Dia da Poesia
Hoje é Dia Mundial da Poesia e, como poeta que também sou, não podia deixar de saudar as milhentas iniciativas por esse País fora a favor da bela poesia. Não queria, de resto, escolher nenhuma, mas, por ser igualmente letrista, o meu coração inclinou-se de repente para uma actividade que decorrerá hoje, pelas 19h00, na Biblioteca Municipal de Oeiras, organizada pelo jornalista João Morales, que gosta tanto de letras como de música. Então, convido os leitores deste blogue a assistirem a uma viagem de som e imagem em torno de Poesia Portuguesa Musicada, na qual se recolhem e mostram encontros felizes entre poetas e músicos de diferentes géneros e períodos. O cartaz já dá uma boa ideia do que se vai passar. E a entrada é livre, não faltem!
Hoje, num dia em que se evocam as palavras mais perfeitas e aqueles que as respiram, ouso deixar aqui um pequeno texto meu.
ResponderEliminarUm palmo de rosto não faz um caminho
Um sorriso não é suficiente para acender uma estrela
Uma mão estendida não representa uma âncora
Um beijo na boca apenas acende o desejo
Mas um beijo na alma
Mas uma mão apertada dentro da tua
Mas um sorriso misturado com a vida
Mas uma beleza que nasce dos olhos…
São o que basta
Para saberes quem és…
Para saberes o que desejas…
Para saberes onde estás…
Para estares onde pertences!
[Emílio Miranda]
Obrigado por tanta dedicação às Palavras. Bom Dia da Poesia!
Dia da Poesia?
ResponderEliminarAh, Um Soneto
Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear...
No movimento (eu mesmo me desloco
nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.
Há saudades nas pernas e nos braços
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaço.
Mas - esta é boa! - era do coração
que eu falava... e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação?...
Álvaro de Campos
“Eu cantarei um dia
ResponderEliminar*
Eu cantarei um dia da tristeza
Por uns termos tão ternos e saudosos,
Que deixem aos alegres invejosos
De chorarem o mal, que lhes não pesa.
*
Abrandarei das penhas a dureza,
Exalando suspiros tão queixosos,
Que jamais os rochedos cavernosos
Os repitam da mesma natureza.
*
Serras, penhascos, troncos, arvoredos,
Ave, fonte, montanha, flor, corrente,
Comigo hão-de chorar de amor enredos:
*
Mas há! Que adoro uma alma que não sente!
Guarda, Amor, os teus pérfidos segredos,
Que eu derramo os meus ais inutilmente.”
Maria Teresa Horta
in “As Luzes de Leonor”, D. Quixote, 2011, pág. 245.
És poesia! Entre mares, rios e pedras; escolho.
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