Boas ideias

Todos os que escrevem – julgo eu – gostam que os seus textos dêem origem a críticas, comentários e ideias interessantes. Não sou excepção. Há muitos anos, quando publiquei o meu primeiro livro de poemas, A Casa e o Cheiro dos Livros, contaram-me que um padre da igreja do Lumiar leu na missa de Quinta-Feira Santa um poema meu chamado «A Última Ceia» e fiquei admirada e contente; mais tarde, uma estudante de joalharia inspirou-se num texto meu para fazer um alfinete de prata que acabei por ver numa exposição colectiva (e que não resisti a comprar); e, entre muitas outras coisas que dão ânimo e alegria, fui há pouco informada de que uma mestranda de Arquitectura da Universidade do Minho chamada Carla Gonçalves Ferreira realizou uma tese intitulada «Casa Sentida: Proposta de um Exercício de Projecto a partir de Uma Antologia de Poemas» que reflecte o projecto de uma casa para um «cliente fictício». A originalidade está em que esse cliente é um leitor de poesia que fornece à arquitecta (para a inspirar?) uma antologia de poemas de vários autores portugueses nos quais é sempre abordado o tema da casa, directa ou indirectamente. Dois desses poemas eram meus, de dois livros diferentes (e, sim, a casa é talvez um dos temas que mais vezes trato) – e agora a Universidade (que, suponho, gostou muito da ideia) decidiu editar a antologia poética para oferecer a alunos e professores. Não são estas coisas que fazem andar a vida? Eu gostei – e agora quero ler a tese e descobrir a antologia de ponta a ponta.


 


P.S. Hoje, na FNAC de Santa Catarina, no Porto, plas 18h30, fazemos o lançamento do romance As Histórias Que não Se Contam, de Susana Piedade, finalista do Prémio LeYa em 2015. Apareçam!


 

Comentários

  1. Interessante, hei de ler.
    A propósito, lembrei-me de um trabalho da cadeira de Projeto IIem que tivemos de projetar uma moradia a partir de um excerto do romance Justine (Quarteto de Alexandria), do Lawrence Durrell. Assim mesmo, sem programa, apenas as palavras do livro, difuso como o diabo, uma vivenda perdida no deserto; e nós com ela.
    ...............................
    Parabéns à Susana, que seja uma grande sessão (com ou sem lanciolíticos...)

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  2. A escrita de Maria do Rosário Pedreira tem este (entre tantos outros!) dom de gerar emoções, como ondas...Ficam gravadas em nós, palavras de luz e sombra, rendilhados de memórias que despertam e afagam as nossas histórias...

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    1. Lindo (e verdadeiro) o que a Ana Soares escreveu.
      Gostaria de ter sido eu a escrevê-lo mas, ao contrário da maioria dos Extraordinários comentadores deste blogue, não tenho o dom da escrita, nunca escrevi nem um poema sequer.
      Parabéns à Maria do Rosário por mais este reconhecimento da sua arte.
      :-) Antonieta

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    2. Muito obrigada, Antonieta! Não serei merecedora de tamanho elogio, mas deixou-me de alma acesa! Beijinho.

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    3. Grata, Maria do Rosário. Já a considerava muito e há muito; confirmou a minha admiração no encontro em Aveiro. Férias felizes.

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    4. Apenas escrevi o que senti, Ana.
      Beijinho retribuído com muito gosto.
      :-) Antonieta

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  3. António Luiz Pacheco28 de julho de 2016 às 03:14

    Fico sinceramente feliz pela Nossa Extraordinária Anfitriã!
    Sem dúvida que vermos o nosso trabalho reconhecido e divulgado é muitíssimo gratificante e uma das muitas razões que nos movem - sejamos honestos, antes de mais para connosco.

    Fico também contente por saber dessa intersecção multicultural, que há gente assim, sensível, atenta e portanto capaz de ter essa largueza!

    Concretamente sobre a arquitectura&decoração (casas...) é um dos pontos comuns a tanta obra e autor, dedicarem atenção mais ou menos pormenorizada ao tema, pois que é importante na envolvente dos personagens como no situar e caracterizar da acção. Há-os mais ou menos descritivos, mas creio que nenhum deixa de usar e apontar um detalhe desses, jamais em romance algum! Estarei errado?

    Saudações caseiras e decorativas cá da Cidade Morena!

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  4. Cláudia da Silva Tomazi28 de julho de 2016 às 04:14

    Bom dia! Cá julgo eu à exemplo da Rosário, de quando escrevi meu pequeno e insignificante livreto estimulara um senhor leitor e sua turma a caminhar em torno da capital do meu estado em busca de um tesouro, desde sempre aprendi ser arte comovente.

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  5. É quando a cadeia existe que a vida "pula e avança". Parabéns à Rosário e aos que inspirou.

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