Mini-bibliotecária
Nestes tempos tão escuros para o mundo, em que todos os dias nos chegam notícias de atrocidades, violência, atentados, desrespeito e intolerância, sabe bem ler que ainda há quem nos faça ter esperança no futuro, sobretudo em locais onde o bem-estar não é, de modo nenhum, evidente. Muskaan Ahirwar, uma menina indiana de nove anos a frequentar a terceira classe, decidiu criar uma biblioteca à sua porta, num bairro pobre, para os meninos que não têm livros. Todos os dias, depois das aulas, chega a casa e monta a sua biblioteca, colocando os livros – que já são mais de cem – numa espécie de estendal. Empresta-os aos que vêm dos bairros de lata ainda mais degradados do que o seu e já sabem ler, mas também lê alto para os mais pequeninos, a quem, de resto, explica com paciência como ler faz com que se viaje sem sair do sítio. A operação tem sido de tal modo bem-sucedida que o Estado da Índia resolveu certificá-la como bibliotecária, concedendo-lhe um diploma atestando as suas capacidades para a função e declarando que a sua biblioteca tem o apoio do sector oficial da educação. Nesse documento, lê-se ainda que ser amigo dos livros é ser amigo do mundo e que ler é também conhecer outros mundos. Um exemplo bonito de que deixo aqui uma imagem inspiradora.
Felizmente, o Mundo está cheio destes exemplos inspiradores. Uma vez mais está provado que ler é o caminho.
ResponderEliminarÉ um excelente exemplo. Infelizmente raro.
ResponderEliminarÉ um exemplo tão vivo que vou partilhá-lo numa escola para onde fui convidado para falar de livros, e claro, dessa coisa boa que é ler...
De onde menos se espera podem surgir ideias, actos tão bonitos como o que refere este post. Fica-me ainda a esperança neste mundo canceroso. É possível que sejam as crianças a salvar-nos.
ResponderEliminarUm abraço e bom fim de semana aos extraordinários leitores desta sala.
Já não é a primeira vez que leio notícias deste género no blogue. São sempre inspiradoras.
ResponderEliminarExtraordinário!
ResponderEliminarQue Ganesha e Sarasvati a protejam e ajudem!
Fez muito bem em lhe dedicar o post do dia, pois é enternecedor para nós amantes dos livros e da leitura.
Saudações optimistas cá da Cidade Morena!
Ora agora é que estava na altura de o Pacheco carregar um burro com livros e levá-lo a esta menina.
EliminarAbraço.
Discordo... dado ser na Índia, deveria ser um elefante, ahahah!
EliminarE também porque tal iniciativa assim o mereceria, pelo menos!
Um grande abraço para Amarante!
Ora, ora. Não fuja ao assunto. Tantos livros que você tem p’raí parados, bem podia carregar com eles os dois animais, o burro e o elefante, e iam por aí adiante, que os deuses que invoca vos protegeriam e ajudariam.
EliminarA pesquisa que fiz mostra-me que Ganesha, deus do intelecto e da sabedoria, é representado com cabeça de elefante – portanto, encarregava-se do elefante.
E Sarasvati, protectora dos artistas e escritores, é representada como uma mulher muito bela, de pele branca como o leite, e tocando cítara. Com tais atributos, entreteria o burro com música – e encarregar-se-ia de si (ou vice-versa...).
Uma coisa é certa: ficava tudo bem entregue.
Os bons exemplos são sempre bem vindos, motivadores e etc. Mas se vêm de uma criança, enternecem, comovem e deixam-nos com má consciência. Tanta coisa se pode fazer pelos outros e nem nos lembramos da maior parte.
ResponderEliminarA atitude do governo indiano é um bom exemplo para este nosso mundo tão cheio de papeis e certificados e atestados e secções próprias e estanques, e relatórios, e mais não sei quantas burocracias; para nos darem um livrito temos que andar de um lado a outro a bater a esta e aquela porta, empurrados sempre para a seguinte; e ainda que as pessoas estejam rodeadas de livros não podem dá-los, por mais isto e mais aquilo e não são donas e não sei quê. Mesmo que depois quase os deitem fora (ou talvez deitem mesmo) por ser preciso renovar stoques e actualizar as livrarias e cumprir contratos de exposição e assim.
Se uma menina portuguesa fosse pedir livros às editoras, quais lhos dariam? Quem acreditava nas suas confessadas boas intenções? Não sabemos. Mas eu que não sou menina pedi a várias e não tive respostas de jeito. Todas queriam que eu lhes vendesse um x de livros e depois davam-me em troca alguns exemplares mesmo conhecendo o objectivo e sabendo que o propósito não era uma feira do livro. Ou nem responderam. Ou mandavam-me para outra pessoa que normalmente era alguém inacessível ao mortal comum. Talvez na Índia as pessoas acreditem mais umas nas outras e a entreajuda exista mais descarada.
"Ser amigo dos livros é ser amigo do mundo" - enternecedor...
ResponderEliminarDepois de nos ter mostrado há dias o homem da biblioteca itinerante que funcionava sobre um burro, agora chega-nos a história ainda mais comovente da menina-bibliotecária . Ele na Indonésia, ela na Índia, em ações luminosas que vêm do Oriente. Os novos reis magos.
ResponderEliminarObrigado por partilhar esta maravilhosa história, este exemplo magnífico de esperança e de luta pelo conhecimento!
ResponderEliminarBjs da Amadora
Que emocionante!!
ResponderEliminarFaz me lembrar a história de Dita Adlerova, do livro "A bibliotecária de Auschwitz".
Excelente partilha.
Infelizmente, estad notícias não aparecem nos telejornais mais ocupados em mostrar-nos as desgraças até à exaustão do que a dar-nos esperança. Obrigada a si, Maria do Rosário.
ResponderEliminarAinda ontem via um programa que, embora humorístico, mostrava a realidade da Índia. Não conhecemos pobreza como eles conhecem. Acredito que é pela educação e pelos livros que se escapa a isso, ainda que apenas mentalmente. Obrigado pela partilha. :)
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