Pai a tempo inteiro

Mais dia menos dia, estará disponível no mercado um livro delicioso (não me fica bem dizê-lo, porque fui a editora, mas, pronto, não resisti): trata-se de Olhando por Mr. Bergman, de João Rebocho Pais, e não é, como os anteriores do autor, uma ficção, mas a mais poderosa e irresistível realidade. João Rebocho Pais teve, no ano passado, o seu terceiro filho rapaz, Filipe Bergman Pais, o Mr. Bergman de que este livro fala. E, como a mãe do bebé é investigadora e bolseira, não podia deixar o trabalho a meio no laboratório onde trabalha nem ficar em licença de maternidade tanto tempo como seria desejável. Vai daí, o pai, que trabalha há mais de trinta anos na TAP, pediu uma licença e tomou a decisão de a substituir, permanecendo a tempo inteiro em casa com o filho durante os primeiros seis meses. E são os relatos dessa vida a dois que aqui nos são oferecidos – incluindo as chuchas desaparecidas, os passeios, os espirros de papa, os sonos desencontrados, a terrível ida para a creche, os puns de pai e filho numa sinfonia que tem uma inegável cumplicidade e serve ao autor igualmente para rememorar os momentos semelhantes que viveu com os outros dois filhos. Divertidíssimo, cheio de ternura, Olhando por Mr. Bergman é uma homenagem à paternidade que mostra como, em matéria de família, os tempos estão mesmo a mudar. E para melhor, diria eu.


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Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda7 de junho de 2016 às 01:41

    Para quem considera a filha a melhor obra, todo o testemunho em torno do sentimento de paternidade é emocionante. Um livro dos novos tempos que deve ser lido por pais de todos os tempos. Não se aprende a sentir (ou talvez se aprenda), mas aprende-se seguramente a agir.

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  2. António Luiz Pacheco7 de junho de 2016 às 02:18

    Gosto da escrita de João Rebocho Pais, e, do seu humor.
    É de certeza um livro "delicioso" como lhe chama... e numa época onde parecem algo esquecidos os sentimentos familiares, não podia ser mais a propósito...
    Nunca fui pai a tempo inteiro, nem nada que se pareça mas o meu filho teve uma idade em que pediu para viver com o pai... tinha 12 anos, e assim foi... até eu também achar que era melhor ir fazer o 12º noutras condições, e ele regressou à casa da mãe. Hoje tem 28, e continua a haver uma boa cumplicidade no tratá-lo por "palerma inútil" e ele referir-me como "velho pai". Vou ler e gostar, certamente!

    Saudações paternalistas cá da Cidade Morena e um abraço especial ao João Rebocho Pais que se revela um homem de grande sensibilidade e creio que carácter - pelo menos isso transpira daquilo que escreve!

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  3. Cláudia da Silva Tomazi7 de junho de 2016 às 03:48

    Herói! Ser Pai de família é construir o simples, façanhas. João abraço.

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    Respostas
    1. António Luiz Pacheco7 de junho de 2016 às 05:02

      Bonita mensagem, Extraordinária e poética Cláudia!
      Uma especial saudação cá deste lado do Atlântico.

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  4. Fico tão feliz com este livro do João! E quando ele há uns tempos, generosamente, me mostrou a capa, fiquei em pulgas para o ler, pois a ternura e o amor que nascem da imagem foram certamente impostos no texto... E por isso tem de ser delicioso como diz a nossa anfitriã. E eu ando ansiosa que esse livrinho me chegue a casa!

    Um grande abraço ao João e aos extraordinários desta sala.
    Carla Pais

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  5. Obrigado Maria do Rosário pelo desafio que me fez para que prolongasse no tempo as crónicas que ia escrevendo. este é um livro de puro prazer pela escrita, pela descrição de momentos que sendo de todos são tão nossos e de cada um e uma. espero ter conseguido um registo de escrita que saiba prender-vos, que saiba fazer jus à paixão sem tamanho que sinto em ser pai.
    Obrigado pelas palavras d todos vós, e um abraço especial e sentido ao António Luiz Pacheco e à sua Cidade Morena. Algo de bom devo ter feito para lhe merecer tanta estima.

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  6. Que capa mais ternurenta com este beijinho à esquimó entre pai e filho.
    Adorei ler o "Dizem que Sebastião", que me fez viajar através de Lisboa e dos livros.
    Tenho a certeza que também vou gostar muito de ler este.
    :-) Antonieta

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  7. Não vou comentar o "post" mas aproveito para dizer que acabo de ler a entrevista que deu á revista LER. Parabéns por se expor um pouco na dupla qualidade de poetisa e editora dando-nos algumas dicas sobre os aspectos complexos da edição em Portugal, neste país pequenino e cheio de invejosos. Espantou-me quando diz que "teve de se habituar a ter acima de nós pessoas que não gostam de ler, que não percebem o que é um livro". Pergunto eu, o que é que estas pessoas estão a fazer numa editora tão importante? Como é que ascenderam a esses lugares cimeiros? Não deveriam estar noutro campo? Presumo eu que na francesa "Gallimard" não existirá tal tipo de gente. Em relação à pessoa que disse "Congresso de quê ?"a sua ignorância é quase atrevida. Esta gentinha ainda está na editora ou já foram espairecer para outras "pastagens"? Não poderão exercer represálias embora não cite nomes? Em relação aos poemas que não sabe se os irá publicar, digo-lhe que os deve publicar assim que tiver disponibilidade, focam temas actuais, o seu tempo é este, depois pode ser tarde demais...Não os guarde só para si, deite-os cá para fora, partilhe-os connosco que gostamos de ler e amamos os livros, ficamos-lhe muito gratos por isso.

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