Chique e cool

Em matéria de livrarias, o Porto sempre ganhou a Lisboa: tem a Lello, uma das mais belas do mundo, e portanto parece-me justo que continue em primeiro. Mas, alargando um pouco o âmbito a espaços cool e chiques ao mesmo tempo, a capital pode oferecer de há alguns anos para cá uma livraria que também se tornou atracção turística – durante os lançamentos, há sempre um rostinho de sardas ou uma cabeleira impossivelmente loura deambulando entre os convidados portugueses e espreitando as prateleiras que se estendem até ao tecto numa sala de pé-direito altíssimo onde voa uma bicicleta. O lugar foi em tempos a tipografia Mirandela, sabiam? Falo, claro está, da Ler Devagar, na Lx Factory; um espaço magnífico que o jornal The Guardian inclui no seu Top Ten de espaços industriais atraentes e belos em todo o mundo, entre outros que foram garagens, parques de estacionamento, piscinas e armazéns e que, do Japão à Sérvia, se transformaram criativamente em restaurantes, ateliers, livrarias, centros de artes, lojas, galerias – enfim, espaços abertos à comunidade. Se não conhece anda a Ler Devagar, visite-a, porque vale mesmo a pena.


lerdevagar.jpg


 

Comentários

  1. Acho que aquelas instalações nunca foram da "Mirandela", Rosário.

    Digo isto porque uma das várias profissões que tive ao longo desta "vida de marinheiro" foi a de "aprendiz de offset" exactamente naquelas instalações, mas que pertenciam à EPNC (empresa pública notícias e capital). Isto no começo da década de oitenta do século passado.

    Se as instalações foram da "Mirandela", isso aconteceu posteriormente, quando acabaram com esta empresa.

    Trabalhei lá pouco tempo, mas o suficiente para assistir a um dos muitos casos de "roubo" do que é nosso, do Estado, para benefício dos privados, nesse caso particular da empresa que menciona, quando a impressão dos boletins do totobola (numa rotativa que trabalhava 24 horas por dia... tiragem de milhões de boletins) deixou de ser efectuada na EPNC (empresa pública) e passou a ser feita na "Mirandela".

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Curioso. O próprio site da Ler Devagar diz:

      Rua Rodrigues Faria,n. 103 - Ed. G - 0.3, 1300-501 LISBOA (Antiga Gráfica Mirandela em Alcântara)

      Eu sabia que tinha ido buscar isto a qualquer lado...

      Eliminar
    2. Falo pelo que vivi em 1980/81, Rosário. Não estou a inventar nada.

      O espaço ocupado pelo "Lx Factory" pertencia quase todo à EPNC, onde também ficava a sede do Anuário Comercial Português.

      Nessa altura a EPNC já se encontrava em "situação económica difícil" e poderá ter sido privatizada anos mais tarde. Mas já não acompanhei esse processo. Já tinha sido "promovido" de aprendiz de offset a jornalista. :)

      Eliminar
  2. Cláudia da Silva Tomazi6 de abril de 2016 às 04:57

    Sim. Ler tornara (inclusive) atrativo turístico. Praticamente o seguimento Literário (engloba) qualquer conceito artístico enquanto património cultural. Fácil perceber outro nível a Lelo, embora básico e diversificado e inserido em "mecas" do ensino feito o Porto donde há desde espaços orgânicos à plataformas digitais a concorrer notoriedade.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Desculpe, mas não percebi nada do que quiz dizer

      Eliminar
    2. Cláudia da Silva Tomazi6 de abril de 2016 às 13:21

      Don't worry

      Eliminar
  3. Emílio Gouveia Miranda6 de abril de 2016 às 06:15

    A Ler Devagar é, sem dúvida, um espaço que se tornou já emblemático de Lisboa, no que aos livros e à cultura diz respeito. A visitar, com certeza!

    ResponderEliminar
  4. Eu que sou um cicloturista entusiasta achei magnífica aquela bicla . Tenho que ir vê-la ao local e já agora vou de bicla .

    ResponderEliminar
  5. Acho a ciclista uma graça. De livrarias só consigo saber se estiver no interior a medir-lhe a pulsação e esse chão nunca pisei.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório