Amigas e concorrentes

Quando há epidemia, todos corremos o risco de ficar contagiados. Não sucumbi ainda completamente à febre de Elena Ferrante, mas, sim, estou no bom caminho para apanhar a doença. Li com prazer A Amiga Genial, o primeiro livro de uma tetralogia que conta a história de uma muito singular relação entre Lenuccia e Lila, duas amigas de um bairro pobre de Nápoles, nascidas nos anos 1950 marcados pela Segunda Guerra Mundial e o fascismo italiano, bem como pelo poder das máfias. Elena Greco (a Lenuccia, ou Lenù) é filha de um porteiro e de uma mãe estrábica e coxa que lhe faz a vida negra, apesar de acabar por condescender em que ela prossiga os estudos, depois do pedido de uma professora dedicada. Mas é Rafaella (ou Lina, ou Lila, como lhe chama a amiga), filha e irmã de sapateiros (e como os sapatos são importantes nesta história!), aquela que, pelo seu carácter determinado e a sua inteligência, teria à partida mais condições para singrar na vida (mas a família não pode pagar-lhe a escola – e o que ela aprontou com a professora primária contribuiu para que ninguém se interessasse muito pelo seu caso). Da infância e juventude das duas raparigas – com muitos altos e baixos numa relação que é sempre de dominadora e dominada, queira-se ou não – fala este livro fascinante que tem feito furor em todo o mundo e tornado internacionalmente conhecida uma autora que, como aqui já contei, insiste em permanecer anónima e não dar a cara junto dos leitores. Depois da descrição do casamento acidentado de Lila, vou ter mesmo de ler o segundo volume para saber o que lhe acontece na lua-de-mel.

Comentários

  1. Nunca li nada da autora mas tenho seguido interessada tudo o que se escreve sobre o seu inusitado mistério.

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  2. De repente, ocorreu-me uma publicação da Rosário em 8/10/2014.
    Ainda continua a parecer-lhe "mão de homem a escrever"?

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    Respostas
    1. Na verdade, estou cada vez mais convencida de que se trata de uma senhora. Mas a verdade é que as Crónicas do Mal de Amor são bastante diferentes deste A Amiga Genial.

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  3. Gostei muito dos quatro volumes. Mas o segundo, História do Novo Nome, foi talvez o meu favorito. Boa leitura!

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  4. Ofereci pelo Natal A Amiga Genial. Já na altura se falava muito deste sucesso impressionante. Pois ocorreu mesmo o efeito epidémico: já leu toda a tetralogia.

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  5. - Já li três, falta-me o último.
    Resolvi fazer uma pausa, para não se tornar obsessivo!
    Entretanto estou a ler outros dois, de outro género ( um policial e um clássico).
    A história parece-me bastante autêntica, entranha-se, de repente tem-se vontade de falar naqueles personagens, naqueles nomes, como se os conhecesse-mos de facto.
    Ás vezes apeteceu-me pegar no lápis e sublinhar.
    Bons livros sem dúvida.
    Quanto ao anonimato da autora (porque a mim parece-me uma autora), conhece bem demais aquela insidiosa competição feminina.
    No entanto...
    Bem, como ia dizendo, quanto ao anonimato, não me faz nenhuma confusão.
    Li algures, não sei onde, que nunca se devem conhecer os autores...
    --
    Puck

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  6. Com atraso, por ter estado ausente, ontem.
    Li os dois primeiros volumes. Mais forte, o segundo. Muita mestria que pode passar despercebida a leitores desatentos.

    ABC

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