De volta

Está à venda desde ontem em todo o País o esperadíssimo segundo romance de João Ricardo Pedro, autor que foi premiado, aplaudido e traduzido em dez línguas quando publicou O Teu Rosto Será o Último, a sua obra de estreia, e que agora regressa com Um Postal de Detroit, um romance avassalador sobre a fronteira que existe entre sanidade e loucura e os laços perturbadores que unem a vida à arte. Em Setembro de 1985 deu-se um choque frontal de comboios em Alcafache. Algumas das vítimas mortais, presas nas carruagens a arder, nunca chegaram a ser identificadas. Nesta obra, a mãe de Marta recebe um inesperado telefonema informando que a mochila da filha – estudante de Belas-Artes – apareceu entre os destroços. Partindo então dos cadernos de desenho de Marta – uma espécie de diários visuais –, o narrador deste romance tenta recriar os passos da irmã nos tempos que antecederam o acidente. E, enquanto o faz, dá-nos a conhecer um leque de figuras absolutamente inesquecíveis, entre as quais se contam prostitutas, boxeurs, polícias e assassinos, mas também anjinhos de procissão, médicos e senhoras caridosas. E, claro, ele próprio – o mais ausente dos cadernos de Marta. Maravilhoso, é o que posso dizer.


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Comentários

  1. António Luiz Pacheco16 de março de 2016 às 03:06

    Ora ainda bem! Se há alguém que tem aguardado ansiosamente a continuação da escrita deste autor, sou eu!
    Infelizmente vou ter de esperar por Agosto para o comprar e ler, mas é dos que não vou falhar!
    Na verdade, detestei "O teu rosto...", que foi premiado, celebrado, divulgado, traduzido... o que me deixou admirado. Mas nem por isso me fez mudar de opinião e nem hesitar em dizer que não gostei! Adoro bolas de Berlim (sem creme!) com presunto, por isso entendo perfeitamente que tenham gostado do referido romance.

    Desejo ao autor, sinceramente, o maior sucesso como vir a gostar deste novo romance. Ficam os meus votos!

    Saudações expectantes cá da Cidade Morena!

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    1. António Luiz Pacheco16 de março de 2016 às 03:08

      PS - As bolas de Berlim (sem creme) gosto de as barrar de manteiga e depois rechear com presunto mas do industrial, corrente... nunca iria associar-lhe o de montanheira, ibérico, Chaves, etc.

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    2. Bolas de Berlim com presunto é receita invulgar, por isso mesmo interessante, ao misturar produtos comuns que normalmente se não associam. Já as cozinhadas do romance me parecem corriqueiras: "prostitutas, boxeurs, polícias e assassinos, mas também anjinhos de procissão, médicos e senhoras caridosas"
      Há que o ler para ver se a cozinha nouvelle vague resultou. Para aqueles que, como eu, não querem deixar o cozido à portuguesa, a feijoada, o galo na púcara...
      JCC

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    3. senhor não-escritor, essa das bolas de Berlim sem creme mas com presunto é a sério ou a brincar?

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  2. O regresso do jovem engenheiro escritor é sempre uma boa notícia ! Um homem na senda do Jorge de Sena. A capa é espetacular !

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  3. Só pela referência aos diários-gráficos já deve valer a pena. Gostei muito do romance de estreia. Espero que continue.
    Se calhar vão dizer de novo que é o romance do tipo que ficou desempregado e começou a escrever.

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    1. António Luiz Pacheco16 de março de 2016 às 05:40

      Ora... e você liga ao que dizem????
      Ahahah!

      Um abraço africanista!

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    2. Claro que não! Foi apenas a referência ao marketing utilizado com o outro livro e já saturava de ouvir - "Engenheiro desempregado".
      Abraço!

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  4. Boa notícia e já li um trecho no DN de ontem. O primeiro livro li-o e reli-o, e pôs-me a perscrutar à lupa quadros do Bruegel a ver se encontrava uma mulher sem perna. Foi o próprio autor que me esclareceu simpaticamente qual o quadro em causa. Desta vez, parece que tudo se inicia com o desastre de Alcafache, bem presente, pelo horror, na lembrança de muitos e resta saber como se cruza com Boston. Acontece que o nome do famigerado apeadeiro acabou presente, por um estranho desígnio, na minha descendência, fait-divers que nada tem a ver com o caso, mas acresce a minha curiosidade.

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  5. Emílio Gouveia Miranda16 de março de 2016 às 10:17

    Para ler.

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  6. Gostei do primeiro romance. Quero comprar o segundo. Penso que o escritor tem feeling.

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