E vão 86!
Comecei a frequentar a Feira do Livro de Lisboa ainda ela tinha lugar nos passeios centrais da Avenida da Liberdade; e, desde que trabalho na edição, ou seja, desde 1987, não falhei um ano de feira. Primeiro, porque trabalhei dentro da barraquinha a vender livros (era um bom complemento de ordenado na altura, asseguro-vos) e aprendi, aliás, muito sobre os leitores e os seus vícios com essa experiência. Depois, porque passei a ter muitos autores portugueses no catálogo e, por isso, a acompanhá-los nas sessões de autógrafos. Ora, começa amanhã mais uma «Via-Sacra» (eu gosto, mas são três fins de semana e três feriados a trabalhar), que é – ao mesmo tempo – a 86ª Feira do Livro de Lisboa, aberta até dia 13 de Junho. A programação é variada, com actividades dirigidas às crianças, música, debates, lançamentos e muito mais, mas o que interessa mesmo é que, no Parque Eduardo VII, estarão pavilhões de quase todas as editoras portuguesas (mesmo as pequenas estarão representadas num stand colectivo, como é costume) e, como tal, vai ser possível meter o nariz em tudo o que é livro e, como sempre, comprar com desconto. Ideal, diria eu, para os Extraordinários. Vamos lá?
Errata: Ontem, publiquei aqui um post a anunciar uma novidade, mas afinal tinha caruncho, ou seja, baseava-se numa notícia de 2010; pior do que isso, a informação não estava correcta, como me fizeram saber várias pessoas em comentário. O apoio para a digitalização da biblioteca de Pessoa foi conseguido por Inês Pedrosa, quando era directora da Casa Fernando Pessoa, e não por quem mencionei. Peço-lhe, pois, desculpa, e também, claro, aos leitores deste blogue. A minha fonte foi, ao contrário do que me lembrava (mas confirmei ao chegar a casa), um post deste ano de um blogue brasileiro chamado Colunas Tortas; mencionava de facto 2010 (eu estava desatenta, confesso), mas, ao anunciar a digitalização da biblioteca online, dizia: "Esta iniciativa reuniu uma equipa de investigadores, incluindo Jerónimo Pizarro, e o apoio da Fundação Vodafone Portugal que possibilitaram a digitalização integral e publicação online da biblioteca." Em suma, passe o paradoxo, não nos podemos fiar em blogues...
E mais um ano em que estarei ausente... creio que a última vez que fui à Feira do Livro, foi em 2014 ou 13 ... não me recordo bem. Costumo(ava) até ir mais do que uma vez, normalmente gosto de ir um dia ver e localizar coisas (claro que acabava sempre por comprar algo...), e noutro ia já para comprar.
ResponderEliminarEra um pretexto para ir a Lisboa, com a minha mulher. Não é longe... fica a 1 hora, muitas vezes depois íamos dar uma volta a algum centro comercial e jantar... tenho saudades dessas peregrinações.
Uma Boa Feira é o que desejo a todos os Extraordinários!
Saudações tendeiras cá da Cidade Morena.
Gosto tanto de livros que foram muito raras as vezes que lá fui. Parece um contra-senso, mas não é. Demasiada oferta deixa-me completamente à nora. Quero comprar tudo e infelizmente já tenho pouco espaço onde colocar livros. Tenho lá ido mais vezes, ultimamente, como autor. A necessidade obriga. É certo que vou com gosto e aproveito para espreitar tudo, mas compro pouco. Um abraço amigo, desta terra junto ao Tejo plantada. E boas leituras!
EliminarQuase duas centenas de editoras, entre grandes e pequenas, independentes e fazendo parte de grandes grupos editoriais (e não só)... Milhares de livros, dezenas de novidades, milhares de visitantes, compradores, leitores e amantes de livros. E eu mais uma vez fico intrigado com afirmações como: não se lê em Portugal, a actividade livreira é uma miséria, etc., etc. Dá que pensar... Eu penso sobretudo na tendência sempre pessimista que temos de tudo... tristemente não por convicção (pelo menos nem sempre), mas por interesse ou interesses... Esses sim, tantas vezes tristemente inaceitáveis... Mas devo ser talvez eu e este meu feitio de olhar mais ao que posso ver, do que ao que me dizem para ver...
ResponderEliminarEstarei lá este ano, no dia 31, às 19h00. A falar com bloguers . Apareçam, pois. E boas leituras. E uma Feira de arromba!
Ora e semos dois! Bom, eu acho que não tenho mau-feitio... mas inteiramente de acordo nessa estranheza sobre as afirmações de que não se lê e que o sector está mal ... e depois é ver livros às carradas por toda a parte!
EliminarEnfim, como profissional e como consultor, nunca vi ninguém reconhecer que o negócio vai bem quando vai bem... se vai bem queixam-se!
Paradoxal e inacreditavelmente, quando as coisas vão mal, diz-se que estão a andar, devagar mas vai, vão-se safando... etc. o que é uma redonda e cabeluda mentira e já o sei há muito!
Creio que o que nos falta é mesmo a atitude e o optimismo, mas também tenho uma teoria:
Diz-se que está bem quando vai mal, por vergonha! Nós temos vergonha e horror ao fracasso! O fracasso não é uma circunstância e uma ocorrência, é algo de definitivo!
Diz-se que está mal quando vai bem, porque temos medo das invejas e do mau-olhado... dá azar dizer que está bem!
Saudações desta terra à beira do Cavaco plantada!
Plenamente de acordo nessa análise acerca da nossa hesitação em afirmar o sucesso, receio do mau olhado, mas também numa espécie de falsidade congénita que nos acompanha, não sei desde quando.
EliminarHá contudo, ainda um outro pormenor a não esquecer: como todo o negócio, existem muitos produtores e vendedores de livros que o fazem sem nenhuma preocupação de quem os irá ler ou se serão sequer lidos: o que interessa é vender. Vendem livros como quem vende chouriças ou sacas de carvão. Talvez por isso, se atenda, também às vezes, tão pouco à qualidade. E depois ganham argumentos para dizer que não se lê... Pois se tanta «porcaria» se dá a ler... e com tanta se confundem os sentidos de quem se inicia nesta busca de boas obras... acabando muitas vezes decepcionado. O bom que seria se a qualidade fosse mais importante do que a quantidade... Mas, enfim... é assim que somos. Um abraço, Amigo, e boas leituras por aí!
Também não falho uma ida à feira desde que comecei a ir com o meu pai e o meu irmão e comprava os livros do Astérix, depois passei para os "Caminho de Bolso" policiais e ficção científica. Normalmente vou 2 vezes. A primeira para ver o ambiente e pesquisar livros. Na segunda vou para comprar, passear e apreciar os eventos e debates.
ResponderEliminarComo "Urban Sketcher" pude contactar a ideia do diário-gráfico e da comunidade que surgiu, numa apresentação de um livro do Eduardo Salavisa na Feira do Livro em 2009. Na altura deram um pequeno caderno para quem quisesse desenhar a Feira e entregar na editora Quimera. Os desenhos foram publicados na revista Ler. Foi o início do desenho diário ao qual ainda me mantenho "viciado".
Já me aconteceu preparar um texto para o meu blogue sobre alguma notícia e depois reparar que a notícia já tinha 4 ou 5 anos. A internet anda num espaço/tempo contínuo. Boas idas à Feira!
Gosto da Feira do Livro desde que corria solta com carta branca para comprar os livros que quisesse (e desde que, depois, também lesse os que a minha imponente Mãe me prescrevia em listas de leituras obrigatórias para as férias).
ResponderEliminarSó soube da existência da Feira já era bem adulta. Gosto de ver os livros e de os folhear, do parque Eduardo VII, dos jacarandás que o guardam e por certo ainda não estão em flor, daquela hora nocturna em que as obras estão a metade do preço, de andar por lá a flanar sem relógio. Se compro, as escolhas vão feitas.
ResponderEliminarOs jacarandás já estão floridos sim senhora!Também eu comecei a frequentar a Feira do Livro ainda ela se realizava na Av da Liberdade. Desde então não falhei uma a não ser no tempo em que trabalhei no estrangeiro (13 anos intermitentes). Já tenho a minha lista pequena porque não tenho espaço para os pôr, daí a selecção rigorosa.Gosto de passear pelo parque evitando os fins de semana pelas razões óbvias. Prefiro os pavilhões de literatura "tout court", dos ensaios e da poesia; é claro que passo como cão por vinha vindimada pelos infanto -juvenil, jurídicos, técnicos, auto-ajuda, evangelistas e quejandos.
ResponderEliminarAh, voltar no dia em que a obra X era livro do dia e custava metade do preço, perder-me nos alfarrabistas.
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