BN
Falo muitas vezes neste blogue da minha «pequena» biblioteca, mas tenho-me esquecido de prestar a devida homenagem à grande biblioteca que tantos anos frequentei, sobretudo quando era estudante universitária. Sim, falo da Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, que este ano faz 220 anos! São só setenta e cinco quilómetros de prateleiras e quase cinco milhões de documentos em cerca de 66 000 metros quadrados. Tem salas em que as portas corta-fogo pesam três toneladas e que estão protegidas com sistemas anti-sismo e anti-incêndio; guardam os espólios valiosíssimos de escritores como Eça de Queirós ou Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner ou Almeida Garrett e, ao que leio, nem os funcionários da BN as podem visitar sozinhos. O livro mais antigo que ali está remonta ao século XII; mas é lá também que estão guardados a primeira edição d’Os Lusíadas e um dos 50 exemplares existentes no mundo da Bíblia de Gutenberg, entre outras preciosidades, como a carta em que Fernando Pessoa explica a origem dos seus heterónimos. Foi na sala de leitura da BN que passei muitas horas da minha vida e foi lá que comecei a ler Proust numas férias de Páscoa e me apaixonei por dicionários (uma coisa não tem nada a ver com a outra). Por isso, hoje felicito a BN pelos seus 220 anos!
Gosto de bibliotecas. Gosto mais da sobriedade das de figurino tradicional. Passei um ano (sabático) a estudar o espólio de Vergílio Ferreira na sala de reservados da BN e guardo, desse ano, não só o livro que resultou (também) desse trabalho, mas sobretudo uma memória misturada de sossego, concentração, descoberta, espanto, regalo...
ResponderEliminarAs coisas que eu descubro na minha vida de bloguer! Finalmente encontro uma pessoa que se apaixonou por dicionários. Comigo foi mais um amor comprido e duradouro do que uma paixão assolapada:). O dicionário de português foi, anos e anos, o meu livro de cabeceira, lugar agora ocupado pelo portátil.
ResponderEliminarLembro-me das cadeiras confortáveis e do silêncio na BN. E dos livros que nos chegavam num carrinho silencioso (que me lembre, só ali houve alguém a deslocar-se para mim sem um som, trazendo os livros pedidos). Da primeira vez, julguei que teria de pagar um extra, mas o funcionário informou-me que o processo era universal.
Creio que, juntando cansaço e conforto, adormeci algumas vezes, mas na maioria delas confrontei-me mudamente com a minha ignorância perguntando-me como é que ia conseguir terminar um curso que tanto exigia a quem tão pouco podia dar. Enfim. Tempos.
A Biblioteca nacional é o único palácio real onde os inquilinos não foram depostos
Parabéns! Merecidos, dada a nobre missão de guardar intacta a nossa memória colectiva, ou pelo menos uma parte importante dela. Que possa fazer outros tantos, cumprindo escrupulosamente está mui nobre missão.
ResponderEliminarUma casa encantada e muito valiosa. Também lá passei muitas horas e guardo uma boa memória dos serviços que me foram prestados.
ResponderEliminarQuando se tratava de livros recorria à Biblioteca Municipal do Palácio Galveias para beneficiar do seu horário que era mais favorável.
Foi lá que fiz parte do mestrado e parte do doutoramento (as outras partes foram na biblioteca da Senate House em Londres e nas n bibliotecas na Universidade de Oxford) quando os mestrados e doutoramentos se faziam nas bibliotecas. Outros tempos...
ResponderEliminarParabéns por se lembrar da BN! Obrigada!
Predei um pouco, agradeci e agradeço e, claro, referenciei no devido que é devido. Mais uma vez, obrigada porque me enterneceu:
ResponderEliminarhttp://blondewithaphd.blogspot.pt/2016/04/a-biblioteca-nacional-faz-220-anos.html
Também eu frequentei a BN enquanto estudante de Direito. Morava perto (AV. do Brasil) e assisti nos anos 60 à mudança de instalações do velho Convento de S. Francisco, salvo erro, para o Campo Grande. A comodidade dos cadeirões, a solicitude dos funcionários, (ainda não era necessário cartão de leitor) o facto de ter acesso directo a dicionários, enciclopédias, etc, sem requisição. Hoje já não a frequento, tenho a minha própria biblioteca, espalhada por três casas (Beira, Ribatejo e Portela)mas apenas para ver alguma exposição bibliográfica.De qualquer forma parabéns. A actual Directora foi colega da minha mulher.
ResponderEliminarComo gosta , sugiro que fale num próximo post do papel e mudanças urgentes na forma como as bibliotecas se organizam e funcionam no futuro que já começou. Na web tenho oferta, acessível, rápida pratica que nem um milionésimo, tenho tempo de ler
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