Biblioteca pessoana

Fernando Pessoa, como todos sabem, tinha (como qualquer leitor regular) uma boa biblioteca – ao que parece, com mais de 1100 volumes que, até há algum tempo, só podiam ser consultados na Casa Fernando Pessoa (onde, de resto, se encontram fisicamente). Porém, uma equipa de investigadores – incluindo o especialista colombiano Jerónimo Pizarro, que tem feito muito pela obra pessoana em Portugal e no estrangeiro – conseguiram o apoio da Fundação Vodafone Portugal para a digitalização integral da biblioteca do poeta e a sua publicação online, com o objectivo de que todos os interessados, estejam onde estiverem, tenham acesso a estes mil e tal livros. Claro que a maior parte deles já estariam disponíveis em livrarias virtuais, mas a novidade é a intervenção de Pessoa nas suas páginas, ou seja, as anotações, os comentários, desenhos, horóscopos e até rascunhos de textos poéticos (impossíveis de encontrar nos volumes à venda). A pesquisa pode ser feita por ano, ordem alfabética ou categoria temática; e a consulta pode realizar-se no ecrã, página a página, ou após o download da obra completa. O acervo pode ser visto aqui:


 


http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/bdigital/index/index.htm


 


P.S. Este post inclui informação parcialmente incorrecta. Porém, como sei que há muitos leitores que só vêm a este blogue de manhã, coloquei uma errata no post do dia seguinte. Até amanhã e desculpem!

Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda24 de maio de 2016 às 01:38

    Obrigado.

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  2. Belo trabalho o da Inês Pedrosa enquanto esteve a dirigir a Casa Fernando Pessoa.
    :-) Antonieta

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    1. Obrigada! Confesso que uma das maiores alegrias e orgulhos que tive na vida foi conseguir os 75 mil euros que permitiram a digitalização e disponibilização on-line da preciosa biblioteca de Fernando Pessoa. Bati a várias portas antes de conseguir o generoso patrocínio da Fundação Vodafone Portugal. Os mecenas ainda são raros no nosso país, há que os louvar e incentivar.

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  3. E depois de todas estas possibilidades maravilhosas o poeta ainda diria "mas o melhor do mundo são as crianças".

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  4. Citar este poema de Pessoa é já um lugar-comum.
    Mas o facto é que calha mesmo a propósito do post de hoje.
    Confirme:

    Liberdade

    Ai que prazer
    Não cumprir um dever,
    Ter um livro pra ler
    E não o fazer!

    Ler é maçada,
    Estudar é nada.
    O sol doira
    Sem literatura.

    O rio corre, bem ou mal,
    Sem edição original.
    E a brisa, essa,
    De tão naturalmente matinal,
    Como tem tempo não tem pressa…

    Livros são papéis pintados com tinta.
    Estudar é uma coisa em que está indistinta
    A distinção entre nada e coisa nenhuma.

    Quanto é melhor, quando há bruma,
    Esperar por D. Sebastião,
    Quer venha quer não!

    Grande é a poesia, a bondade e as danças…
    Mas o melhor do mundo são as crianças,
    Flores, música, o luar e o sol, que peca
    Só quando, em vez de criar, seca.

    O mais do que isto
    É Jesus Cristo,
    Que não sabia nada de finanças
    Nem consta que tivesse biblioteca.

    Fernando Pessoa

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  5. Hum... isso é falso. Quem conseguiu esse patrocínio junto à Vodafone foi Inês Pedrosa, não foram "equipa pessoanos" de Pizarro nenhuns.

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    1. Obrigada pelo esclarecimento. Li a notícia no Público e não referia a Inês Pedrosa, desculpe-me a visada e os leitores, mas não nos podemos fiar nos jornais, ao que parece.

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  6. António Luiz Pacheco24 de maio de 2016 às 05:56

    Parece ser de facto uma boa iniciativa... pela possibilidade de consultar assim a distância a biblioteca Pessoana. A Cláudia por exemplo pode fazê-lo desde S.Paulo e eu desde Benguela, ou do Graínho... onde esteja!

    Saudações pessoanas e internáuticas cá da Cidade Morena!

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    1. Cláudia da Silva Tomazi24 de maio de 2016 às 09:51

      Excelente iniciativa disponibilizar o acervo (genuíno) de Fernando Pessoa, inclusive a máxima: "Saudades só portugueses conseguem sentir bem".

      Trata-se de Filosofia à enriquecer vossa Cultura ALP.

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    2. António Luiz Pacheco24 de maio de 2016 às 12:57

      A nossa cultura, Caríssima e Extraordinária Cláudia, a nossa cultura... lembro que a pátria dele era a língua portuguesa, o que faz portanto de nós concidadões (para não haver confusão de género...) e com todo o orgulho da minha parte! Digo isto, porque gosto de literatura e autores brazileiros!

      Saudações linguísticas cá do outro lado do Atlântico!

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  7. claro que é uma excelente notícia, só que um pouco desfasada no tempo - a digitalização da biblioteca está feita há vários anos, quando a Inês Pedrosa era directora da Casa. os pessoanos tiveram de facto um trabalho louvável, mas os apoios, nomeadamente o da Vodafone, foi a Inês que o conseguiu, após muitas e variadas reuniões com instituições que pudessem apoiar financeiramente a Casa. entre o trabalho meritório da equipa dos pessoanos e o empenhamento da directora da CFP chegou-se finalmente à digitalização integral da biblioteca do poeta e à sua publicação online, que permite a todos os leitores o acesso à obra do poeta, anotada e comentado pelo próprio, como pode ver-se clicando no link do final do teu post

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    1. Provavelmente só agora a Rosário se deu conta da existência dessa biblioteca online, presume-se.

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    2. Na verdade, foi a partir de um site de informações que recebo regularmente e onde incluem vários links. Como não costumam enviar-me coisas que não sejam actuais, presumi ser uma coisa de agora, lamento a confusão.

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    3. António Luiz Pacheco24 de maio de 2016 às 12:59

      Ora... eu fiquei a saber por aqui e por si...

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  8. Por vezes - que são muitas vezes - tenho de agradecer os avanços da tecnologia. Agradeço o link e deixo a consulta para mais tarde. O que será que leu o nosso Poeta Pessoa?! Quero ver o último de Giuseppe Tornatore "Correspondência"; a apresentação convenceu-me.

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