Self-Service
No jardim da Quinta das Conchas, em Lisboa, há uma mini-biblioteca, em forma de casinha de madeira, à espera de quem passe e queira ler qualquer coisa. Foi construída por Joaquim Sequeira, médico, que por lá passa todos os dias para ver se está tudo em ordem e diz que «qualquer pessoa pode abrir a porta e escolher um livro para ler. Não há registos nem prazos de leitura.» A caixa de madeira, com um pequeno telhado e duas portas de vidro, contém livros para todas as faixas etárias, replicando um modelo que apareceu nos Estados Unidos e ficou conhecido por Little Free Library (pequena biblioteca livre ou gratuita?). Em todo mundo já existem cerca de 36 000 bibliotecas como esta, e em Portugal estão referenciadas três: em Angra do Heroísmo, no Porto e a de Joaquim Sequeira, em Lisboa, à qual ele foi doando cerca de 800 títulos da sua biblioteca pessoal (a ideia era os livros serem devolvidos pelos leitores que os levavam, mas isso não tem acontecido). Junto dos livros, há também um caderno onde os leitores podem deixar mensagens, opiniões e até fazer pedidos. Quando perguntam ao médico o que o leva a construir um projecto assim, ele responde que é um bom hobby, que, de vez em quando, se sente uma espécie de D. Quixote. «Talvez as pessoas não imaginem, mas dar um livro e ver alguém satisfeito por ter um livro é uma coisa que nos derrete, e contra isso não há argumentos», explica.
Argumentos para quê, quando está dito tudo quanto haveria a dizer-se a propósito?
ResponderEliminarTem razão... pena é, haver quem pelos vistos aproveite para se locupletar dos livros dele, que todavia não desanima.
EliminarEu nisso sou muito avaro... como já disse, pura e simplesmente não empresto livros!
Saudações egoístas cá da Cidade Morena!
Bom dia, Caro Amigo.
EliminarTambém sou muito cioso dos meus livros. Não gosto muito de os emprestar... Por isso considero estas iniciativas, altruístas, muito louváveis. Roubem, mas leiam-nos! - é o que se pode dizer. Um abraço desta terra à beira Tejo plantada.
Se os der...está desculpado.
EliminarOlá a todos .. Os livros são todos doados ..por isso nunca pode haver roubos :) Levar livros para vender é ali impossivel (carimbos/etiquetas) , grande parte deles são escolhidos por contacto pessoal ou no facebook e a gestão da estante dificulta esses truques que referem. No Natal enchi a "casa dos 7 anões" de chocolates e pedi para levarem um livro e um chocolate. Adivinhem o que aconteceu.. foram os chocolates e ficaram os livros ...
Eliminarcaro Joaquim: sou repórter de um jornal on line sobre Lisboa. Gostaria de combinar consigo uma reportagem. Parabéns pela iniciativa.
EliminarPode ligar me? ou mandar me um e mail?
966398847 ou rui.lagartinho@outlook.com
Conheci muito recentemente o Jardim das Conchas, se lá tivesse passado no Natal, também teria levados os chocolates.... e os livros! :)
EliminarGosto muito de ambos.
Felicidades para o seu projecto.
Agradeço. Estes pequenos "doces" e iniciativas de convívio fazem parte deste projecto de estímulo à leitura. Parece pouco..mas acreditamos que resulta. Há uma tradição natalícia na Islândia que junta um livro e um chocolate . Quem sabe esta ideia se tornará um dia uma tradição :)
EliminarAdorei este post! E percebo perfeitamente o senhor Joaquim Sequeira, também sou dos que adoram emprestar livros, em especial aqueles de que gostei muito. Poucas coisas recompensam mais do que um "foi graças a ti que descobri o(a) autor(a) x"
ResponderEliminarRui Miguel Almeida
É um sentimento especial... quando alguem abre a porta, ve um livro e diz "yes" .. a gente derrete-se :)
EliminarÉ uma boa ideia, pena nem sempre alcançar os seus objectivos, por sermos no mínimo um povo estranho.
ResponderEliminarNão me esqueço do que aconteceu com o "bookcrossing" num café na minha Cidade onde se fazia cultura, em os livros iam desaparecendo quase sempre sem rasto (nem o autocolante que enchia a capa desmobilizava os "guardadores de livros", que não tinham percebido que os livros eram colocados ali para os leitores, para lerem e partilharem e não para outros fins...
Claro que não vou culpar o Salazar por isto. :)
É verdade... isso aconteceu mesmo ( eu sei que sou tb bookcrosser ). Mas esta iniciativa aprendeu com esses erros e pode crer que esse fenomeno é muito raro.. Mas explicar como o faço demoraria algum tempo. Venha visitar-nos e vai ver ...
EliminarAinda bem, Joaquim. :)
EliminarForça.
Se lhe deita mão lavra terra! Generosidade a serenidade.
ResponderEliminarGosto do jardim-parque da Quinta das Conchas, mas quando por lá passei não vi essa tal biblioteca...vou voltar para confirmar e, quem sabe, ler alguma coisa. Não me parece bem que as pessoas fiquem com os livros...impedem outros de lê-los e depauperam o stoque.
ResponderEliminarEsse médico tem, desde já, a minha grata admiração.
Enquanto houver casos como este e outros de que tomamos conhecimento aqui no blogue, em que as pessoas se dedicam assim ao livro e à leitura, então essa atividade nunca morrerá.
ResponderEliminarAgradeço este artigo e desde já refiro que me delicio com a poesia de Maria do Rosário Pedreira. Esta iniciativa é diferente de outras similares de troca gratuita de livros : centra-se também no convivio no seio da comunidade de leitores, tentando que se conheçam e partilhem ideias e amizades :) Existe um livro de visitas no seu interior ( todos escrevem o que lhes apetece..o que desejam ler, o livro que levam), há uma pagina de facebook para aqueles que usam a biblioteca , promovo pequenas iniciativas temáticas com alegria e um pouco de festa onde no meio de trocas de livros convivemos...e as vendas de livros estao praticamente excluidas. faço um esforço para levar os livros a quem realmente os deseja ler.. Tem sido uma experiencia gira. No proximo dia 21 temos uma iniciativa infanto-juvenil pequenina mas alegre onde ja particpa a escritora Manuela Ribeiro. Se não parecesse atrevimento desafiava Maria R. Pedreira e a todos vós a passarem por lá:) Obrigado.
ResponderEliminarVou tentar, prometo!
EliminarTodas as iniciativas que envolvam a difusão do livro gratuitas ou não são bem vindas, já que Portugal deve ser dos países onde se lê menos, é a minha percepção, mas gostava de ver as estatísticas. Dizia há dias na RTP 2 o director da Porto Editora que o incentivo á leitura nas camadas mais jovens tem corrido bem mas, quando se avança na idade, perdem o interesse pela leitura porque outras tecnologias se intrometem (computador, smartphones, tablets, etc.) e eu tenho um exemplo em casa com os meus dois filhos. Mas não desesperemos ;já dizia Michel de Montaigne que "Os livros são o viático (provisão para o caminho) que nos deverão acompanhar para toda a vida" e eu acrescentaria a música (Bach, Tchaikovski, Rachmaninof, Jobim) o cinema (John Ford, King Vidor, Visconti), a pintura (Caravaggio, Ruisdael, Cézanne) a escultura(Vitória de Samotrácia, David, Bernini) só para citar alguns dos meus favoritos.
ResponderEliminarPrecisamos mais destas iniciativas...
ResponderEliminarÉ uma excelente iniciativa, sem qualquer dúvida! =)
ResponderEliminarBeijinhos
È de louvar a iniciativa , um Livro só tem Valor sendo Lido.
ResponderEliminarEm Setúbal também aconteceu uma iniciativa parecida, que teve que parar por falta de fundos, vejam http://www.mun-setubal.pt/pt/noticia/livros-trocam-de-maos/2456
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