Correntes d'Escritas
É hoje, é hoje! Sim, é hoje que começam aqueles dias mágicos que todos os anos nos permitem respirar das indisposições com o País e o mundo, ou seja, as Correntes d’Escritas. São mais de 75 escritores convidados de 11 países falantes de português e espanhol – com muitos repetentes, claro (desde logo, Luís Sepúlveda, Manuel Rui e Inês Pedrosa que, tanto quanto me consigo lembrar, estiveram na primeira edição do encontro, sendo por isso pioneiros), mas também alguns estreantes, como o jornalista João Miguel Tavares, o escritor de viagens Tiago Salazar, a poetisa Matilde Campilho e o romancista espanhol Andrés Barba, de quem referi há bastante tempo aqui no blogue um livrinho notável intitulado As Mãos Pequenas. A sessão inaugural estará desta feita a cargo de José Tolentino Mendonça e seguir-se-ão até sábado doze mesas com os vários participantes, a última das quais já em Lisboa, no Instituto Cervantes. Mas, além dos escritores, temos filmes, exposições, projecção de fotografias dos anteriores encontros pela mão do genial Daniel Mordzinski, visitas a escolas e até momentos de grande humor, pois os membros do Governo Sombra são todos convidados destas Correntes. E, evidentemente, saberemos por volta do meio-dia de hoje quem é o vencedor do Prémio Literário promovido com o apoio do Casino da Póvoa. Razões mais do que suficientes para eu estar bastante entretida durante uns dias…
É a Festa da Escrita ...
ResponderEliminarUm dia irei assistir... prometo a mim mesmo, com a inveja da distância.
Não sei porquê vêem-me à idéia estas palavras:
Tocam os sinos, na torre da igreja, há rosmaninho e alecrim pelo chão!
Na minha aldeia, que Deus a proteja, vai passando... etc.
Não sei o autor, só o declamador... mas é um lindo poema e adequa-se, não?
Saudações saudosas cá da Cidade Morena!
António Lopes Ribeiro
EliminarO cineasta?
EliminarNão sabia de todo e nem lá chegaria... obrigado pela informação!
Fantástico Vilaret!!!!!
Pensando melhor... aquilo parece mesmo o guião de um filme pela forma como descreve e afinal dá imagens tão nítidas, com os bigodes e sobrancelhas dos irmãos da confraria, do prior encalorado... os anjinhos...
EliminarO Kusturica podia inspirar-se num guião assim!
Saudações cinéfilo-literárias da Cidade Morena.
Extraordinário, de António Lopes Ribeiro, Extraordinariamente declamado pelo inigualável João Vilaret:
Eliminar- Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.
Mesmo na frente, marchando a compasso,
De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço,
Logo o trombone faz popó, popó.
Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.
Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.
Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!
Ai, que bonitos que vão os anjinhos!
Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa!
Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.
Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!
Com o calor, o Prior aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!
Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Já passou a procissão.
É um poema lindíssimo, de bucolismo e ingenuidade, aldeãs...
Estarei lá. Como auto-convidado, claro.
ResponderEliminarOlha o penetra!!!!!
EliminarAhahah!
Abraço cá destas bandas.
Hummm...o jeito que me dava ir-me esquecer por uns dias que existo, existindo mais que nos outros. Mas o que não pode, não pode. E pronto. Porém, quem sabe no dia 2 no Instituto Cervantes seja possível. É um bom número.
ResponderEliminarEspero que não seja de entrada limitada aos participantes da fase anterior. Não encontrei informação acerca de.
Então...divirta-se. E que As Correntes liguem as pessoas e acorrentem à leitura