Leiteira e leitora
Todos os leitores deste blogue se lembram certamente do nome de Gabriela Ruivo Trindade, que venceu o Prémio LeYa em 2013 com um romance polifónico intitulado Uma Outra Voz. Pois ela regressa agora aos escaparates e, ainda por cima, não vem sozinha: acompanha-a brilhantemente Rute Reimão, uma ilustradora meticulosa e imaginativa que não faz nada ao acaso e gosta de trabalhar com tecidos, papéis antigos e colagens. A feliz dupla é, assim, responsável por um dos mais bonitos e interessantes livros infantis que publiquei. Chama-se A Vaca Leitora e, resumindo muito, conta a história de Felisberta, uma vaca com manias de gourmande que está fartinha do pasto que todos os dias lhe dão a comer e sonha com caviar, salmão fumado e outras iguarias. Nada feito… Porém, um belo dia, Felisberta encontra nas folhas de um jornal esquecido pelo dono requintes gastronómicos. Pois sim, mastiga-o: e uma vaca culta, leitora, é também seguramente uma vaca leiteira de maior gabarito. Este é um livro para crianças a partir dos 5 anos que mostra como a leitura é sempre vantajosa e, por isso mesmo, deve ser lido aos mais pequenos e oferecido aos que já dominam a faculdade de ler. Publicidade à parte, vale mesmo a pena.
Bom dia,
ResponderEliminarVou certamente espreitar este livro, parece-me bem interessante. Tenho 2 meninos em idade de ouvir histórias, algo que já adquiriram o hábito de nos pedir antes de irem dormir.
Uma boa semana,
Rui Miguel Almeida
Não acredito muito na vantagem de livros que proclamem as vantagens da leitura. Acredito em livros que nos fazem concluir isso. Sem o apontar. Mas não sei ser criança, só sei imitá-las e imitar é parecer, (às vezes bem mal, digo eu). Portanto, quem sabe, talvez agrade às crianças.
ResponderEliminarMas acredito que o livro seja bonito (desconheço a ilustradora, mas confio) e está de certeza bem escrito porque comprei o anterior da Gabriela e gostei.
Olá! Vi o seu comentário e não resisti a esclarecer: a estória, de facto, não tem a intenção declarada de promover as vantagens da leitura, digamos que tal acontece por acidente ou consequência. Esta estória nasceu de um trocadilho que o meu filho mais novo fez, ao designar por vaca leitora uma vaca leiteira (na cabeça dele, ainda hoje, leitor e leitura derivam da palavra leite. Fez esta associação espontaneamente, penso que por a língua portuguesa não ser já a sua primeira língua). De maneira que a estória parte daí, e podemos dizer que o gosto de ler se transforma no gosto (paladar) da leitura... É claro que o facto de a vaca ruminar palavras dá um sabor especial ao seu leite, de maneira que sim, daí podemos chegar às vantagens da leitura, mas também de outras formas de leitura, aquelas em que brincamos com o significado das palavras e assim enriquecemos o nosso imaginário e o das nossas crianças. Posto isto, espero que goste!
EliminarObrigada pelo esclarecimento:). Sim, penso que tem muita espontaneidade na escrita e sabe enredar os assuntos uns nos outros até serem história. Na verdade há no seu livro um pulsar Alentejano que conheço e me agrada.
EliminarEu, blogueiro e leiteiro, lembrei-me dos meus netos que são leitores e admito que talvez gostem desta leitura.
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