Açores

Dizem que os Açores são um dos mais belos lugares do mundo – e eu desejo lá ir, claro, mas ainda não se me apresentou a oportunidade. Enquanto estou com água na boca, entretenho-me, pois, a ler os Açores pela mão de quem os conhece bem– e, recentemente, saíram quase ao mesmo tempo três livros (dois não são novos, mas têm a cara lavada) dedicados a estas ilhas de sonho: dois deles são de açorianos, o terceiro de um escritor italiano que se apaixonou pelo arquipélago. Mas nenhum deles é um guia turístico, pelo que podem esperar de todos essa maravilha que é a literatura. A Vida no Campo, de Joel Neto, reúne crónicas publicadas em vários jornais que se debruçam sobre zonas afastadas dos centros urbanos e reflectem memórias do autor que regressou à terra-natal, a par de curiosas observações; Açores – O Segredo das Ilhas, de João de Melo, é uma reedição de um texto inicialmente publicado em formato de álbum que resultou de duas viagens realizadas pelo escritor sem destino certo nem plano, nas quais ele foi ouvindo pessoas e histórias. Por último, A Mulher de Porto Pim, de Antonio Tabucchi, é um relato de uma viagem real e ficcionada aos Açores em busca de baleias e naufrágios. Todos estes três livros – como os Açores de que falam – são especialmente bonitos.


 

Comentários

  1. Engraçado, estou precisamente a ler o livro do Joel Neto e a gostar imenso de recordar a Ilha Terceira.
    Fui aos Açores em 1978 (nessa altura ninguém ia aos Açores) e escolhi-os pois foi a primeira vez que andei de avião e queria andar
    naqueles aviões pequenos da Sata.
    Só visitei a Terceira, o Faial, o Pico e S. Miguel e vim de lá "esmagada" com tanta beleza, uma beleza pura, selvagem, deslumbrante.
    Jurei a mim mesma que havia de lá voltar, mas afinal não foi possível.
    Tudo estará mais sofisticado agora, presumo, mas todos deveriam ter possibilidade de conhecer estas
    "Ilhas Desconhecidas", como as chamou Raul Brandão noutro livro imperdível.
    :-) Antonieta

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  2. Embora possa parecer um lugar comum, e não seja tão viajado como isso, a Ilha do Fayal foi o lugar onde me senti mais perto daquilo que se chama "paraíso"...

    Sei que podia lá viver para todo o sempre, apesar da terra gostar de abanar, e às vezes de uma forma assustadora...

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    1. Eu senti o mesmo em S. Miguel, no Nordeste, e sempre que lá voltei. E, neste caso, não há livro que se compare com o natural.

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  3. António Luiz Pacheco14 de julho de 2016 às 02:40

    Sou um entusiasta dos Açores...
    Conheço as ilhas todas, excepto Santa Maria, onde porém tenho amigos e um acérrimo leitor!
    Estive lá 3 meses a pescar, em 1976 e depois voltei todos os anos por uns bons 20 anos, até começar as epopeias africanas aliás estas ainda entremearam com alguma ida aos Açores.
    A Ilha Terceira e S. Jorge eram os meus poisos habituais, conheci e passei um tarde a ouvir Victorino Nemésio, nos Biscoitos em casa de amigos comuns - foi um marco grande acreditem! E como ele se interessou por um miúdo de 21 anos que viajava de propósito para sítios remotos como eram na época as Fajãs, para fazer pesca submarina, fez-me perguntas e conversámos sobre esta motivação, ele que era um pescador submarino de almas e de ideias!
    Fui fazendo amigos pelas ilhas e percorrendo-as depois, incluindo as Flores da minha amiga poetisa e escritora Gabriela.
    Mantenho ali amigos, alguns continentais que para lá foram estudar e se instalaram, hoje com bonitas vidas académicas como o meu grande amigo João Pedro Barreiros, investigador marinho, ilustrador científico e pintor, ou o epicurista Pedro Manaças, tudo malta da pesca submarina.
    O meu compadre Zé Manel, companheiro de pesca vai para 40 anos e que hoje está comigo aqui em Benguela, militar de profissão esteve colocado nos Açores (a seu pedido) por 5 anos, na Terceira, foi uma época em que chegava a ir lá passar o fim de semana!
    A Aventura da Grande Pesca Submarina que preencheu e para que orientei uma grande parte da minha vida e levou a percorrer Mundo, três oceanos e diversos mares, iniciei-a nesse Abril de 1976 nos Açores!

    É um local mágico para mim, que encerra tantas e tão gratas recordações, também porque foi ali que morri por uma das 3 vezes que já passei para o outro lado, mas estava escrito que não era chegada a hora e felizmente tinha perto o Miguel Macara que deu pela minha falta e me recuperou lá no fundo, onde me apagara!

    Os Açores são algo de fantástico que impera conhecer, qualquer de nós não será completo sem conhecer todo o país, e os Açores então são absolutamente obrigatórios... vá Maria do Rosário, e se calhar ter lido sobre os Açores pela mão de quem os descreve tão bem como esses autores, vai reviver tanta coisa!

    Aconselho a leitura de "Arquipélago", justamente de Joel Neto.
    Não conheço ainda o livro dele que refere, a tal colectânea, mas não o vou perder! Aos outros conheço todos e creio que devo ter lido quase todos os autores que escreveram sobre os Açores, incluindo Tabuchi ou o arquitecto francês Eric Guerrier que no seu "Histoire de chasser sous la mer" também elege os Açores como um paraíso escondido a par das suas ilhas mediterrânicas.

    Deixo aqui o poema de uma bela canção:

    lhas de Bruma
    Autor: José Ferreira

    Ainda sinto os pés no terreiro
    Onde os meus avós bailavam o pezinho
    A bela Aurora e a Sapateia
    É que nas veias corre-me basalto negro
    E na lembrança vulcões e terramotos

    Por isso é que eu sou das ilhas de bruma
    Onde as gaivotas vão beijar a terra

    Se no olhar trago a dolência das ondas
    O olhar é a doçura das lagoas
    É que trago a ternura das hortênsias
    No coração a ardência das caldeiras.

    Por isso é que eu sou das ilhas de bruma
    Onde as gaivotas vão beijar a terra

    É que nas veias corre-me basalto negro
    No coração a ardência das caldeiras
    O mar imenso me enche a alma
    E tenho verde, tanto verde a indicar-me a esperança.

    Saudações brumosas de um dia de cacimbo, cá na Cidade Morena.

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  4. António Luiz Pacheco14 de julho de 2016 às 02:46

    https://www.youtube.com/watch?v=RpbeO-xcl5c

    Neste link podem deleitar-se com esta linda canção!
    Oiçam... o refrão até nos arrepia a espinha!!!!!

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  5. José Augusto Macedo do Couto14 de julho de 2016 às 08:26

    AÇORES. 9 ILHAS. NOVE CORES
    Quem sabe se, depois de visitar (se quiser) este meu Blogue
    https://acores9ilhasnovecores.blogspot.pt
    com pequenas apresentações minhas sobre as NOVE MAGNÍFICAS ILHAS DOS AÇORES, não lhe surgirá, finalmente, a oportunidade de lá ir... :-)

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  6. Este Açoriano pensa que está a perder muito em não visitar estas ilhas. Conheço algumas obras de João Melo, um grande escritor Micaelense que dá a conhecer a sua ilha de antigamente, mas esta obra é de outro género e não a li, mas seguramente dá a conhecer São Miguel.
    Nunca falei com Joel Neto, um Terceirense de gema que retrata muito bem a sua ilha, só li dele crónicas soltas e o seu blogue e o seu romance Arquipélago.
    Já Tabucchi descobriu a alma aqui do meu Faial e Pico na sua magnífica coletânea de contos desta mulher da baía mágica da cidade da Horta, o Porto Pim. Falta-lhe só um escritor das Flores para sentir os Açores de ponta a ponta, neste caso recomendava-lhe a poesia de Roberto Mesquita em Almas Cativas e depois é só visitar estas terras mas lembre-se, são 9 ilhas e nenhuma é semelhante à outra.

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  7. As ilhas mais bonitas do mundo! :)

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