O que ando a ler

Se estavam à espera de que vos impingisse hoje o quarto volume da tetralogia A Amiga Genial, de Elena Ferrante, desenganem-se: fiz um interregno para ler outras coisas, embora continue interessada nos destinos de Lenù e Lila, sobretudo porque o volume anterior acabou com um balão a estourar; mas há vida além da febre Ferrante e, já que estamos a falar de mulheres, virei-me para um livro sobre a sua condição – feminista, sim –, assinado por Rebecca Solnit, de quem já vos falei no Verão passado a propósito de um outro livro (Esta Distante Proximidade, mais suculento do que este que ando a ler). Chama-se As Coisas Que os Homens Me Explicam – e o título aponta para um certo paternalismo vagamente parvo com que o sexo masculino trata o feminino, especialmente quando dá explicações desnecessárias, como se a mulher fosse estúpida ou não fosse suposto saber determinadas coisas. Se a autora não falasse tanto de si própria e da sua obra, pondo-se não raro em bicos de pés, talvez eu apreciasse mais esta espécie de manifesto que nos assusta com as estatísticas (sabia, por exemplo, que a cada seis minutos uma mulher apresenta queixa por violação nos Estados Unidos?); mas espero mesmo assim reconciliar-me com a metade de livro que me falta ler, até porque, mesmo que não sejamos feministas militantes, há aqui muita informação indispensável para nos fazer pensar no real papel das mulheres neste tempo em que nos calhou viver.

Comentários

  1. Li-o há cerca de um mês e, apesar de não ser feminista militante, achei alguns ensaios bem interessantes. Destacaria dois:
    - A Avó-aranha
    - A Escuridão de Woolf, que me levou a reler o Rumo ao Farol e alguns livros da Sontag.
    Neste momento estou a acabar As Altas Montanhas de Portugal, do Yann Martel.
    :-) Antonieta

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  2. Não vem muito a propósito mas como este blogue é sobre livros aqui vai: Li hoje no El País que por ocasião da Feira do Livro de Madrid que decorre de 27 de Maio a 12 de Junho houve uma reunião de 4 importantes editoras europeias (Alianza, Gallimard, Laterza e Suhrkamp) para comemorar os 5o anos da Alianza e onde se debateu o futuro do livro. É sempre interessante saber o que pensam os editores sobre esta questão actual e eles dão algumas pistas.

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  3. Bom dia. Eis as leituras: Where Did Our Love Go? The Rise and Fall of the Motown Sound (1986), Up at The Villa/Paixão em Florença (1941), o primeiro livro que leio de W. Somerset Maugham (excelente) e uma biografia de Barbra Streisand. Continuo muito virado para a não-ficção. Li há pouco, e esse aconselho muito, Une Semaine en vacances (2012) de Christine Angot, ignorada em portugal. Bons leituras para todos.

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    1. Não sou nada Anónimo, como resolveu identificar-me o sistema. Sou o João Neves.

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    2. João Neves ? Não será John Snow ???

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  4. Elena Ferrante, História da Menina Perdida (A Amiga Genial, Vol 4)

    :)

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  5. António Luiz Pacheco1 de junho de 2016 às 04:33

    Ando a ler e a gostar um belo romance Açoriano, isso mesmo!
    Estava na lista e há uns 3 meses comecei a lê-lo... tenho demorado muito e ao contrário do costume pois leio rápido, porque pouco me tenho dedicado, mas outras razões se alevantam!

    Trata-se de Arquipélago, de Joel Neto, e sim o grande romance parece estar de volta às ilhas. Talvez por conhecer muito bem a Terceira onde passei largos períodos, conheço e consigo visualizar os lugares e as paisagens, a descrição... por outro lado sinto os cheiros e os sabores. Não sei até que ponto isto reforça o meu agrado e a ligação ao romance, mas considero-o muito bom! Porém, é preciso conhecer os terceirenses... e aconteceu justamente ter ido lá passar o mês de Agosto no ano do terramoto, alojado em casa dos meus amigos Monteiro Paes que improvisaram um acampamento e a D. Maria Helena conseguia mesmo assim cozinhar magníficamente como sempre.

    Grande romance!

    Saudações evocativas cá da Cidade Morena... hoje é dia da criança e a cidade está em festa, os meus jovens vizinhos tocam apitos e cornetas e riem muito como é costume! Estas crianças são alegres por natureza.

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  6. Muito, muito pobre de leituras este mês, apesar de me ter chegado uma dúzia de livros novinhos para ler. Mas isto de obras e mudanças não casa com sossego e silêncio para ler, por isso, li apenas De Profundis, Valsa Lenta de Cardoso Pires.
    O que me contenta é que julho será mês de férias e livros não faltarão, no entanto confesso que me afligem imenso os caixotes fechados.

    Um abraço e boas leituras.
    Carla Pais

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  7. Cláudia da Silva Tomazi1 de junho de 2016 às 04:51

    "No Place to Hide" de Glenn Greenwald ed.Sextante.

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  8. Depois da maior desilusão dos últimos tempos (depois de ler e ouvir-um dos melhores livros que que li; um grande livro e, nestes casos, os exageros do costumes...) pois efectivamente "Um pinguim na garagem" é uma estucha das antigas, um pastel que se transforma em pastilha elástica...mastiga-se, mastiga-se mas não passei da página setenta...

    Acabei de ler "BONECA DE LUXO" de Truman Capote - não será um grande livro, mas Truman Capote é um escritor virtuoso, genial, um grande, grande escritor, que consegue criar personagens fantásticas como a Holly , uma jovem provinciana que viaja para Nova Iorque em busca do estrelato e do luxo e que, porventura, seria igual a ele, Truman Capote, um espalhafatoso como uma tia, e o escritor mais genial da sua geração, segundo Norman Mailer (Capote)

    Quem não leu "A SANGUE FRIO" não deve perder.

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    1. Já li e reli várias vezes o "A Sangue Frio" considerado o primeiro romance de não-ficção e cuja feitura o filme Capote revela, tendo sido acompanhado pela amiga Harper Lee, recentemente falecida, autora do célebre "Não Matem a Cotovia" que deu um filme "Na Sombra e No Silêncio" em que o Gregory Peck ganhou um óscar pela interpretação do advogado Atticus Finch. Já agora recomendaria o filme baseado no livro com o mesmo título "In Cold Blood", salvo erro do Richard Brooks e que foi filmado nos locais do quádruplo crime Holcomb e Garden City e que segue literalmente a trama do livro.

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    2. "Não matem a cotovia" outro grande livro. Obrigado pela sugestão (do filme).

      Se gostou de "A SANGUE FRIO" gostará certamente de "SANGUE SÁBIO" da genial Flannery O'Connor e de "CANADÁ" de Richard Ford, já para não falar de "O CORAÇÃO É UM CAÇADOR SOLITÁRIO" de Carson McCullers e por aí fora...

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  9. Ando a Ler_45

    Pois cá continuo às ochas com as inquietações. É que não me largam. Pelo contrário, aumentam. Agora foi por causa de ter lido Michael Cunningham , “Dias Exemplares” (Ed. Gradiva, 2005).

    É constituído por três histórias, todas muito marcadas por palavras de Walt Whitman.
    1 - "Dentro da Máquina", nos finais do séc. XIX, quando começava a perceber-se que a mecanização do trabalho originava a alienação.
    2 - "A Cruzada das Crianças", nos primeiros anos do séc. XXI, o 11 Setembro ainda recente, porém já a ocorrerem em Nova Iorque fenómenos como os que são, actualmente, o pão nosso de cada dia em várias partes do mundo, como seja atentados suicidas cometidos por crianças manipuladas, e assim.
    3 - "Uma Espécie de Beleza", no próximo século, quando se refugiaram na Terra seres de outro planeta, que se ocupam de ir varrendo e mantendo as ruínas generalizadas de todas as cidades e mostrando-as aos turistas – isto quando os humanos viajam já pelo Universo à procura de um planeta onde possam refugiar-se.

    Extraordinário livro. Porém sombrio, profético, inquietante – mas, no meio disto tudo, encontram-se muitas páginas marcadas por um sentimento... talvez compaixão. Ou será resignação?...

    Veja-se isto, por exemplo, in "A Cruzada das Crianças" (p 219, 220):
    « – Olhe à sua volta – disse ela. – Vê felicidade? Vê alegria? Os americanos nunca foram tão prósperos, as pessoas nunca estiveram tão seguras. Nunca viveram tantos anos, em tão boa saúde, nunca, em toda a história. Para alguém que tenha vivido há cem anos, nem precisamos de recuar mais, este mundo seria o próprio Paraíso. Voamos. Os nossos dentes não apodrecem. Os nossos filhos não morrem repentinamente com uma febre. Não há estrume no leite. Temos todo o leite de que precisamos. A igreja não nos pode assar vivos devido a pequenas diferenças de opinião. Os anciãos não podem apedrejar-nos até à morte por adultério. Nunca perdemos as nossas colheitas. Podemos comer peixe cru no meio do deserto, se assim o desejarmos. Mas olhem para nós. Somos tão obesos que precisamos de lotes maiores nos cemitérios. Os nossos filhos de dez anos andam a consumir heroína, ou a matar crianças de oito anos, ou ambas as coisas. Divorciamo-nos mais depressa do que nos casamos. Tudo o que comemos tem de ser selado, caso contrário alguém poderia envenenar a comida, e, à falta de veneno, usaria alfinetes. Um décimo de nós está na cadeia e não temos tempo suficiente para construirmos todas as cadeias de que precisamos. Bombardeamos outros países simplesmente porque nos põem nervosos, e a maioria de nós é não apenas incapaz de indicar esses países no mapa, como nem sequer sabe dizer em que continente ficam. Vestígios dos retardadores de combustão que usamos nos estofos e nos tapetes começaram a surgir no leite materno. Por isso, diga-me, acha que isto está a funcionar? Acha que devemos continuar por este caminho?
    – Pois, pois, mas não há nada como um belo Big Mac – disse o Corpulento. Limpou uma unha com a unha do polegar oposto.»

    E então? – pergunto também eu. Vemos felicidade? Vemos alegria?

    Quanto àquilo da resignação, para a contrariar o melhor será talvez ir alimentando a esperança.
    P. ex lendo Tony Judt - “Um Tratado Sobre os Nossos Actuais Descontentamentos”, de que falei aqui na vez passada.
    Ou então ler aqui a entrevista de Christian Felber – http :/ observador.pt /especiais sera-possivel-transformar-capitalismo /

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    1. Isso é muito bonito no nosso mundo ocidental. Experimentem fazer uma digressão pelos terrenos do DAESH e logo vêem o que lhes acontece...

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    2. Não percebi, Albertino.
      Talvez eu tenha cometido algum lapso, mas não vejo que, no meu texto e no de M. Cunningham , se possa deduzir que “isto é muito bonito no nosso mundo ocidental”.
      Vemos felicidade?, vemos alegria no nosso mundo ocidental?
      Parece-me que vemos cada vez menos. E que, se não nos pomos a pau, a resignação leva-nos a, aos pouquinhos, irmos dando espaço aos extremismos e avançando irreversivelmente para esse tal inferno a cuja amostra o Albertino nos sugere que façamos uma digressão.
      Se não combatermos a resignação, se não alimentarmos a esperança, mais dia menos dia estaremos a embarcar em naves espaciais à procura de um planeta que nos acolha como refugiados.

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  10. No comentário acima esqueci-me de mencionar o que ando a ler, então aí vai:" O Judeu" do Camilo Castelo Branco," Príncipes de Portugal-Suas Grandezas e Misérias" do Aquilino Ribeiro, "Ouro e Cinza", crónicas do falecido Paulo Varela Gomes e "Crónicas Quase Marcianas" do Eduardo Lourenço. Acabei há pouco o "Montaigne" do Stefan Zweig.

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  11. Li três livros nas últimas semanas.

    Uma biografia: "Vitor Damas, a Baliza de Prata" de José do Carmo Francisco (um autêntico livro de bolso pelas suas dimensões, bom de ler para quem gosta de futebol).

    Uma espécie de diário: "Nos Mares do Fim do Mundo", de Bernardo Santareno, que relata a sua experiência visual como médico nas aventuras pesca do bacalhau.

    Uma novela: "Um Homem Século XX", de João Paulo Freire, demasiado moralista (escrita em 1942, e ainda "virgem", o prazer que tive em abrir as suas páginas, à medida que ia avançando na leitura...)

    Estes dois últimos livros tinham capas muito bem conseguidas.

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  12. Parabéns aos aplicados leitores deste blogue. Não me tem apetecido ler. Nem escrever. Embasbaquei para lá do meio do primeiro volume de Em busca do tempo perdido e nem comecei o livro de Rosa Montero que trouxe da biblioteca para experimentar. Mas Proust deixa-me de queixo caído. Quando me passe o pasmo literário volto a encarreirar. Que a vida não se faz toda de livros. Há outras coisas a acenar. Ou empurrar. Ou.
    Continuação de boas leituras.

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    1. Quando engasgamos numa pastilha (elástica) fica-nos cá uma preguiça para a leitura...aconteceu-me ainda muito recentemente com "UM PINGUIM NA GARAGEM"...é cá uma desmotivação...

      É como aquele programa de TV (às terças-feiras no canal 2) "AQUI LITERATURA" - quem não gostar de livros e ver aquele pastel fica imediatamente vacinado...e melhor que o Valdispert...

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  13. Também não sou feminista militante, contudo milito todos os dias nesta causa!
    E a propósito de livros, um livro delicioso, de se comer. " A viagem dos cem passos" ( há o filme, mas o livro é muito melhor), de Richard C. Morais.
    "A minha vida na cozinha, em suma, começa com a grande fome do meu avô."
    E foi aqui que a história me agarrou.
    Saboreia-se, são sugeridos aromas que nos levam a viajar para tão longe como os mercados de Bombaim ou para tão perto como a minha cozinha, onde invento á pressa uma tosta de queijo com oregãos e mostarda.
    Também gostei muito de " A civilização do espetáculo" do Vargas Llosa.
    E o melhor de tudo é que há para aí mais de um milhão de livros bons, que não conheço e vou conhecer graças a vocês todos.
    Bem Hajam Extraordinários.

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  14. 'Não se pode morar nos olhos de um gato' da Ana Margarida de Carvalho. Que grande, mas duro, desculpem-me, que nem cornos, livro.

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