Obrigatório ver
Já só faltam quatro dias, mas, se vive ou estuda na cidade de Coimbra – ou relativamente perto – tem ainda até final do mês para ver a exposição Obrigatório não Ver no Círculo de Artes Plásticas, que revela obras inéditas da poetisa e artista plástica Ana Hatherly, recentemente falecida. A mostra, que tem como tema central a revolução de 1974 e o período que se lhe seguiu, inclui mais de quarenta exemplares do trabalho poético e visual da autora, abarcando vários períodos da sua carreira, desde os anos 1960 até ao século XXI. Desenhos em grafitti inéditos e pinturas em cartão, objectos provenientes das colecções da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, um avental assinado que a artista usou nas pinturas em spray e a sua máquina de escrever, documentam, entre outros, a centralidade da escrita na obra de Hatherly, poetisa experimental da terceira vanguarda do século XX que trabalhou também em cinema e teve um programa de televisão chamado Obrigatório não Ver (daí o título da exposição). O curador é Jorge Pais de Sousa.
Desconhecia a actividade de poetisa, confesso...
ResponderEliminarFui googlar, encontrei isto mesmo a propósito e como estamos num blog de leitura, aqui fica, para os Extraordinários que como eu (traça dos livros) terem uma amostra:
Esta Gente / Essa Gente
O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente
Gente que não seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente
Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente
Gente que enterre o dente
que fira de unha e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente
O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente
Essa gente dominada por essa gente
não sente como a gente
não quer
ser dominada por gente
NENHUMA!
A gente
só é dominada por essa gente
quando não sabe que é gente
Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades"
Saudações gentis e gentias cá da Cidade Morena
Mais vale cair em graça do que ter graça... Muito fraquinho, o poema? Poema???
EliminarPois... não sei... poesia não é a minha área da literatura, portanto não avalio apenas partilho o que me pareceu ter um conteúdo condizente com o momento que vivemos.
EliminarComo referi, ignorava que a falecida se tivesse dedicado à poesia, só a referenciava na área da cinegrafia.
Saudações antónimas caro anónimo!
Caro anónimo,
EliminarSabe que, às vezes, vão à arca das pessoas e publicam coisas que elas alinhavaram apenas. O poema é muito fraquinho, sim, com rimas forçadas e brincadeiras desnecessárias. Não acredito que a Ana Hatherly o tivesse publicado. Provavelmente foi uma brincadeira de amigos que nunca deveria ter passado disso.
Caro João:
EliminarPermito-me fazer uma contra-observação, e note que eu de poesia nada sei ou sequer sou consumidor... enfim poesia escrita, pois que a vivida é outra coisa!
Poesia... é rima? É o quê?
Não sei, francamente e reitero a minha ignorância todavia atrevida porque me estou a meter em terrenos apertados (expressão tauromáquica de uma arte que é igualmente poesia...) mas esta "poesia porque rima", tem para mim uma coisa importante; faz sentido!
Pode não ser bela, pode nem ser poética... mas faz sentido.
Vou confessar-lhe que o que não gosto na maior parte da poesia é que não sou capaz de lhe encontrar sentido, não diz nada... bem, esta, diz!
Consigo percebê-la...
Peço a maior desculpa por me estar a meter naquilo que ignoro e a que sou até algo insensível, mas como fui quem provocou sinto-me responsável.
Saudações cá da Cidade Morena onde poesia é o gingar de uma moça, com ou sem chocalho na canela...
Coimbra ...ainda és capital do amor ainda...
ResponderEliminarGosto da poesia de Ana Hatherly, mas desconhecia que pintasse ou desenhasse. Deve ser interessante a exposição.
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