. Blablablablabla
      blablablabla
      blablabla!
      :-)))
      Antonieta

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