Autógrafos

Agora, que a Feira do Livro de Lisboa está a terminar, os autores já podem descansar das longas estopadas à sombra dos jacarandás à espera de que alguém compre os seus livros e lhes venha pedir um autógrafo. Claro que os mais famosos têm filas de interessados – Lobo Antunes, Gonçalo Tavares, José Luís Peixoto ou Mia Couto, por exemplo, raramente ficam sem clientes; mas muitos outros escritores passam uma tarde inteira na feira e assinam um ou dois exemplares, o que é muito chato. Por vezes, passam leitores que gostam deles e fazem comentários muito positivos sobre a sua obra, mas esses normalmente já a leram e, por isso, não contribuem para o número dos que compram e querem dedicatória. O Observador trouxe recentemente um divertido artigo sobre «incidentes» durante as sessões de autógrafos na Feira do Livro de Lisboa, inquirindo alguns escritores que ali vão há muitos anos. Alice Vieira contou então que um dia lhe apareceu de repente uma mulher pedindo que lhe ficasse com a cesta de tremoços porque tinha mesmo de ir à casa de banho. A escritora não se fez rogada: não só tomou conta da cesta como vendeu três pacotes a quem quis e fez contas no regresso da vendedeira, que acabou por oferecer-lhe um pacote também a ela como paga. Histórias com graça para a história dos escritores.

Comentários

  1. Já fui ler o artigo do Observador e é mesmo divertido, conta alguns "incidentes" bem engraçados.
    Fartei-me de rir com o da Cristina Carvalho a oferecer bolos e licor num dia chuvoso, ou o daquele senhor que ficou sentadinho a ler o livro da Ana Saragoça durante 45 minutos, depois sorriu e foi-se embora sem o comprar.
    E o do parteiro do João Tordo é mesmo ternurento.
    Vale a pena ir espreitar.
    :-) Antonieta

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  2. Há dois anos, se não estou em erro, fui ter com um escritor que adoro ao salão do livro em Paris. Laurent Gaude tinha uma fila interminável de gente à espera de autógrafos, quando chegou a minha vez, coloquei-lhe a obra toda traduzida em português para ele assinar. Primeira reacção: mostrar a toda a equipa do stand as maravilhosas capas das traduções.
    Normalmente, quando vou ter com escritores à caça de autógrafos (e porque tenho uma pancada terrível por livros assinados) é sinal de que já lhes li a obra e quero conversar com eles sobre os livros que escreveram, assim, numa conversa tranquila e sem filas de espera...
    O ano passado fui convidada a ler um poema no salão do livro do Luxemburgo e assim que soube que lá estaria o Valter Hugo Mãe não me fiz de rogado e carreguei comigo toda a sua obra para ele assinar!
    Já me aconteceu ir de férias a Portugal e andar a chatear escritores para me assinarem livros. Bem, uma chata está leitora, é o que é!
    Um abraço aos extraordinários desta sala.

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  3. Cláudia da Silva Tomazi8 de junho de 2016 às 04:43

    Bom dia! Fui espreitar a leitura sugerida o Observador, recebo-o em email . É possível perceber o quão bem quisto mundo literário, apascenta leitores. Entendo e entendemos que estímulo positivo faz diferença em qualquer informativo cultural (artigos aqui e acolá) necessários à descreverem tais circunstâncias quer: inclusiva, sociável ou humana. É comum, ressaltarem bons exemplos com alguma pitada provocativa, especificamente este em causa contempla a potência em ser escritor presente a feira de livros de Lisboa. Claro, este distinto senhor ao assinar o artigo se lhe deixa algum ferrão, desata tal amargor em prol o riso miúdo a vida alheia a falta de companheirismo e desapiedadamente lhe falta amor próprio. Ingredientes sem os quais torna azeda qualquer tentativa de comunicar algum afecto , alguma ternura e até aceitar que outros, outras saibam-se queridos.

    Escritores, autores são seara e princípio, conquistas e sapiência.
    Escritores, autores são fronteiras onde terminam um país e inicia-se pluralidade universal, a linguagem, as letras, as leis o testemunho do conhecimento. Exactamente porque está ciência mistura tempos reais e imaginários, torna o paradoxo palavra.

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  4. Um dia destes numa sessão de apresentação de um livro fui comprar um exemplar e enquanto a funcionária não chegava com o meu troco dei por mim a vendê-los. Resumindo: ela escusava de ter ido tão longe, eu já tinha troco até para mim:). Ainda não tinha descoberto que sou tão eficiente e tenho mesmo ar de vender coisas. É que ninguém me perguntou, começou toda a gente a pedir-me livros e a pagar-me sem mais.

    Hummm...não vou aqui contar os meus equívocos com as assinaturas de autor. Porque sou sempre eu a meter o pé na argola, não eles. Mas é verdade que certa vez e em dia acalorado, encontrei Inês Pedrosa mexendo um café sentadinha a uma mesa redonda e escassa, mal sombreada por um guarda sol claro. Tinha levado dois livros para ela assinar o que fez num desfastio, a desviar sem cerimónias chávena e pires enquanto conversava com uma senhora que, quem sabe, pertencia à editora. Por eu ser talvez a primeira e haver no ar um calorão. Fiquei com sincera pena dos pés dela. Metidos nuns sapatos altíssimos, mesmo ao fundo das pernas cruzadas e displicentes, desgostavam por debaixo da mesa. Mas tinham um moreno de arrasar. Isso sim.

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  5. Detesto estas anomalias de ser anónima:). Mau Maria...

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  6. Certamente alguns autores já aproveitaram essas histórias curiosas como matéria prima para a sua ficção.

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  7. Penso que a maior chance dos autores terem público para autógrafos será o fim de semana. Num dia de semana passei pela Feira e deparo-me com um senhor solitário para autografar o livro de viagens "Portugalmente- Peregrinação da Lapa a Riba-Côa"com texto do autor e fotografias de Duarte Belo.Como já tinha lido o livro aproveitei para conversar com o autor durante meia hora. Não faço ideia se teve durante o resto do dia, apesar dos anúncios que vão sendo feitos pelos altifalentes da Feira, o senhor autografou algum exemplar. Que me lembre só tenho um autógrafo do falecido Urbano Tavares Rodrigues no livro "As Aves da Madrugada" ainda a Feira era na Avenida da Liberdade. Tenho mais autógrafos de intérpretes de música clássica que passaram pela Aula Magna durante os concertos para estudantes nos anos 60 do séc. passado.

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