À pressa

Gostamos de dizer que em Portugal se deixa tudo para a última da hora; mas, tanto quanto leio numa notícia do Público citando o diário espanhol El País, pelos vistos é um hábito ibérico: o espólio do poeta e dramaturgo Federico García Lorca (1898-1936) teve de ser classificado a mata-cavalos para não sair de Espanha… Era suposto a Fundação que o alberga (quase 20 000 documentos, entre manuscritos, partituras assinadas, cartas, desenhos originais, e ainda mais de uma centena de livros da biblioteca pessoal de Lorca, com dedicatórias dos autores) construir um centro García Lorca em Granada, mas a data prevista para a inauguração teve de ser cancelada por causa de dívidas pesadas à construtora quer da própria fundação quer do poder local… Chegou a estar na mesa a possibilidade de o espólio ser vendido em parcelas a estrangeiros para a Fundação recuperar capital, mas a Secretaria de Estado da Cultura espanhola não teve remédio senão chegar-se à frente e resolver esta situação que considerou «drástica». Lorca foi uma das figuras mais importantes do início do século XX espanhol, amigo, por exemplo, de Dalí, de quem possuía quadros, ou do cineasta Buñuel. Parece que, para já, se remediou o pior.

Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda20 de maio de 2016 às 02:31

    Por isso se diz: de Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos. Quanto ao ventos - leia-se: ares, influências, etc. - está comprovado. Já no que respeita a casamentos, não me cabe julgar. Tanto quanto sei, julgo que se fazem cada vez mais e não consta que todos sejam (assim tão) maus. Valha-nos isso.

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  2. António Luiz Pacheco20 de maio de 2016 às 04:03

    Isso deve ter sido uma manobra dos anti-taurinos! É que Lorca era aficionado e se calhar convém não o promover, fazer esquecer... eheheh!

    Mas a coisa se compôs afinal!

    Desculpem a provocação, mas é de fim-de-semana e de me terem assaltado o carro esta noite...

    Saudações sombrias cá da Cidade Morena.

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    1. Bolas! Isso é azar. Quando se assalta um carro a finalidade é andar nele sem pagar ou algo mais?!

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  3. Cláudia da Silva Tomazi20 de maio de 2016 às 04:35

    Espanha é berço em diversidade cultural e Lorca expoente contemporâneo! Vá lá, actualmente a concorrência "futebolística" está a ampliar qualquer paixão espanhola.

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    1. Afinal a Cláudia sabe escrever que jeitos tenha!...Viva!...

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  4. Acho que a primeira vez que ouvi falar espanhol, foi numa tarde desmaiada de calores.
    Dentro de casa, era hora da sesta para mim.
    As paredes muitíssimo caiadas, não eram barreiras suficientes para a voz do meu tio.
    Pronunciava umas palavras estranhas e pareciam-me longínquas.
    Levantei-me, pé ante pé fui espreitar.
    Estava lá na sala de livro na mão e andava de cá para lá, a ler alto.
    Mais tarde vim a saber que era Lorca.
    Ia jurar, porque já foi há muito, que o ouvi, com a sua voz que atravessava paredes
    " ... Eram las cinco en punto de la tarde..."
    Abraços

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    1. António Luiz Pacheco20 de maio de 2016 às 06:12

      Belíssimo...

      La cogida y la muerte
      ...
      En las esquinas grupos de silencio
      a las cinco de la tarde.
      ¡Y el toro solo corazón arriba!
      a las cinco de la tarde.
      Cuando el sudor de nieve fue llegando
      a las cinco de la tarde
      cuando la plaza se cubrió de yodo
      a las cinco de la tarde,
      la muerte puso huevos en la herida
      a las cinco de la tarde.
      A las cinco de la tarde.
      A las cinco en Punto de la tarde.
      ...

      Foi uma outra vítima do preconceito e da intolerância, o que devia dar que pensar aos se dizem defensores da tolerância e da liberdade.

      Salud Lorca!



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    2. Que pena tenho do meu tio não ler poesia. Mas pronto, dá bons abraços e gosta de nós.

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    3. António Luiz Pacheco20 de maio de 2016 às 09:35

      Ora vamos lá a ver... Puck? Se é o Puck que imagino, o Robin Goodfellow? O espírito caseiro? Então é Shakespeareano, e, teria certamente tido um tio que lia poesia - credo, que cacofonia!
      Enfim, sonhos de uma noite de Verão se bem que aqui já entrou o cacimbo.

      Saudações poéticas da Cidade Morena!

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    4. Vou descontar no cacimbo.

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  5. Este post deixou-me melhor comigo mesma. A própria eu. Que deixo tudo para o fim, quer dizer, no próprio da hora. E umas coisas faço e outras não sem que com isso me importe muito que já convivo com o animal há muito tempo e ganhei hábito. Julgo que o mal nos pode vir do relevo, quem sabe a meseta ibérica é que tem a culpa deste desleixo de não haver o tempo que antes nos sobra. E assim.
    E porque há sol (onde vivo) e é fim de semana, não os maço mais e tenham um santo fim de tarde e que os anjos sem asas vos acompanhem. Não é por nada mas as asas são uma dor de cabeça para as gentes da costura que aquilo não é só abrir os buracos não senhora. E eu que andei a aprender a fazer fatos de anjo (os das procissões são fáceis, mas não são esses) sei bem o trabalhão que ali está. Além disso,no céu há muito médico especializado em doenças de asa; os anjos sofrem um bocado com aquilo, as asas desagarram, abrem ferida nas costas... e depois, como é que eles lá chegam para tratar?! A manutenção daquelas asinhas cheias de penas e capazes de voo celeste move uma catrefada de gente. Pronto, mas os anjos ficam bem bonitinhos e vale a pena. Além disso poisam silenciosos, sem travagens bruscas.
    Então, tudo de leve com vocemecês.

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  6. Tratar de tudo a tempo e horas, planear as atividades que se vão seguir. E quando chega o momento deitar tudo fora, o assunto está ultrapassado. É bem pior.

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