Domínio público

Trabalhei numa editora que, até à minha entrada, se dedicara exclusivamente a realizar colecções de livros para serem vendidas ou oferecidas com jornais – uma espécie de rebuçados que levavam muitos a adquirir os diários e semanários que estavam precisados de leitores. Não sei se as pessoas interessadas nos livros dados ou comprados a baixo preço também liam as notícias, mas sei que havia um factor que contribuía decisivamente para a selecção de determinados títulos: estarem no domínio público. Quer isto dizer que os respectivos autores tinham morrido há, pelo menos, setenta anos – altura em que os herdeiros perdem – desculpem-me o mau jeito nas palavras – direito aos direitos de autor. Pois bem, na febre que parece haver agora de fazer listas de livros a propósito de tudo e de nada, um site disponibiliza dezoito livros que todos devemos ler antes de morrer, assinalando que não temos desculpa, uma vez que se trata de livros gratuitos – ou, melhor, no domínio público. Entre eles, estão, evidentemente, A Divina Comédia ou Dom Quixote, Hamlet ou Os Miseráveis, Orgulho e Preconceito ou Moby Dick. Muitos dos referidos estão à venda nas nossas livrarias, mas o site oferece links para descarregarmos as versões digitais, julgo que nas traduções brasileiras. Atreva-se, se quiser.


 


http://ncultura.pt/18-grandes-livros-gratis-que-voce-deve-ler-antes-de-morrer/

Comentários

  1. Realmente... ele há listas para tudo que temos de fazer antes de morrer: são livros que temos de ler, lugares que temos de visitar, coisas que temos de fazer, que comer, beber, ouvir... sei lá!

    Raios partam estes apóstolos!!!! Quem diabo lhes diz que aquilo que para eles é, tem de ser para mim?

    Então imaginem que eu ache que ninguém pode morrer sem ver uma actuação do Perera! Sem caçar uma perdiz a salto com cão, sem ir à faca a um agarre de javali, sem enfrentar uma carga de búfalo, pegar um toiro, caçar um mero a 20 metros de água...
    Sempre quero ouvir o coro daqueles que não sentem nem vibram como eu...
    Porque carga de água é que há-de ser "listável" um livro que eu não grame? São capazes de me dizer? Ou é mesmo a mania de querer conduzir os outros e de os fazer como a nós mesmos?

    Não obrigado, eu decido o que tenho de ler ou ver ou fazer, por mim mesmo!

    Aceito conselhos, tal como os dou... nada mais!

    Saudações saudáveis cá da Cidade Morena!

    PS - louvável essa da oferta dos livros, tenho muitos que assim foram sendo obtidos e confesso que até nem os compraria se assim não fora.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A literatura é isso: liberdade total de escolha ! Ninguém é obrigado a ler a Ilíada. Literatura é puro prazer, mesmo que às vezes seja doloroso chegar a um prazer supremo.

      Eliminar
  2. Fui ver... e, tenho de dar a mão à palmatória, são grandes livros todos eles! Só não conheço o dos sertões, mas provavelmente iria gostar...

    No entanto, nem por isso são para mim livros que tivesse que ter lido... por exemplo, "Expedição Mohana" de Bernard Gorsky, "Por quem os sinos dobram", "Homens e ratos", "Bairro da lata", "Ilhas na corrente", "Cambaco" - José Pardal, "A ilustra casa de Ramires", "A morgadinha dos Canavias", "Contos da Montanha", "Tereza Baptista cansada de guerra", "A selva", "Andam faunos pelos bosques", "Kináni - quem vive?", "Entre Cós e Alpedriz", "Movimento perpétuo", sei lá quantos mais poderia eu dizer que são livros que tinha que ter lido????? Mas... e quem mais?

    Não, não me convencem apesar de tudo!

    ResponderEliminar
  3. Cláudia da Silva Tomazi12 de fevereiro de 2016 às 04:18

    Queridinho ALP mais vale o gosto e concordo consigo, particularmente de Victor H. especialmente Trabalhadores do Mar.

    Ah, simplesmente escritores quando constam em listas fazem qualquer obra decolar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigado pela sugestão do "Trabalhadores do Mar", livro de Victor Hugo que eu desconhecia e que me deixa curioso. Irei procurá-lo na biblioteca que frequento.

      Eliminar
    2. Concordo com a Cláudia e direi mesmo mais... uma obra quando obrigatória, torna-se contraproducente... antipática, é uma imposição, por muito boa que seja!

      Quanto ao Trabalhadores do mar, é mais uma entre as quatro ou cinco mil obras que todos deveríamos ler antes de morrer... ahahah!

      Sem dúvida um clássico do Mestre, e a descrição da luta entre o protagonista e o polvo, é digna de ser destacada! Se bem que a imaginação supere a realidade... mas também Verne usou essa imagem da luta homem-polvo! Eu, só luto com aqueles que na versão à lagareiro, cozidos, à galega ou em salada, se tornaram demasiado rijos!

      Um grande livro sem dúvida... como O pescador de Islândia, para citar outro dentre os tais 4 ou 5 mil...

      Saudações moluscais e ocotopédicas cá deste lado do Atlântico Sul.

      Eliminar
    3. Pois eu não concordo com os dois. Há uma fase da vida em que o gosto determina a leitura. E uma outra em que se lê o que se gosta mais e também os tais livros que são clássicos, calhamaços que imaginamos uma chatice e depois se revelam outra coisa. E não os lemos por estarem numa ou em dez listas, mas por considerarmos que, entre tanta oferta, são merecedores do nosso tempo e até da nossa carteira.
      Além disso o gosto amplia-se ou certifica-se com novas experiências de leitura. E à medida que os anos nos carregam, vamos expandindo a apreciação nem tanto quanto a géneros literários para os quais admito, temos preferências específicas, mas passamos a aplicar novos critérios às mesmas obras e a valorá-las noutros âmbitos. Há 40 anos a Ilíada não me valia o que vale hoje.

      Eliminar
    4. Ó AA - qualquer livro do VICTOR HUGO é absolutamente imperdível!

      -"O HOMEM QUE RI" ursus era um homem, homo era um ursus ...)
      - HAN DE ISLÂNDIA"
      -.......

      Eliminar
    5. Concorda sim senhor! Acha é que não... apenas porque diz as coisas de outra maneira... mas concorda, desculpe lá!

      Primeiro, porque nenhum de nós disse o contrário do que afirma - tempo/idade x leitura. É tão óbvio, mesmo para nós, que nem valia a pena referi-lo.

      Segundo, porque também dizemos que não lemos por estarem numa lista...

      Ora essa... que mania de discordar, ou então entendeu mal o que dissemos, desculpe lá!

      Saudações concordantes da Cidade Morena.

      Eliminar
    6. Prefiro pensar que é mania de discordar. Afecta menos a inteligência e mais o carácter.

      Vou só acrescentar mais uma coisinha sobre o meu defeito: penso que os livros intemporais devemos esforçar-nos por lê-los. Mesmo que pareça que não nos apetece. E, às vezes só os descobrimos porque existem listas.

      Este blogue o que é senão a mostra de um conjunto de leituras possíveis?!

      Eliminar
    7. Bem ripostado!

      E perdoe o meu tom de brincadeira, que de modo algum pretendia ser desrespeitoso, prezo demasiado a sua opinião, minha Cara Beatriz!

      Porém, volto a questionar, quem é que decide ou pode em boa e honesta consciência decidir quais obras são intemporais? Voltando ao seu argumento, a intemporalidade não existe para algumas obras... mas é o tempo que as torna intemporais, se é que me consigo explicar.

      Portanto algumas obras com 200 anos são intemporais, mas obras com 20... ainda não podem ser consideradas como tal, digo eu... falta-lhes justamente tempo...

      Saudações fim de semanescas cá da Cidade Morena, com luz, Sol e praia na magnífica Baía Azul

      Eliminar
  4. De vez quando saco na net um livro a partir do site do projeto Gutenberg. Infelizmente são só em inglês. Alguém sabe qual o melhor site na net de livros de domínio público escritos em português?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. http :/ www.projetolivrolivre.com /
      Não é certamente o melhor...

      O corpus é muito discutível. Dá-me jeito para pesquisas mais do que para leitura.

      Eliminar
    2. Cara Maria Alzira,
      Já dei uma olhada. É espetacular ! Obrigado.

      Eliminar
    3. Só uma pequeníssima corrigenda: onde se lê Alzira, deve ler-se Almira.

      Eliminar
    4. http://projectoadamastor.org/listageral/

      Eliminar
    5. Sorry ! (como a compreendo: também sou tratado com frequência por Raul em vez de Artur)

      Eliminar
  5. Obrigada pelo link. Se não forem traduções brasileiras, sou capaz de descarregar Moby Dick que não li e nem vi em filme e A Divina Comédia de que não fiz leitura integral.
    Bom Fim de Semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Já agora, sobre o Moby Dick, não sobre o livro mas sobre a sua génese, esteve (ainda estará?) nos cinemas um filme interessante chamado "No Coração do Mar".

      Eliminar
    2. Ando justamente a ler o livro "No coração do mar", é bom e muito interessante, sem a magia de Herman Melville, mas muito bom...

      Sabe que já me sucedeu estar na água com baleias? De bossa, cachalotes e sardinheiras...

      Eliminar
  6. Já fiz muitas colecções destas e algumas com muito boa qualidade, tanto gráfica quanto de selecção de títulos, a baixo preço. Iniciativas que colocam o livro ao alcance de muita gente, para quem as edições recentes acabam por ser caras.
    Iniciativas como estas são, a meu ver, de louvar, se bem que muita gente que se queixa do preço exagerado do livro - com alguma razão, refira-se - não procura verdadeiramente o que ler, mas poder comprar o livro da moda, o mais recente nos escaparates e, como tal, também não compra estas edições a «bom preço» e com excelentes títulos. Moby Dick, O Nome da Rosa, O Senhor das Moscas, entre outros de autores de renome, e alguns até premiados, são muitas vezes oferecidos ao grande público em colecções destas. Por mim, muito boas iniciativas, que democratizam o acesso ao livro e à leitura.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório