Amadeo e não só
Amadeo de Souza-Cardoso é seguramente um dos maiores pintores portugueses de todos os tempos; diz quem sabe que, se tivesse nascido noutro país, teria tido um reconhecimento inequivocamente maior do que o que lhe calhou na rifa por ser português. Talvez; mas agora o Grand Palais mostra-o aos franceses numa exposição retrospectiva da sua obra, patente até 11 de Julho, no âmbito das comemorações dos 50 anos da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) na Cidade das Luzes – o que faz, aliás, todo o sentido, uma vez que Amadeo viveu ali e que a capital francesa deu, segundo o director da delegação em Franca da FCG, João Caraça, «um contributo inestimável para a sua obra». Nós podemos, porém, conhecer esta figura de uma outra forma: falo do romance Amadeo, de Mário Cláudio, vencedor do prémio da Associação Portuguesa de Escritores no ano da sua publicação, e que agora se encontra disponível em várias edições (uma delas em bolso) e também num precioso 3 em 1 que é Trilogia da Mão, o volume que reúne, além desta obra majestosa, outras duas novelas biográficas, a saber Guilhermina (sobre a violoncelista Guilhermina Suggia) e Rosa (a escultora Rosa Ramalha, uma analfabeta que fazia alguns dos Cristos mais fascinantes que já vi). Aproveite.
Não deixando, na minha própria tacanhez, de perceber que há alguma razão de ser nesta expressão, fico sempre um pouco perplexo quando a ouço ou leio: Se tivesse nascido noutro país... (ou Se não fosse português, mas...). O reconhecimento pode ter nacionalidade, mas a arte não. Como universal, está para além dos juízos que acerca dela se tecem, e, sobretudo, muito para além dos «dólares» que ofereçam por ela. É ela, a sensibilidade Universal, que dita o que fica para eternidade e aqueles que «seguramente» são os melhores nas suas criações.
ResponderEliminarA pequenez do nosso país, é usada normalmente para explicar estas situações... não comento mais.
ResponderEliminarTemos personagens interessantíssimas para os biógrafos, o que suponho é que não há muito o hábito de ler biografias dos grandes vultos.
Amadeo (não me refiro ao gato mariola e quintaleiro da Cristina Carvalho) é uma personagem fascinante, noutro país haveria um filme sobre a sua vida (talvez interpretado pelo Johnny Depp).
Sou leitor de biografias, eu... e encontro nelas muita inspiração.
Saudações biográficas cá da Cidade Morena.
(Como a Rosário "vende bem o seu peixe"... Fora de propósito, as dificuldades que tive em encontrar o último livro de Manuel Alegre - "Uma Outra Memória" - nem nas Bertrand's nem nas FNAC's estava disponível...)
ResponderEliminarPara ir conhecendo Amadeo pode também, enquanto vai lendo o livro de Mário Cláudio, ir consultando o site do Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso , cujo link é este: www.amadeosouza-cardoso.pt
ResponderEliminarLá mais para o Verão – quando regressarem as 20 obras que daqui foram para a exposição em Paris – é vir a Amarante e visitar o museu, que tem muita coisa para mostrar. Obras do próprio Amadeo “e não só” – tem também as de muitos outros artistas que foram galardoados nas diversas modalidades ao longo das 10 edições do “Prémio Amadeo de Souza-Cardoso ” ( p.ex . Paula Rego, escultor Alberto Carneiro, sem desprimor para os outros). E muito mais...
Depois é ir ao Café Bar, ali ao lado, e sentar-se à mesa com Teixeira de Pascoaes , que está lá à sua espera...
De facto Amarante é "Amadeo e não só”. Além de Pascoaes tem também Agustina, Alexandre Pinheiro Torres, António Carneiro, a Orquestra do Norte... (sem desprimor para os restantes).
Do Mário Cláudio, apenas li o "Retrato de Rapaz". Não gostei. Escrita muito erudita, aproximações a Camilo mas sem o humor e a ironia deste. Talvez um dia destes volte a tentar o autor, mas confesso que já vou de pé atrás. Muito atrás.
ResponderEliminarGosto demais de Amadeo e gosto desde antes de tudo o que dele sei hoje.Vem-me o gosto de olhar as obras e gostar sem quê, mas com arreigada certeza.
ResponderEliminarArte que o é, mais cedo ou mais tarde, sai de clausura e dá-se ao conhecimento. A nacionalidade pode entravar o processo. Mas não o trava.