Crianças grandes
As pessoas têm hoje, regra geral, uma maior longevidade do que quando nasci (uma das minhas avós morreu, por exemplo, antes dos 70 anos, o que neste século seria cedíssimo). Verifico regularmente nos jornais as mortes de pessoas conhecidas perto ou depois dos 90 anos. É bom quando os mais velhos conservam a saúde e a lucidez, mas, claro, isso nem sempre acontece, e muitos dos velhinhos voltam a ser uma espécie de crianças de quem é preciso tomar conta. Mas o pior de tudo é quando – lúcidos ou não – ficam adormecidos, sem acção, sem ninguém que os espevite. A Marina Palácio, de quem já aqui falei a propósito de oficinas para crianças – de tudo e mais alguma coisa, ela é verdadeiramente versátil – foi, porém, desafiada por uma biblioteca em Vila Velha de Ródão aonde ia fazer uma sessão para crianças de manhã a adaptá-la à tarde para os idosos. Ao que parece, o tema era «o lobo», mas deu para tudo: conversa, histórias, filmes, leituras de poesia e até desenhos. Apesar das limitações de muitos, Marina ficou encantada pelo prazer que tiveram a pintar e isso fê-la pensar muito nas pessoas desta idade (até aposto que se vai lembrar de muitas oficinas para eles também). Deixo-vos umas fotografias e peço-vos que dêem sempre atenção aos vossos mais velhos. Obrigada, Marina, pela partilha da experiência.
Quase todos nós gostamos de voltar à infância, onde nos pareceu mais fácil ser feliz.
ResponderEliminarImagino que com muita idade, seja ainda melhor voltar às quase escolas da infância e aprender algo diferente.
Bom dia! Felicito-a tanto pelo post como, sobretudo, por não ter utilizado a palavra "idoso", tanto ma moda, como se "velho" fosse pejorativo. E é velho que vou sendo, não idoso.
ResponderEliminarJCC
Muito bem... também já estou a ficar velho - ou cota, como aqui dizem - e a pintura é sempre algo que agrada.
ResponderEliminarA D. Francisca, falecida mãe de um amigo meu de Amareleja, fez no centro de dia local, um cursosito de pintura e passou a dedicar-se à pintura. Não é que fez umas belas telas (pequenas) sobretudo com paisagens do Ardila e imagens da sua terra?
Nunca é tarde. Há pessoas a quem eu venho animando para escreverem sobre as suas memórias, artes ou ofícios, sítios por onde andaram...
Saudações provectas cá da Cidade que tem agora 400 anos!
Ó Pacheco no Alentejo dizemos da Amareleja.
EliminarNo Alentejo, talvez, EM Amareleja dizem assim... não me perguntes porquê, mas fui tantas vezes corrigido lá, que passei a dizer assim...
EliminarDeve ser da água do Ardila...
Sou comentador recente das horas extraordinárias e vejo que o meu amigo (posso tratá-lo assim?) se refere as mais das vezes, juntamente com os seus judiciosos comentários, à cidade morena que eu presumo seja Benguela porque além de ter uma praia Morena vai fazer 400 anos, estou certo ou "tou" errado como diria o Lima Duarte das novelas brasileiras. Pois se assim for eu tive alguma relação com Benguela, das acácias rubras, nos finais dos anos 80. Vivi na Av. Fausto Frazão durante 4 anos; apesar das dificuldades da altura, fiquei com saudades da Baía Azul, da praia da Caotinha onde passámos fins de semana agradáveis sobranceiros ao mar, das mangas ya-ya do cavaco, as melhores mangas do mundo, das rosas de porcelana, das lagostas que as vendedeiras nos vendiam mesmo á porta, dos caranguejos da Baía Farta. É claro que hoje passados 25 anos muita coisa se modificou para melhor e ainda bem vendo na net algumas fotografias recentes da cidade morena.
EliminarE penso: por que razão há uma relação tão estreita entre a mulher e a pintura? Ela é a pintura artística, ela é a cosmética, ela é a expressão popular (muito usada antigamente) "esta menina já pinta".
ResponderEliminarABC
Viver é arte a docilidade!
ResponderEliminarLongevidade serena e propósito íntegro o amor.
Cláudia da Silva Tomazi
Marinas precisam-se. Ainda que as haja espalhadas pelo país em serviço de voluntariado: lêem, cantam, ensinam o que dantes se chamava trabalhos manuais, alindam as velhotas com serviço de manicure, pintam, etc. E há cada vez mais jardins de infância a trabalhar com a 3ª idade, em actividades muito gratificantes, sobretudo para os velhos que quase nunca vêem crianças. São actividades que distraem e os obrigam a pensar.
ResponderEliminar