De Detroit, com amor
Perder um filho é provavelmente a maior dor que se pode sentir. Mas a dúvida que recai sobre um casal que, desconhecendo o paradeiro da filha, nunca sabe realmente se a perdeu para a morte é o tema central de Um Postal de Detroit, de João Ricardo Pedro, romance que parte do desastre ferroviário de Alcafache, em 1985, no qual, a seguir ao choque frontal de dois comboios, as carruagens se incendiaram, tornando impossível identificar muitos dos corpos carbonizados. Marta iria num desses comboios? Numa das composições foi encontrada a sua mochila – e o cartão de estudante de Belas-Artes permitiu à GNR saber a quem pertencia e avisar os pais. Mas não estava lá a sua carteira, nem o passaporte, nem os outros documentos. Talvez Marta tivesse sobrevivido e seguido viagem – incerteza que atravessa todo este romance maior da língua portuguesa e afecta também o seu narrador, um rapaz que idolatra esta irmã especial que tinha, pelos vistos, uma vida algo misteriosa que ele gostaria de poder desvendar. O lançamento é mais logo, com apresentação do cineasta Luís Filipe Rocha. Não falte.
Um romance que arrasa! Confesso que já me havia perguntado imensas vezes o porquê de o João Ricardo Pedro não dar à costa. E agora, depois de ter lido este seu segundo romance, compreendo, pois o romance é de facto delicioso. E se são precisos cinco anos para brindar o leitor com um livro assim, então que se perdoe a espera e que se desfrute agora da obra. Uma mão cheia de histórias fabulosas que se alinhavam a partir de desenhos que o narrador, um desarranjado do juízo, vai construindo. Uma coisa à grande de resto! Um livro que todos deviam ler, tal não é o exercício cerebral a que o autor nos obriga a cada página, depois é voltar ao inicio e reler porque se quer mais e mais daquilo... Porque se quer mais e mais João Ricardo Pedro, porque é um prazer ler autores com talento.
ResponderEliminarDeveras bom este livro. Garanto-vos!
Um abraço aos extraordinários leitores.
Carla Pais
Parece interessante. Quem sabe, para ler um dia destes. Votos de muito sucesso.
ResponderEliminarAté fico em pulgas... mas prontos, terei de aguardar!
ResponderEliminarVotos de continuação de sucesso ao autor, cá da Cidade Morena.
No lançamento anterior o livro era lançado por um realizador de cinema, neste a ação também fica por conta de outro realizador. É caso para perguntar: estarão ambos em vias de ser adaptados ao cinema?
ResponderEliminarEstá em leitura adiantada e ando às voltas com a Nandinha, aliás Fernanda, ex-telefonista na empresa de confeções Gregório & Gregório, Lda, e que antes de ser a atual Bayarmaa foi também Núria e Zélia. Preocupa-se com a anatomia dos estorninhos. Uma obra do diabo, cuja leitura nunca poderá ser definitiva. Só o entrecruzar de pensamentos dos maquinistas em vias de se enfaixarem tem pano para mangas. Além disso, parece-me, há também um leve enredo policial que, aposto, não será desvendado nunca. De momento, está no centro do meu mundo.
ResponderEliminarJá perdi a apresentação. Paciência. Perder o livro é que não.
ResponderEliminarNão fui ao lançamento mas comprei o livro ontem e comecei a lê-lo.
ResponderEliminarPromete bastante acção. :)