A decadência do Brasil
Independentemente de se gostar ou não de Dilma Roussef, o que se passou recentemente no Brasil foi escandaloso e patético, até porque recai em quem agora a substitui a mesmíssima suspeita de corrupção que a afastou da presidência. Mas este senhor Temer – não sei se concordam comigo – é muito pior do que a sua antecessora e já mostrou as suas inclinações antidemocráticas não só através de algumas nomeações (bispos de seitas religiosas e afins), mas sobretudo através do retrocesso que significa a extinção de alguns ministérios (das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos e, claro, da Cultura – que só recuperou porque percebeu que até em Cannes essa sua decisão estava a dar que falar), no desprezo total de categorias como género e raça, tão importantes no Brasil. A poetisa Ana Luísa Amaral, a este propósito, relembrou o texto em que a escritora e activista norte-americana Adrienne Rich explicava porque não podia aceitar a National Medal for the Arts que lhe fora atribuída. Deixo-o eu aqui também para vossa reflexão: «A arte é o nosso direito de nascença, o nosso mais poderoso meio de aceder à vida imaginativa e à experiência de nós próprios e dos outros. Porque redescobre e recupera continuamente a humanidade dos seres humanos, a arte é crucial para a visão democrática. Um governo, à medida que se vai afastando da democracia, verá como cada vez menos útil o encorajamento dos artistas, verá a arte como uma obscenidade ou uma fraude.» Tirem as vossas próprias conclusões.
A Política é a «arte» do necessário, do útil; a Arte, a «política» da transformação do útil em inefável... Ora, o inefável exige contemplação e a Política tem pressa.
ResponderEliminarHum... discordo totalmente!!!!!
ResponderEliminar"Um governo, à medida que se vai afastando da democracia, verá como cada vez menos útil o encorajamento dos artistas... " (sic)
A história diz-nos precisamente o contrário.
Exemplos? Dois, fáceis de lembrar e comprovar:
III Reich - usou a arte ou tentou usar, para a sua propaganda... Leni Riefsenthal (ou lá como se escreve) é um exemplo sobejamente conhecido e há mais...
URSS - usava a arte como forma de se promover e tentar assumir uma superioridade - ballet, música...
E procurando outros regimes totalitários, encontraremos essa tentativa.
Os regimes ditatoriais angariam artistas e usam-nos, está no manual do ditador!
A poetisa em questão recusou a medalha... pois, nos EUA, no fundo cuspindo no prato em que come e usando da liberdade de que goza e lhe está garantida nos EUA, mas não valoriza pois a agride. Experimentasse fazê-lo na Coreia do N, na Albânia, na antiga URSS, na China, no Chile dos generais, em Cuba, etc. .
Posso estar enganado, mas não me parece!
Curiosamente, a literatura não me parece ser tão utilizada para estes fins, talvez porque lhe falte o imediatismo do espectáculo, a visibilidade das artes de representação e musicais.
Estarei errado? Digo isto pois os escritores que conheço são quase sempre do "contra", raramente temos romancistas do regime, se bem que o Estado Novo p.e. tenha ido buscar Luiz Vaz de Camões para se glorificar... porém dos grandes autores da época, quais eram aqueles afectos ao regime?
Saudações artístico-libertárias cá da Cidade Morena!
Os estados totalitários - e não só - apenas se servem da arte para lhes embelezar a imagem, mas quando se trata de colocar a nu, de expor, as suas fragilidades, o que, mais do que qualquer outra a literatura é capaz de fazer, então, aqui d' El-rei!, calem-se os comentadores/ escritores e queimem-se as obras.
EliminarAbraços desta terra à beira Tejo plantada.
Tal e qual!
Eliminarconcordo consigo, mas é bom não esquecer que o senhor temer não apareceu vindo do nada. era o líder do pêémedêbê e foi eleito juntamente com a senhora roussef pelas listas conjuntas do pêtê como candidato a vice-presidente, ou seja, foi tão universalmente sufragado quanto ela. e a única conclusão que tiro é que os culpados por toda esta lamentável situação, se os há, apenas podem ser os que o ajudaram a ser eleito.
ResponderEliminarTenho sempre para mim que os políticos são o reflexo da nação que os sufraga. Por acções e/ou omissões... E estou perfeitamente convicto de que, cá e lá, os políticos apenas mudarão quando mudarem os alicerces, as sementes e a terra de onde saem. Tal como costumo dizer não se trata de alienígenas. São nados e criados à semelhança de quem, depois, os elege. Pode parecer provocatória, esta afirmação, mas é, em completa sinceridade, o que penso. Muitas vezes em pequenos actos e acções, sempre desvalorizados por parecerem insignificantes, seguimos os seus exemplos, levados a cabo, depois, em grandeza (sem grandeza alguma, é um facto); mas em arrojo. Enfim. O que quero dizer é que, tristemente, chega uma altura em que poucos se aproveitam de entre aqueles que fazem política e não creio que seja a Política a actividade mais suja... Discussão longa, esta... Cumprimentos para todos.
EliminarNão se me afigura correto afirmar que sobre Dilma e sobre Temer recai o mesmo tipo de suspeita. Dilma nunca foi suspeita ou acusada de corrupta. Temer sim. Parece-me que foi perpetrado um golpe dos corruptos sobre os que os que estavam a trabalhar para os identificar (operação Lava Jato). Os do PT que também se localizavam aí mudaram logo de trincheira. Já foi ouvido um neo-ministro dizer que estão ali para conter e anular os estragos provocados pela Lava Jato. Dilma é descendente de emigrantes mas búlgaros, não portugueses. Entre ela e a lusitanidade não deve haver afeto nem ligação (e vice-versa) daí esta relação tão frouxa.
ResponderEliminarConcordo, inclusive quando sugere a sua - dela - pouca paciência com portugueses. Está no seu direito. No entanto, descende deles pelo lado mãe, de apelido Coimbra da Silva. Uma chatice, ó Dilma! Apesar disso? Parece-me a melhor no meio da fantochada.
EliminarApesar disso parece-me a melhor no meio...
EliminarEmbora não haja até agora provas de corrupção contra Dilma o PT é um partido de corruptos veja-se o caso do mensalão e o seu principal arguido José Dirceu que está preso; o Lula não é flor que se cheire e a Dilma quando esteve na Petrobrás alguma coisa devia saber e deixou andar. Aliás a corrupção no Brasil é endémica, ela já vem de longe e começa logo no prefeitinho da província e segue até ao governador do estado e daí até ás altas esferas do Estado. Basta ler o Jorge Amado para se ter uma ideia do esquema ancestral. Como se compreende que a Petrobrás tenha uma lista de 200 personalidades de todos os partidos que recebiam avenças de acordo com o seu poder dentro da hierarquia partidária! As alternativas actuais neste caldeirão de Pero Botelho não se vislumbram. Coitado do Brasil, era considerado um dos BRICS, um dos emergentes, país do futuro dizia o Stefan Zweig e onde ele foi cair...Só me espanta o silêncio da hierarquia militar perante a degradação da imagem do Brasil . Agora até os procuradores pedem a prisão do ex presidente José Sarney! A realidade ultrapassou a ficção. Não há novela que resista. Esperemos os próximos desenvolvimentos.
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