Vestir e despir
Recomenda a prudência não darmos confiança a quem não conhecemos, mas de vez em quando faço ouvidos de mercador e «amigo-me» no Facebook com algumas pessoas que me pedem amizade de forma delicada ou interessada. Há já um tempo que sou, por isso, amiga de um senhor chamado Marco Neves, que escreve amiúde sobre a língua portuguesa e é, de resto, autor de um livro chamado Doze Segredos da Língua Portuguesa, disponível desde finais de Abril (ainda não li). Foi talvez através de um dos seus links facebookianos (na verdade já não tenho a certeza) que fui dar a um blogue intitulado Certas Palavras (Línguas, Livros e Outras Viagens), que merece que os Extraordinários lhe prestem alguma atenção; e que pus os olhos num post especialmente giro – e, vá lá, algo polémico – que compara a língua portuguesa à roupa que vestimos, defendendo que é bom saber pôr uma gravata quando é preciso, claro, mas que por casa se anda melhor de pijaminha. Assim, deixo-vos hoje exactamente a ligação para esse texto leve mas profundo e espero que a partir de agora possam ir ao blogue de Marco Neves como vêm ao meu.
http://www.certaspalavras.net/lingua-portuguesa-roupa-vestimos/
Lido. Interessante reflexão. Até a mim me fez bem lê-la. E subscrevi o blogue. Até ver. Até ler. Obrigado pela indicação.
ResponderEliminarA comparação é a meu ver, muito bem sucedida!
ResponderEliminarAssim mesmo...
Não tenho nada contra haver diversos linguajares: gírias, calão, jargão, popular, erudito, académico, literário, científico... o que queiram!
Menos ainda tenho contra o facto consumadíssimo e óbvio de que uma língua viva como a nossa, falada em 4 continentes, conheça formas e estilos, a tal gíria, etc. que a enriquecem e fazem dela o que é: uma língua viva e riquíssima!
O que tenho contra, é que se pretenda impor um modelo único - impossível de observar e cumprir - baseado não na língua-mãe que é a nossa e deriva em grande parte do latim (convém não esquecer), mas sim numa das formas que assumiu noutras paragens, e concretamente no Brazil. Os brazileiros podem ser muito mais, escrever muito mais, mas a língua que falam é um português derivado das misturas e alterações que eles mesmo lhes fizeram, não sendo por isso a língua-mãe e nem tendo outra justificação do que alguns académicos quererem mostrar que são evoluídos e sem pruridos, e as editoras sonharem com o mercado brasileiro onde jamais penetrarão... digo eu, correndo o risco de estar a asnear!
E sim, sem dúvida, a língua, o discurso tem de ser adaptado a quem se dirige e à envolvente. Tal como a roupa... É que corremos o risco de não ser entendidos se falarmos ao aprendiz como se falássemos ao mestre... se falarmos ao camponês como se falássemos ao doutor e vice-versa!
Nisso ainda reside uma imensa riqueza da nossa língua, que a meu ver a engrandece,, se bem que a possa tornar difícil de aprender... mas isso não é razão para a prostituirmos e empobrecermos desprezando a herança cultural obtida ao longo de séculos!
Saudações luso-galaico e latinas cá da Cidade Morena!
Fiquem bem! Diz-se por aqui à despedida, o que é mais bonito, simpático e amistoso do que o "adeus"!
E, estamos juntos, que também prefiro ao "até depois".
Sou favorável ao da língua com liberdade. Gosto de Mia Couto, de bué, de coche (não me refiro ao velho instrumento de transporte). Não gosto de fizestes, de prontos.
ResponderEliminarSou pela liberdade da língua mas pela observância de regras de escrita. Concordo, portanto, com o NAO. Também não sou contra o uso de siglas e acrónimos. Bom fds, portanto.
Muito obrigada pela sugestão. Fui visitar, deixei um comment e logo se vê. Nada como esperar para saber se vale a pena, porque o que vale para uns não vale para outros. E um post não diz quase nada ainda que possa agradar-nos.
ResponderEliminarJá agora, uma pequena nota para a editora que o publicou: a Guerra & Paz.
ResponderEliminarEu não li este livro que a MRP referiu.
Aconselho, no entanto, um outro que certamente está escrito num registo diferente, de nome: «Em Português se faz favor». O autor é o Hélder Guégués, revisor da editora Guerra & Paz e autor do blog Linguagista.
http://linguagista.blogs.sapo.pt/