Embrulho de luxo

O Manel contou-me que, quando era jovem, muitas editoras portuguesas encomendavam a realização das capas dos livros a artistas e pintores conhecidos e que isto não acontecia apenas com obras de autores importantes, mas também com livros que, à partida, tinham menos prestígio junto do público, como alguns romances policiais publicados na famosa colecção Vampiro, livros de bolso e vendidos a um preço módico. A mim não me ocorreria comprar hoje um livro só por causa da capa (talvez por ser uma insider do mundo editorial e saber que às vezes a capa não espelha exactamente o que é o livro); mas fui recentemente surpreendida por uma colecção de livros que está a ser vendida com o jornal Público a partir do final de Fevereiro chamada justamente Quem Vê Capas Vê Corações, que reúne doze volumes cujas capas originais foram uma obra-prima de inovação e arte, desenhadas por gente que sabia da poda muito antes da invenção do marketing. A série inclui romances de Erich Maria Remarque ou José Rodrigues Miguéis, a par de textos de teor mais ensaístico como Novo Mundo, Mundo Novo, de António Ferro (com capa do pintor modernista Bernardo Marques) ou mesmo literatura juvenil, como Histórias da Minha Rua, de Maria Cecília Correia, com capa e ilustrações de Maria Keil. Belas obras literárias com capas icónicas, em suma. Deixemo-nos tentar pelo embrulho para chegar ao miolo…

Comentários

  1. Acho que vou encomendar o Público, tenho já pouco para ler e sai mais em conta. Obrigada pela dica. As capas? hummm...neste caso também interessam.

    ResponderEliminar
  2. Cláudia da Silva Tomazi7 de março de 2016 às 02:37

    Letras de capa são figurinhas "espantosas" o digo jus't in time a edição.

    ResponderEliminar
  3. As capas são sempre um elemento importante para o público leitor e também para o autor (quem não gosta que os seus livros tenham capas bonitas?).

    ResponderEliminar
  4. Parece-me muito interessante esta colecção.
    Curioso o facto de o primeiro número "NOVO MUNDO NOVO MUNDO" de ANTÓNIO FERRO ter sido lançado com duas versões de capa, uma onde figura um grandioso edifício azul e outra um grandioso edifício vermelho; o leitor poderá assim escolher ou a azul ou a vermelha (ou, o mais certo para os viciados, as duas).

    E ao fazermos esta colecção creio que até nem se correrá o risco de termos muitos livros repetidos (lá em casa) já que as 12 obras que a compõem nem serão dos mais conhecidos e que porventura deixaram de ser editados há já muitos anos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Cláudia da Silva Tomazi7 de março de 2016 às 05:34

      Meu querido Seve, nem todos viaciados (assim por dizer) e são duas cores lindas: tanto uma ou outra.
      Ah, diga-se a "vaidade" Chapéuzinho Vermelho tinha uma linda capa Red quando nem toureira era.

      Eliminar
  5. Desculpem-me a intromissão já que, por acaso, não tem nada a ver com o tema mas trata-se de livros (e talvez interesse à MRP ):
    Acabei de ler do excelente escritor John Williams , BUTCHER'S CROSSSING " e não é que a páginas tantas (não tomei nota do nº. de página) leio estavam enxendo os copos, em vez de enchendo os copos; não queria acreditar mas é verdade como é que uma editora (D. Quixote / LeYa ) lança um livro com um erro deste, é que eu penso que não será uma gralha mas que se tratará mesmo de um erro de quem não sabe. Por vezes já começo a duvidar de mim próprio nesta questão do português, tantos pontapés na língua que ouço e, pasme-se, agora até leio num livro que está à venda ao público! Ou serei eu que estarei errado?

    Só -visto- no BIGUE PICTXOOURE um concurso em hora nobre na principal TV portuguesa, onde por vezes se fala português.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Está enganado. A editora que enxe copos é a D. Quichote.

      Eliminar
    2. Também vi enXeu os pulmões.
      Uma falta de respeito.

      Eliminar
    3. Ó JJ estou a falar a sério, é que com esta coisa do novo Acordo Ortográfico, kom este novo linguajar de bué, com tanta gente fixe, eu às tantas já não sei se sou eu que estou errado e se efectivamente Quichote e enxer estão bem ou mal escritas...é que não estou mesmo a "mangar"...(kual mangar kual carapuça agora é lol ó patego...)

      Eliminar
  6. António Luiz Pacheco7 de março de 2016 às 05:23

    Mestre Lima de Freitas, ilustrou (capeou??? não sentido tauromáquico mas de fazer capa...) muitas e muitas obras, apenas para falar num nome sonante da nossa pintura.

    Na verdade, diz-se no comércio (hoje merchandising) que os olhos comem primeiro... e é verdade! Uma boa apresentação conta bastante, pois o que atrai pode por isso ajudar a fazer uma venda, não no sentido - Que linda capa, vou comprar, mas porque a capa ao atrair pode fazer folhear e suscitar o interesse bastante para fazer a compra, ou pura e simplesmente dizer ao leitor que ali está mais um livro de uma dada colecção, saga, etc. e funciona como cartaz.

    Além de que, uma boa capa pode ser um bom trabalho de arte e ainda ajudar a sustentar quem viva dela.

    Concordo que os livros devem ter capas apelativas e que componham o aspecto do livro, se bem que não devam por si só aumentar o preço para valores impeditivos.

    Claro que não compro livros pela capa, mas gosto de uma capa bonita... e ainda hoje adoro manusear os livros antigos com encadernações de couro lavrado, e gravado... é algo de místico, não sei explicar, como passar as mãos pela fruta, coisa que adoro fazer e ela fala comigo, diz-me coisas sobre o seu estado e qualidade... já os livros não sei o que me transmitem mas dão-me um sensação de volúpia. Porém nunca pensei ir ao psicanalista por causa disso...

    Saudações voluptuosas da Cidade Morena, amanhã é feriado: dia da mulher!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Volúpia em que sentido? Tenho-lhes carinho, estão entre os objectos que mais prezo, mas volúpia...há um certo prazer em pensar nos tempos agradáveis que vamos viver juntos; não sei, a volúpia parece-me uns estádios mais acima.
      Também não será caso de psicanálise. Um exagero vocabular, ou mesmo um fetiche pessoal, admito.

      Eliminar
  7. A capa também se lê. Quando leio a capa de «Judas», penso que o livro se chama OZ.

    ResponderEliminar
  8. Um bom embrulho enobrece um bom conteúdo e vice-versa... O ideal seria que um requisito nunca andasse dissociado de outro. Mas como noutras coisas da vida, também, às vezes, os livros mentem... Bom, nada mais do que uma reflexão, a propósito de livros...

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório