A dama e os vagabundos
O nome Rotschild diz-lhe alguma coisa? Claro que sim. Uma família de judeus milionários que andam na Europa há muito multiplicando o seu dinheiro, gastando em arte e, em alguns casos, ajudando quem precisa filantropicamente. O livro de que hoje falarei – A Baronesa – pode enganar-vos pela capa (parece muito mais cor-de-rosa do que é) e foi escrito por uma Rotschild, Hannah, a directora da National Gallery e também escritora. Conta a história de Nica, a baronesa do título, sua tia-avó, excêntrica e corajosa num tempo em que as mulheres – especialmente as Rotschild – estavam guardadas para se tornarem apenas esposas perfeitas. Nica, depois de um casamento com um austríaco nascido em França, depois de trabalhar durante a Segunda Guerra Mundial ao lado dos homens, pilotando, inclusivamente, aviões, depois de ter cinco filhos, ouviu uma música de Thelonious Monk e virou do avesso a sua vida. Largou tudo, rumou aos Estados Unidos, procurou o génio do jazz e tornou-se sua protectora, tendo de lidar com o preconceito (uma branca rica de peles e pérolas conduzindo um Bentley descapotável com negros lá dentro não era muito bem aceite na altura), com a ameaça de cadeia (para não prejudicar a carreira de Monk, confessou que a droga encontrada pela polícia no seu carro era dela), com a solidão em que a deixaram depois de ajudar toda a gente, com a separação de alguns membros da família. A sobrinha-neta resgata-a neste livro altamente recomendável, que nos ensina muito sobre a família Rotschild, sobre a vida na Europa e nos EUA entre os anos 30 e os anos 80, sobre o mundo do jazz e a toxicodependência, sobre a coragem de Nica, uma grande mulher. Vale muito a pena!
De certeza que vale e não é por ser fã do piano de Thelonius Monk, mas pelo enquadramento que revela!
ResponderEliminarSaudações jazístisco-champanhísticas da Cidade Morena!
E porque os livros são como as cerejas, lembrei-me a propósito do nome Rothchild, de um livro que gostei muito de ler.
ResponderEliminar" A Riqueza e a Pobreza das Nações "(Landes, David S.), é um livro que nos faz pensar e há luz do hoje permite-nos múltiplas interpetações.
Também ele começa de uma forma brilhante, com uma historieta sobre a forma banal como morreu, um, dos provavelmente homens mais ricos do mundo da altura. De seu nome Nathan Rothschild. E segue por aí diante numa análise que não tem nada de pesada, onde alia pragmatismo, história e economia de uma forma brilhante.Não se consegue parar de ler( concorde-se ou não).
Quanto á "Baronesa" deve ser um bom livro para as férias " pas trop rose, pas trop gris "?
Saudações
Puck
...uma menina rica que se fartou da monotonia e invadiu outros campos. Também ricamente. Não há vidas fáceis, pelo visto.
ResponderEliminarGosto de livros que contém histórias reais de pessoas especiais. É o caso da Baronesa "Nica". Adorei o livro!
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