Escrever em Berlim

Na sequência da visita de editores alemães e ingleses a Portugal durante a última Feira do Livro de Lisboa, de que já aqui vos falei, a nossa diplomacia na Alemanha dá-nos mais uma boa notícia: a da criação de uma residência literária em Berlim, durante um ou dois meses, para um escritor português, com o apoio de uma associação local. Não só é sempre bom sair da rotina e das preocupações diárias e ser catapultado para um lugar onde a única obrigação é escrever, como estas residências têm habitualmente efeitos colaterais benéficos, pois permitem ao escritor-residente o contacto com confrades, agentes e editores do país onde está e ainda a hipótese de realizar leituras e encontros com o seu público potencial que, uma vez por outra, acabam por facilitar a tradução e a publicação da sua obra. Se escreve, tem obra publicada e gostaria de passar uma temporada em Berlim a começar ou terminar um livro, consulte o site da Embaixada de Portugal em Berlim para perceber se pode candidatar-se. Ou este link que, no fundo, dá toda a informação necessária sobre o assunto. E boa sorte!


 


https://www.berlim.embaixadaportugal.mne.pt/pt/a-embaixada/noticias/282-abertura-de-candidaturas-bolsa-de-residencia-literaria-em-berlim


 


P.S. Ontem, por causa do post sobre o desaparecimento das bibliotecas itinerantes, recebi o seguinte esclarecimento (importante) de José Manuel Cortês, da DGLAB: «Hoje estão em funcionamento mais de setenta bibliotecas itinerantes (agora chamam-se bibliomóveis) em todo o país que trabalham em articulação com as bibliotecas públicas municipais. Eu reconheço que são poucas para as necessidades. Mas também sei, segundo informações que tenho, que há tendência para aumentar. Estou à vontade para falar disto porque é uma inciativa fundamentalmente das Autarquias. Principalmente em áreas com povoamento muito disperso e com comunidades com dificuldades de deslocação.» São, portanto, boas notícias!

Comentários

  1. António Luiz Pacheco27 de julho de 2016 às 01:57

    Uma boa idéia.

    Pergunto-me porque é que as tutelas competentes (?) não promovem em Portugal o turismo literário e de pintura, de música?
    Temos o clima meteorológica e geográficamente falando, ainda o ambiente físico, histórico, social e humano adequados à criação... as paisagens, a luz e côr, temperaturas, vinhos e queijos, enchidos, hortaliças... a segurança e o bem-estar, tudo para potenciar a criatividade artística.

    Há muito que artistas estrangeiros o sabem e procuram Portugal. Porque não tornar isso num dos muitos objectivos para visita e estadia, adaptando tanto edifício e estructura do estado desprezada, a residências ou pousadas para artistas, a custo adequado?

    Saudações sonhadoras cá da Cidade Morena.

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    Respostas
    1. Ó Pacheco, você é que havia de aproveitar esta generosidade, esta Largueza da nossa diplomacia, e ir a Berlim apresentar o seu “Freigiebigkeit”.
      E aproveitava para lá escrever o “Nähe”, que bem necessitamos de algo que nos ajude a entender a Estreiteza em que estamos a ficar enredados, aqui na Europa.

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    2. António Luiz Pacheco27 de julho de 2016 às 05:41

      Agora é vossemecê me tramou... traduza lá essa germanofilia para uma língua cristã!!!!

      Abraço latino cá da Brünette Stadt!
      Eheheh!

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    3. Mais uma vez concordo consigo extraordinário Pacheco.
      Como comentei há pouco, vendo bolas de Berlim na praia.
      Quando se extingue esta actividade estival e regresso à minha terra longe do mar.
      Até o barulho do comboio parece as ondas a rebentar na areia.
      É o mar a chamar-me, só pode ser, ou então alucinações de duende.
      É que ali, por entre a maresia e os grãos de areia de quem já sei o nome, surge-me tantas histórias, tantas palavras avulso, tanto prenúncio de poema.
      Não há portas de Bradenburgo, nem opulência de Potsdam que substituam o barulho do mar...
      Saudações cordiais
      Puck

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    4. Está tudo lá no meu texto: Freigiebigkeit – Largueza; Nähe – Estreiteza.
      Então para que servem os dicionários on-line? Não é justamente para nos ajudar a ampliar a largueza e reduzir a estreiteza?

      Tome lá este, e não diga que vai daqui:
      http://www.reverso.net/text_translation.aspx?lang=FR

      Quando chegar a Berlim, dê lá as minhas grüße à Senhora Merkel.
      Umas gandas grüße também para si.

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  2. Emílio Gouveia Miranda27 de julho de 2016 às 02:18

    Feliz novidade, esta das bibliotecas itinerantes. Excelente iniciativa, a de poder ser financiado para escrever num outro país, neste caso na Alemanha. Muita inspiração para a/o feliz contemplada/o.

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  3. Uma bela iniciativa... mas, segundo o regulamento, só para os portugueses que vivem em Portugal.

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  4. Cláudia da Silva Tomazi27 de julho de 2016 às 05:12

    Excelente notícia e upgrade!

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  5. Tem poderes, a Rosário!
    Ora eu aqui numa grande depressão e não é que vem o "post" a falar precisamente de Berlim.
    Esta angústia vem-me das bolas. De Berlim, é claro.
    Fosse eu escritor, até me candidatava, mas o meu negócio é precisamente vender bolas de Berlim. E por ora anda mal, ninguém lhes pega.
    É a mania das magrezas. Eu bem que tento repensar o negócio. Sei lá recheá-las de rúcula com quinoa ou agrião com trigo sarraceno, qualquer coisa mais em conformidade com os tempos. Mas acho que nem assim!
    Já me perguntaram quantas calorias.
    - Oh menina, calorias leva-as o vento, toda a gente sabe.
    Mas nem a poesia me ajuda.
    E eu, que quase tirei um curso de direito tributário para obter as tais licenças, não compensa, não senhor!
    Mais valia ir para Berlim vender pasteis de nata.
    Uff, o que um duende tem de fazer para sobreviver.

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