À procura da luz

Todas as pessoas têm problemas e contrariedades, embora nem todas os aceitem e resolvam da mesma forma e com igual resiliência. Há, mesmo assim, quem tenha visto a sua vida de tal maneira virada do avesso numa determinada circunstância que, forte ou fraco, precise mesmo de tempo para voltar a pôr-se de pé. É o caso das três protagonistas de As Histórias Que não Se Contam, de Susana Piedade, romance que foi finalista do Prémio LeYa no ano passado e sai este mês para os escaparates. Ana, Isabel e Marta sofreram (e sofrem) o indizível, tanto mais que não puderam sequer preparar-se para o que lhes aconteceu; e, assim, o seu desgosto, aliado à culpa de não terem conseguido evitá-lo, faz com que pensem que contar as suas histórias não vale de nada, pois ninguém que não tenha passado pelo mesmo poderá compreendê-las inteiramente. Mas, lá está, o acaso acaba por juntá-las, e da partilha das suas dores vai ser possível fazer nascer dias novos para cada uma delas e sobretudo impedir que algumas histórias realmente dramáticas se repitam. Muito actual nos temas e com um estilo poético e cuidado, este livro fala da importância de conversar sobre as coisas para que nos possamos libertar da escuridão e seguir em frente.


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Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda20 de julho de 2016 às 01:56

    Partilhar a escuridão é partilhar o avesso da luz.
    Num qualquer ponto indefinido encontram-se...

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  2. António Luiz Pacheco20 de julho de 2016 às 02:49

    Lembro-me da conversa das velhas... "só eu é que sei...".
    O sofrimento, aquilo porque se passa é sempre algo de pessoal e se formos a ver dificilmente transmissível, discordo da idéia (lugar comum) de que só quem passou por algo igual pode dar valor. Não pode! Cada um tem formas diferentes de encarar ou enfrentar as adversidades e o sofrimento...

    Isso não nos impede que compreendamos e sejamos solidários para quem sofre... para alguns partir uma unha pode ser um drama, enquanto que outros apeitam verdadeiras catástrofes. O povo português tem uma grande e reconhecida capacidade de sofrimento, de se reerguer.

    A minha avó Maria Cecília dizia: "Que Deus não nos dê aquilo com que podemos, pois podemos muito!" . E é bem verdade.

    Saudações de uma crise de malária com 39,3 de febre e dores no corpo - é uma forma de sofrimento - cá da Cidade Morena!

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  3. Gosto de ver esta gente que começa. É um prazer renovado saber que as histórias não acabam e há sempre quem pegue no fio de Ariadne

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  4. - Gosto de histórias de mulheres, sobretudo as que não se contam!
    Por isso, este livro vai directamente para o caderninho.
    A tónica não é no sentido do inconfessável, mas não tem sido elas afinal, as mulheres, as guardiãs de histórias incomensuráveis.
    Ao longo dos tempos, ás vezes de gerações para gerações?
    E que bela metáfora, a da luz e da escuridão que nalgum ponto se cruzam.
    Mais o fio de Ariadne, invisível, algures a prometer uma resolução deste estranho enigma que é viver.
    Bravo Beatriz, Bravo Emílio!

    E para si caro,Pacheco rápidas melhoras:)
    Olhe que eu respondi à sua pergunta, sobre o livro do Zafón. Mas com desfasamento horário e cansaço á mistura, esqueci-me de escrever que também se encontra nessa história ecos da guerra civil espanhola ( que afinal foi ontem).
    Para além do mais , conta a espuma da lenda que há uma livraria em Lisboa que deve o nome a este livro. Chama-se o "Pó dos livros".
    E para animar, porque está doente já leu o "Segredo da ilha do pavão" do Ubaldo Ribeiro?
    Tenha só cuidado onde o lê, eu ia lendo nos transportes públicos e tive uns épicos ataques de riso.
    Li também há pouco um policial do Nic Pizollato (o autor da série True Detective), " Galveston", que recomendo.
    Saudações
    Puck
    P.S. Há quem diga que o único animal que deve ter pouca liberdade, é o mosquito.

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    Respostas
    1. António Luiz Pacheco20 de julho de 2016 às 13:34

      Já li a Ilha do Pavão , sim senhor!!!
      De facto há literatura imprópria para lugares públicos, por exemplo o Tom Sharpe provocou-me alguns embaraços e engasgadelas!

      Saudações palúdicas cá da Cidade Morena.

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