Obrigatório ver

Já só faltam quatro dias, mas, se vive ou estuda na cidade de Coimbra – ou relativamente perto – tem ainda até final do mês para ver a exposição Obrigatório não Ver no Círculo de Artes Plásticas, que revela obras inéditas da poetisa e artista plástica Ana Hatherly, recentemente falecida. A mostra, que tem como tema central a revolução de 1974 e o período que se lhe seguiu, inclui mais de quarenta exemplares do trabalho poético e visual da autora, abarcando vários períodos da sua carreira, desde os anos 1960 até ao século XXI. Desenhos em grafitti inéditos e pinturas em cartão, objectos provenientes das colecções da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, um avental assinado que a artista usou nas pinturas em spray e a sua máquina de escrever, documentam, entre outros, a centralidade da escrita na obra de Hatherly, poetisa experimental da terceira vanguarda do século XX que trabalhou também em cinema e teve um programa de televisão chamado Obrigatório não Ver (daí o título da exposição). O curador é Jorge Pais de Sousa.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco26 de abril de 2016 às 02:14

    Desconhecia a actividade de poetisa, confesso...
    Fui googlar, encontrei isto mesmo a propósito e como estamos num blog de leitura, aqui fica, para os Extraordinários que como eu (traça dos livros) terem uma amostra:

    Esta Gente / Essa Gente
    O que é preciso é gente
    gente com dente
    gente que tenha dente
    que mostre o dente

    Gente que não seja decente
    nem docente
    nem docemente
    nem delicodocemente

    Gente com mente
    com sã mente
    que sinta que não mente
    que sinta o dente são e a mente

    Gente que enterre o dente
    que fira de unha e dente
    e mostre o dente potente
    ao prepotente

    O que é preciso é gente
    que atire fora com essa gente

    Essa gente dominada por essa gente
    não sente como a gente
    não quer
    ser dominada por gente

    NENHUMA!

    A gente
    só é dominada por essa gente
    quando não sabe que é gente

    Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades"

    Saudações gentis e gentias cá da Cidade Morena

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    Respostas
    1. Mais vale cair em graça do que ter graça... Muito fraquinho, o poema? Poema???

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    2. António Luiz Pacheco26 de abril de 2016 às 09:24

      Pois... não sei... poesia não é a minha área da literatura, portanto não avalio apenas partilho o que me pareceu ter um conteúdo condizente com o momento que vivemos.

      Como referi, ignorava que a falecida se tivesse dedicado à poesia, só a referenciava na área da cinegrafia.

      Saudações antónimas caro anónimo!

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    3. Caro anónimo,

      Sabe que, às vezes, vão à arca das pessoas e publicam coisas que elas alinhavaram apenas. O poema é muito fraquinho, sim, com rimas forçadas e brincadeiras desnecessárias. Não acredito que a Ana Hatherly o tivesse publicado. Provavelmente foi uma brincadeira de amigos que nunca deveria ter passado disso.

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    4. António Luiz Pacheco26 de abril de 2016 às 13:55

      Caro João:
      Permito-me fazer uma contra-observação, e note que eu de poesia nada sei ou sequer sou consumidor... enfim poesia escrita, pois que a vivida é outra coisa!
      Poesia... é rima? É o quê?
      Não sei, francamente e reitero a minha ignorância todavia atrevida porque me estou a meter em terrenos apertados (expressão tauromáquica de uma arte que é igualmente poesia...) mas esta "poesia porque rima", tem para mim uma coisa importante; faz sentido!
      Pode não ser bela, pode nem ser poética... mas faz sentido.

      Vou confessar-lhe que o que não gosto na maior parte da poesia é que não sou capaz de lhe encontrar sentido, não diz nada... bem, esta, diz!
      Consigo percebê-la...

      Peço a maior desculpa por me estar a meter naquilo que ignoro e a que sou até algo insensível, mas como fui quem provocou sinto-me responsável.

      Saudações cá da Cidade Morena onde poesia é o gingar de uma moça, com ou sem chocalho na canela...

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  2. Cláudia da Silva Tomazi26 de abril de 2016 às 04:06

    Coimbra ...ainda és capital do amor ainda...

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  3. Gosto da poesia de Ana Hatherly, mas desconhecia que pintasse ou desenhasse. Deve ser interessante a exposição.

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