Lisboa ao virar da página

Lisboa está na moda – e os turistas enchem todos os dias as suas ruas, vindos dos quatro cantos do mundo. É, pois, necessário responder à sua presença com guias turísticos de qualidade e novas abordagens nas visitas à cidade, porque as pessoas não são todas iguais nem querem exactamente a mesma coisa de uma viagem. Recentemente, saiu um livrinho maravilhoso que devia ser rapidamente traduzido, Ler e Ver Lisboa, uma vez que oferece uma perspectiva da capital completamente inovadora, seja através das ficções de vinte autores sobre espaços lisboetas (das galerias romanas ao Padrão dos Descobrimentos, da Sé à Praça do Chile), seja pela paleta de outros tantos ilustradores muito talentosos. Como disse o crítico literário José Mário Silva, todos estes quarenta intervenientes estão “empenhados em sobrepor um mapa imaginário ao mapa real” e o resultado é simplesmente delicioso, literária e artisticamente falando. A variedade também ajuda muito: temos autores veteranos (Alice Vieira e Mário Zambujal) ao pé de escritores mais novos, como Joana Bertholo ou Valério Romão, e verdadeiros génios da ilustração, como João Fazenda, André Letria ou Alex Gozblau ao lado de outros menos conhecidos (pelo menos, para mim), como Gonçalo Viana ou Rui Sousa. Uma reinvenção da cidade para portugueses e não só, editada pela EGEAC e à venda nas lojas do Turismo de Lisboa.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco15 de julho de 2016 às 02:54

    A divulgação do nosso país, sobretudo entre os portugueses que conhecem melhor S. Tomé ou Varadero e as suas comidas, do que os nossos (salvo o Alentejo porque está na moda, e ainda bem, diga-se!) é imperativo.

    Há zonas completamente desconhecidas e interessantíssimas em folclore, história, gastronomia, paisagens, tradições, etc. Como a Região Centro, de que só parece existir a Serra da Estrela quando neva.

    A própria cidade de Lisboa é um caso e me penitencio por ser um ignorante relativamente a ela, mas não consigo chegar a tudo e para mim, as grandes cidades são pontos de menor interesse - salvo Barcelona e Nova Iorque, de que fiquei fã, sem quase as ter conhecido note-se, mas que acho cidades à parte, pela sua "largueza".

    Acho e tenho defendido que temos de potenciar o turismo, é a nossa única e maior riqueza natural, nós que não temos petróleo, carvão, ferro, oiro, e só uma agricultura pobre e escassa. As pessoas e os lugares são a nossa matéria prima, e o turismo visto na perspectiva de fileira económica iria alimentar o país e dar a possibilidade aos portugueses de fazerem aquilo que melhor fazem!

    Eis aqui uma prova do que digo sobre a fileira: - o turismo, a produção literária e da imagem como parte do grupo de actividades e interesses interligados.

    Excelente iniciativa! Esperemos que haja mais desse género.

    Já agora, a talhe de foice. porque estamos em momento de alta desportiva, que se promova o país pelo seu acolhimento e potencial pelas características climáticas e paisagísticas, para a realização de estágios e de eventos desportivos ou artísticos! Temos os meios e até as estruturas, sejam elas pistas de caminhadas, atletismo, pesca e canoagem ou remo, os pavilhões e o ar livre, ETC. Temos as paisagens para pintar e fotografar, parques naturais, reservas de caça, e todo um folclore seja o do cavalo e toiro, o do mar, das vinhas e olivais...

    Saudações saudosas cá da Cidade Morena e bom fim de semana!

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  2. Não conheço, mas certamente lá constarão os incontornáveis Pessoa, Cardoso Pires, por exemplo.

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  3. Ontem dei um curto passeio por Lisboa e senti-me estranho: a cada canto um amontoado de gente em calcões e alpercatas fotografando-se ou fotografando tudo o que mexia ou reluzia. Pior só nas Ramblas ou à beira das gôndolas. Talvez seja passageiro e ao sabor de humores mercantis ou terroristas (não consigo evitar pensar isto), e certamente útil para o país nesta fase, mas é cansativo, pela dimensão, e francamente descaracterizante.

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  4. -Steinbeck, dizia que a viagem começava muito antes do dia marcado, no seu livro "Viagens com o Charlie".
    Eu fiz algumas viagens que começaram com livros, não eram guias. No entanto permitiram-me uma certa aclimatização .
    Deles destaco " Os comedores de pérolas" do João Aguiar que li para aí um mês e meio antes de ir para Macau, a "Sombra do vento" que me fez apaixonar por Barcelona .
    " A costa dos murmúrios " o mais belo título da literatura.
    Sim, viajar e escrever casam muito bem, os escritores muitas vezes captam esse essencial que está escondido e pode mudar para sempre a grafia de um mapa ou de um itinerário.
    Por isso e para sempre muito obrigada a quem escreveu ou escreve ou pensa ainda vir a escrever.
    Puck

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    1. António Luiz Pacheco17 de julho de 2016 às 14:02

      Gosto muito de Barcelona!!!! Uma das duas grandes cidades do Mundo de que gosto - a outra é NY. Parece que me estou a armar mas não... é mesmo assim, e em boa parte o meu amigo Xavi Durán, arquitecto, gourmet e presidente da federação espanhola de actividades subaquáticas tem uma boa responsabilidade nisso, pelo que me mostrou e ensinou de Barcelona!

      Ora não conheço ou não estou a ver que livro é esse - A sombra do vento.
      Pode dizer-me mais sobre ele?

      Saudações cá da Cidade Morena!

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    2. Pacheco, como o visado não respondeu, respondo eu: A Sombra do Vento é um afamado livro do catalão Carlos Ruiz Zafón que estoirou em tudo o que era livraria há uns pares de de anos atrás. Na altura deu-me para lê-lo em catalão (e não no original, que é castelhano). A contra-capa diz: Tots aquells que gaudeixin amb novel.les commevedores i de suspens haurien d'afanyar-se cap a la llibreria més propera i aconseguir un exemplar de L'ombra del Vent. Foi o que fiz no local onde tudo se passou: a un indret misteriós amagat al cor de Ciutat Vella, El Cementiri dels Llibres Oblidats.

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    3. António Luiz Pacheco20 de julho de 2016 às 03:27

      "Todos aqueles que gostam de romances de suspense e comovedores devem correr à livraria mais próxima e obter um exemplar de A Sombra do Vento".

      É o meu caso... mas vou optar pela versão castelhana ou portuguesa... eheheh!

      Grato pela informação!

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    4. António Luiz Pacheco20 de julho de 2016 às 03:29

      O cemitério dos livros esquecidos, faz-me lembrar "O cemitério dos barcos sem nome" (de Arturo Pérez Reverte).

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