Votar? Não.
Recentemente, o Diário de Notícias foi medir o pulso à juventude e inquirir alguns dos que votariam pela primeira vez nas próximas eleições presidenciais sobre as suas opções, esperanças e opiniões. Digo «votariam», e não «votarão», porque o desinteresse patente nas respostas é tão gritante que a maioria dos inquiridos não conhece sequer os candidatos (incluindo o Professor Marcelo, que aparece na televisão há anos em horário nobre pelo menos uma vez por semana; o melhor que o jornalista conseguiu dos jovens foi «Já ouvi falar.» ou «Sei quem é, mas não sabia que era candidato»). Dois estudantes da Faculdade de Medicina do Porto (um transmontano e uma açoreana) dizem que estudam Anatomia dez horas por dia, não vêem televisão há séculos e a política não lhes interessa, pelo que não fazem tenções de ir às cidades onde estão recenseados só para votar. Mas não se pense que é a exigência dos exames que se aproximam que os afastou de poder/dever participar nos destinos da nação; dizem estes e outros entrevistados que não têm nada que ver com política, não percebem patavina do assunto e até é bom não irem votar, porque podiam fazer asneira, dada a sua falta de consciência política. À pergunta se é de esquerda ou de direita, uma rapariga de 21 anos que estuda na Faculdade de Letras afirma ser de direita «por uma questão familiar» (hereditariedade?), mas que não fala de política com os amigos nem sabe o que eles são. Safa-se uma estudante de Psicologia, que se diz de esquerda e louva o aparecimento de candidaturas de mulheres. É a única do grupo que vai às urnas. A abstenção louca a que temos assistido – e que vai sempre aumentando – tem seguramente aqui parte da sua explicação. Será que daqui a uns anos valerá a pena imprimir boletins de voto? Francamente, não sei. Terá a juventude de sofrer na pele para perceber que a política lhe diz respeito? Espero que não.
Penso assim, e, sem menosprezar nem adejctivar as gerações jovens que são referidas:
ResponderEliminar- Informados? Pouco, mesmo muito pouco... a informação que possuem constato ser "muito pela rama" e muito dirigida aos seus interesses pessoais, mas feita sobretudo de consultas a terceiros de quem decalcam ideias e citações, também eles normalmente pouco informados e menos esclarecidos! A informação que se apregoa é um mito urbano e uma das maiores falácias da actualidade, os jovens informados apenas pelo que lêem nas redes sociais.
- Pouco participativos. Estão habituados a que tudo lhes seja feito, pela net, no computador, os pais... portanto tudo lhes é dado/oferecido/está presente com um mínimo de esforço.
- Não dão valor a quase nada, pois tudo lhes está garantido, seja a liberdade sejam os direitos pelos quais nem sequer pugnam, salvo os que lhes dizem directamente respeito como sexo, drogas, lazer...
São aquilo com que os políticos sempre sonharam, e se afadigaram no último século para tornar a sociedade... uma massa que possam ser conduzidos por alguns, feitos à medida para conduzirem os demais...
No entanto, quando tinha 20 anos, fui um pouco assim... não fomos quase todos em dado momento ou idade?
Será que estes ultrapassarão a sua crise de alheamento e evoluirão no sentido de tomarem em mãos a sua existência, com direitos e deveres? Ou abdicarão de tudo, deixando isso ao critério de um qualquer Grande Irmão que os mantenha sempre em festa?
Saudações preocupadas da Cidade Morena
O que dizer de tudo isto? Bom, na verdade, não sei. Mas muito haverá a conjecturar... Contrariamente ao hábito criado de tudo criticar (parece ser sinal de eloquência e sentido de opinião apurado - ah, quando digo criticar, digo no sentido pejorativo, que parece ser o mais apetecido por estes dias) instalou-se um sentimento de «deixa andar», sinal porventura de que afinal as coisas não estarão tão mal assim, ou então de uma total pobreza de opções, mas também de capacidade de decisão. Sim, porque decidir significa assumir um risco, tomar uma posição, manifestar não apenas uma opinião, mas defendê-la...
ResponderEliminarComo vem sendo hábito continuamos a ser o povo do 8 ou do 80, do sim ou do não. E julgo que esse é a nossa maior fragilidade. Já os antigos diziam que no meio se encontra a virtude, mas nós parecemos só saber caminhar nas margens. Por isso, como de resto em tudo, também aqui somos capazes de sair à rua para barafustar por tudo e depois não assumir a responsabilidade por uma decisão.
É esta característica, de resto, que tem ditado que alguém faça um risco que o seguinte, em vez de melhorar, apaga. Durante anos, passou-se num determinado caminho, mas se um dia alguém tropeça e se magoa nesse caminho, fecha-se o caminho, em vez de se melhorar...
Bom, se calhar variei um pouco o sentido do comentário inicial. Mas a conclusão a que chego é que somos muito preto e branco, por mais que nos vejam como cinzentos.
Errar também é uma opção e um dever. Só os que não optam, logo, não tomam uma posição, não erram. Mas o erro é parte da nossa natureza. Apesar de muitos criticarem com muita veemência, normalmente sem olharem para si próprios e sem terem a coragem de afirmar uma posição concreta. É isso que o voto é: a afirmação de uma posição pessoal e de uma decisão intransmissível, mesmo que passível de erro. O EU activo é o que, julgo, muito nos falta hoje. Isso é que é - julgo eu - a verdadeira definição de liberdade, de livre arbítrio.
Votarei, enquanto puder! Quero poder dizer: Errei! Em vez de: Erraram. Eu não, porque não tomei aquela ou qualquer decisão.
Sim, a juventude terá de sofrer na pele para aprender a valorizar o bem que tem e por que muitos sofreram. Mas nem todos os jovens são iguais, há antíteses do que afirmou. No entanto, também é verdade que a maioria deles vive alijada da política. Por incrível que pareça, entendo-os, têm outros interesses e mais imediatos; além disso, o mundo dos adultos "feitos e maduros" está a mandá-los emigrar e pouca chance lhes deixa por cá.
ResponderEliminarConsidero por exemplo que a juventude do meu tempo era mais politizada e no entanto, se olho para trás, reparo que também não estávamos assim tão interessados nos discursos dos políticos e que votávamos mais pelo prazer da novidade. Exigir consciência política coesa aos jovens nem sequer me parece natural.
Retrato perfeito do que nós, insiders, vemos todos os dias diante dos nossos olhos...
ResponderEliminarÉ esta a próxima geração a trabalhar, a opinar, a votar neste país. Muitos serão governantes.
ResponderEliminarAté dói.
Cristina Carvalho
Uma boa parte não, esses lugares estão destinados aos "jotas". E esses votam...
EliminarOs governos em Portugal, sejam de esquerda ou de direita, mostram-se, no essencial, conservadores ou impotentes, pouco querem ou podem mudar. São adeptos do ramerrame, da "gestão de influência", e fizeram também de nós gente viciada em ramerrame. Já interiorizámos que estamos sujeitos a uma dinâmica politico/económica que vem de fora e nos submete implacavelmente, seja ela vinda da CE, do FMI, da troika ou das multinacionais financeiras. Para quê votar se pouco da nossa vida muda com a mudança de quem nos governa ? A maioria dos jovens já percebeu isso. Assim, o seu tempo pessoal é para investir no desenrasca individualista. Não deixa de ser uma resposta inteligente à realidade concreta portuguesa.
ResponderEliminarInteressante ponto de vista, aliás como de costume... dá que pensar!
EliminarÉ interessante, também, esta ideia muito nossa de que somos vítimas dos políticos que temos, o que não deixando de ser verdade, camufla uma outra verdade que seria muito mais importante admitir e encarar: de que os políticos que temos são o reflexo dos cidadãos que somos; que os políticos que nos governam são, em grande medida, o reflexo dos governados que somos, e que muitos dos defeitos que lhes apontamos, nós próprios praticamos eventualmente em menor grau de gravidade, mas praticamos.
ResponderEliminarTenho a ideia de que os políticos não são extraterrestres . Saem do meio de nós e só mudarão quando nós - todos - mudarmos. E não o contrário, como muitos, passivamente aguardam que aconteça.
Dizer que temos os políticos que merecemos pode parecer um pouco sarcástico, mas, estou plenamente convencido, verdadeiro.
Bem observado e é no entanto comum dizer-se isso, se me permite... porém eu tenho uma opinião algo diferente: O problema reside no facto de que os políticos (ainda na monarquia) nunca gostaram do povo! Sempre governaram contra ele e tiveram como objectivo fazer de nós outro povo que não portugueses... quiseram e ainda pretendem fazer-nos ingleses, franceses, russos, albaneses, finlandeses, gregos... nenhum prócer, político ou intelectual gosta do seu povo, daquele que ouve o T. Carreira, vê novelas, vai às feiras, gosta de vinho, praia e sardinhadas... esse o grande problema! Apareçam políticos, mínimamente inteligentes e não cromos de Rans, que assumam uma parte da nossa pirosice endémica e genética, fora outras características psicossomáticas muito nossas, se bem que discutíveis, e teremos quem sabe se um povo feliz e um país mais luminoso!
EliminarSaudações de um piroso na Cidade Morena
Pois... respeito a opinião que, quanto a mim, sim, é aquela que normalmente é defendida, porque nos responsabiliza a todos, cidadãos. Não estou com isto a dizer que não somos um povo generoso, abnegado, trabalhador, etc., etc., mas quando descemos os degraus das escadarias de poder, verificamos que nos níveis mais baixos se cometem o mesmo tipo de erros, falhas e, até, desonestidades. Não é o tamanho que importa, é o acto em si... Mas, enfim, esta discussão levar-nos-ia muito longe e reconheço que não é consensual, mas a verdade é que vivemos num mundo de acção/reacção. Faz-se o que é permitido e fazem-nos o que permitimos... Por isso, lamento, meu caro, mas mantenho que os políticos só mudarão quando a massa mudar e não o contrário. Abraços e obrigado pelo seu comentário.
Eliminar* nos desresponsabiliza a todos - assim sim!
EliminarBem argumentado, mas, o que é mais fácil?
EliminarMudar todo um povo, ou mudar os políticos?
Eu cá sei qual a resposta, e, mudava-os a todos sem qualquer sombra de dúvida, eles que fossem governar nos países e povos em que pretendem tornar-nos e são seus modelos.
Um abraço e é um gosto trocar ideias!
Olá, boa tarde a todos!
ResponderEliminarEu que sempre votei e que tenho desde há muito uma ideia, uma bússola ideológica pela qual me rejo (mas que nem sempre obedeço) deixo aqui uma pergunta:
Será que a responsabilidade desta ignorância é só deles, desses jovens demasiado "ocupados" e distraídos?
Existe no programa de educação alguma matéria relativa à ética e cidadania?
Porque o que temos visto é toda a gente ir votar à espera de que eles (os políticos) tenham uma panaceia milagrosa e resolvam todos os problemas.
E já que estamos nisto, será que alguém distingue estratégia e tacticismos de ocasião de metas a atingir?
Qual é a estratégia política dos partidos da Assembleia para o país? Há sequer alguma ideia comum a todas essas "ditas" estratégias? Alguma coisa que sirva de ponte?
Não me venham com histórias, alguém está interessado em fazer desta geração um monte de distraídos sem noção mínima da realidade e do que é essencial.
Tenho dito... Abraço a todos
P.S. Afinal era mais do que uma pergunta...
EliminarUm tio meu dizia, nos anos 1980, que só se deixava tratar por médicos que tivessem mais de 50 anos, porque não acreditava na geração feita adulta nos anos 60,70, por razões muito parecidas com as apontadas: empatia, falta de cultura e de responsabilidade. Hoje, mais de trinta anos passados, continua a haver bons médicos de todas as idades e os veteranos são precisamente os da geração que o meu tio desprezava.
ResponderEliminarDaqui a 20, 30, 40 ou mais anos continuará a haver bons médicos, bons professores, bons advogados, bons escritores, etc. Não acredito nestas profecias da desgraça!
Além disso, não esqueçamos que nós, de 40, 50 ou 60 anos, somos muito mais responsáveis pelo estado atual do mundo do que quem nasceu nos últimos 20 anos!
E pronto... lá me caiu certamente o Santo António do altar abaixo!!!!!
EliminarTem toda a razão Cristina, eu da geração de 70, gadelhudo, freack, anarca, fui dado como perdido na família... porém logo aos 21 o que fiz foi sair de casa e ir para os Açores viver da pesca, para mostrar algo a meu pai... interveio a autoridade do avô, houve paz e fui estudar para Évora, mas assim que tive cadeiras para a habilitação suficiente, comecei a dar aulas... tinha 23 e já votava, levei com manifs em Santarém (onde mataram o filho do Teixeira), depois em Évora no Verão quente e fui apedrejado na campanha do Eanes e depois fui ao primeiro comício do CDS em Beja, eu, ex-anarquista... nunca fui político mas nunca deixei de participar e de me interessar. Ser anarquiata foi uma forma de ser do contra sem ser fascista!
E já que estamos num blog de literatura, lembro um título de Saramago - Levantados do chão! Creio que é o que melhor se aplica...
Serão só os novos? Com uma abstenção de 50 ou 60 por cento, com certeza que não são só os novos. Infelizmente, ainda não perceberam que tudo é político. Ter medo de errar, faz-me lembrar, aqueles que não fazem nada para não errarem!
ResponderEliminarJá de futebol, todos sabem tudo e raramente se enganam.
Enquanto poder, votarei sempre, sem medo de me enganar, porque errar humano é. É um ato de cidadania.
Na minha opinião, e sem querer estar a julgar todas as pessoas que disseram o contrário, acho que não deveríamos parar de votar. As decisões do país também são tomadas por parte do povo. Todas as pessoas, com mais de 18 anos, têm direito a votar. Visto que em Portugal temos essa sorte, deveríamos usufruir dela. Muitos outros países não podem votar e eu, que sou mulher, tenho imensa pena das mulheres e homens por todo o mundo que não podem manifestar a sua opinião. Nas últimas eleições, referentes ao Governo, menos de metade da população não votou, isso é um facto preocupante. Por esse motivo volto a citar que não podemos parar de votar. Um último detalhe é que eu, a autora deste comentário em relação ao direito de voto, tenho 12 anos.
ResponderEliminarMuito bem, mulherzinha.
EliminarAgradeço-te por me dares um pretexto para recomendar que aproveitemos para eleger uma mulher para o cargo de Chefe do Estado.
Isso, que por enquanto é raro, seria um enorme avanço na Democracia.
Como tal, seria muito prestigiante para o nosso país.
E, por isso mesmo, seria um acréscimo de responsabilidade para nós, cidadãos (eleitores) - e também para a Presidente eleita por nós.
Portanto, seria mobilizador, passaríamos todos a ser mais atentos e intervenientes.
Não te parece?
Não se recomenda eleger uma mulher para o cargo de presidente da república só porque nunca houve nenhuma, por ser tempo de um ar de modernidade, porque de repente os portugueses querem mostrar abertura mental ou algo assim. Tem que ser alguém que o mereça, de indiscutível valor e que o exerça dignamente, de que o país necessita e que pode prestar bom serviço (e não nos envergonhar, como faz quem o ocupa agora). Em nenhuma das elegíveis encontro a mistura de ingredientes satisfatória.
EliminarA Beatriz que me desculpe, mas eu não recomendo que elejamos uma mulher “só para dar um ar de modernidade”, etc.
EliminarQuanto aos critérios da Beatriz para escolher em quem vota, diz-me a experiência que só a posteriori é possível verificar se a pessoa que elegemos tem ou não, afinal, aquela “mistura de ingredientes” vagos, abstractos e subjectivos que, para a Beatriz, seria “satisfatória”.
Olhando com os seus critérios para os oito homens elegíveis, para mim é claro que a eleição de qualquer um deles será mais do mesmo, será a banalização do cargo de Presidente.
Pelo contrário, para mim é evidente que a eleição de uma mulher seria um passo em frente, que prestigiaria, fortaleceria e consolidaria a nossa Democracia. Seria uma espécie de novo 25 de Abril.
Em consequência, nós, os cidadãos – e também a Presidente por nós eleita – ficaríamos todos com responsabilidades acrescidas.
E isso é que é importante para o país.
Extraordinário Jordão, respeitando e entendendo a sua posição, todavia discordo, concordando absolutamente com a nossa Beatriz!
EliminarEleger um homem ou mulher tem de ser pelo seu perfil e competência, pela capacidade!
Votar por "clubismo" ou por razões similares nas quais se enquadra o conceito homem/mulher não me parece um voto esclarecido e objectivo.
Veja que - e é um facto - há apoiantes do PC (e conheço dois!) que não vão votar no candidato comunista e sim no, imagine-se: Prof. Marcelo!
Disseram-me abertamente que o candidato do PC é a velha cassete que devia estar hà muito enterrada, um pretexto para o PCP fazer ruído já que nunca elegerão o candidato como muito bem sabem. Criticam que se faça campanha como se o Presidente fosse governar, que não vai. Em compensação acham que o Prof. é um homem com competências e acreditam nele, caiu-lhes bem ele afirmar que os seus adversários são os problemas dos portugueses... acham a M.Matias uma "betinha a fingir que é proletária" e a M. de Belém uma "tia" inútil. Ao Nóvoa... chamam-lhe traidor, pura e simplesmente...
E esta?
Um dos meus amigos comunistas tem 67 anos e o outro tem 32 ... quem diria? Um é reformado da função pública e o outro é professor de história. O mais novo, alentejano é de uma família com fortes tradições e militância comunista.
Note que não voto nas presidenciais por uma razão de coerência por ser simpatizante monárquico.
Sou dos que acreditam na igualdade e competência de ambos os sexos neste caso concreto (outros há em que as diferenças possam ser determinantes).
Votar numa mulher só porque é mulher e se quer dar esse aspecto "democrático" (?) é pelo contrário o assumir do "coitada, vamos lá dar uma hipótese a quem é mulher...", e isso é uma perversão, no meu pensar.
Acha que a Assunção Esteves tornou o Parlamento mais democrático?
Não me parece...
Um grande abraço cá da Cidade Morena
Lamento não me ter feito entender.
EliminarA minha proposta não é, como diz, a de “votar numa mulher só porque é mulher”.
A proposta é que aproveitemos o facto de haver mulheres disponíveis para a eleição.
E aproveitar o facto de essas mulheres não se candidatarem apenas para, à semelhança de uma parte dos candidatos, fazer folclore.
Elas têm, inegavelmente, perfis de seriedade, dedicação, competências, capacidades – como sucede com a outra parte dos candidatos.
Na verdade, seja quem for que vá ocupar o cargo, que remédio terá senão aplicar-se o melhor que puder no seu desempenho. No fim do mandato cá estaremos para avaliar.
Assim sendo, acho que é de aproveitar a ocasião para assumirmos a responsabilidade de fazer a nossa Democracia dar o tal passo em frente que a prestigiaria, fortaleceria e consolidaria.
(Note que eu, apesar de também preferir a monarquia, voto nas presidenciais por uma razão de coerência com o facto de viver numa república que, por ser democrática, me dá o direito de votar para a escolha da pessoa que vai temporariamente chefiar o Estado – cargo que eu, no entanto, preferiria que tivesse uma outra estabilidade e uma legitimidade de outra natureza, que não meramente política. E, já que vou votar, que isso ao menos contribua para fortalecer a democracia.)
Um abraço.
Entendidíssimo meu Caro e Extraordinário Comparsa... aliás sempre muito apreciado nas suas preclaras e sápidas (de sapo... ahahah!) opiniões!
EliminarAssim sim! Se calhar eu também percebi mal e confesso que me admirei... nem parecia coisa sua!
Um sincero abraço de reconhecida e assumida amizade cá da Cidade Morena!
PS - Em Janeiro estive num soberbo jantar no "Rochedo", em Priscos... estimo que numa próxima oportunidade possamos juntar-nos em Amarante!
Continuo a discordar. Não me revejo em nenhuma das candidatas ainda que encontre em Marisa Matias força e juventude, o que não significa que venha a ser boa presidente. Julgo antes que onde está presta melhor serviço. E no meu critério o 25 de Abril não é sexista; o que o caracterizou, penso, há-de ter sido a ideia de escolher em liberdade quem nos governa e cada um se conformar à vontade da maioria; de, por fim, encontrar verdades escondidas e propositadamente escamoteadas; de poder dizer sem medos e pensar sem peias; de , enfim, possibilitar ao povo melhor vida.
EliminarE não penso nem por sombras que os candidatos homens sejam todos iguais (ninguém é igual a nin guém), ainda que alguns fossem bem dispensáveis, tal o folclore de que se rodeiam e que a mim só envergonha.
Pois, cara Beatriz, muito me agrada que continuemos a discordar. É saudável.
EliminarPermita-me esclarecer que eu não disse que os candidatos homens são todos iguais. Distingui entre a parte deles que andam a fazer folclore e a outra parte deles que têm perfis de seriedade, dedicação, competências, capacidades.
E, neste critério, parece-me indiscutível que nenhuma das duas mulheres candidatas anda a fazer folclore.
Permita-me também referir-me à sua afirmação de que, no seu critério “o 25 de Abril não é sexista”.
Pois eu não disse que é.
A sociedade é que é, histórica e culturalmente, sexista – se bem que, graças à Democracia, estejamos a evoluir nessa matéria.
Falta apenas consumar definitiva e irreversivelmente a igualdade entre homens e mulheres.
Ora, para assinalar e consolidar essa conquista da Democracia, seria exemplar que (sem desprimor para os candidatos homens) elegêssemos uma Senhora Presidente da República.
Não vejo qual seja o problema.
Melhores cumprimentos.
Eu apenas repito o que já disse; as duas senhoras podem não fazer folclore (não sei tudo que diz Maria de Belém porque a senhora causa-me urticária mental), mas não servem. Além disso há qualquer coisa de perverso em haver tanto candidato e tão pouco interesse por eles. Estamos todos fartos de campanha presidencial. Será apenas porque perdemos a capacidade de saudável indignação e andamos abúlicos e palermas a deixar que nos comam as papas na cabeça?! Ou será por estarmos saturados de que aconteça e não vermos hipótese de fim a este mau filme pago a contragosto pelos figurantes.
EliminarNão que eu tenha qualquer resposta para além do apelo ao voto, única oportunidade que nos é dada para escolher.
Pois seria. Mas antes do sexo que calha a cada um está a competência para o cargo a que concorre. Que, desculpem os apoiantes de Maria de Belém, por mais que espreite, não lhe encontro (não deve ser por eu ser míope que tenho o cuidado de pôr os óculos). Não sendo particular apologista de Clara Ferreira Alves, devo dizer-lhe que acertou no diagnóstico da candidata e sem ofensa: Maria de Belém é uma questão de falta de talento. Acredito que seja uma funcionária capaz, uma pessoa talvez de bom coração, e com capacidade de trabalho - é crença, não observei de nada por aí além quando foi ministra da saúde, sendo verdade que sei o que os órgãos de comunicação mostravam. Porém, a campanha que anda fazendo não a dignifica (como a outros candidatos); isto porque, em meu entender para além da gritante falta de talento, há as farpas aos opositores; é certo ser tb arma de arremesso de outros candidatos, mas de uma mulher que quer ser presidente espero mais e melhor, sem travos de ódiozinhos (quem se terá lembrado desta senhora santo deus, é que me dá pena vê-la e ouvi-la). Um dia, há-de vir alguém que me convença, me pareça melhor que os outros, cresça nos discursos e nos debates. Apareça genuinamente. E não por ser mulher, mas que, por acaso ou sem ele, é do sexo feminino. E vai dar-me um prazer enorme contribuir para a sua eleição. Talvez mesmo Marisa Matias numa próxima, quem sabe... Tenho de repensar o caso dela.
EliminarBom Dia
Bom, não sei como aconteceu, mas os dois últimos comentários são mesmo meuzinhos. Sorry. A pressa faz destas coisas
EliminarEstando a máquina mediática a trabalhar para pôr em Belém um dos seus, um comentador, presumia que desta vez o interesse geral, incluindo o dos jovens, era maior. Pensava que a situação era diferente. Parece que me enganei, mas no fim o resultado é o mesmo, desculpem o cinismo.
ResponderEliminarComo jovem de 22 anos, não consigo evitar vir em defesa dos jovens. É verdade que há muita irresponsabilidade cívica por aí, mas isso, sinceramente, acontece em todas as gerações. Essa tomada de pulso do Diário de Notícias é pobre, pois reduz a sua amostra a meia dúzia de gatos pingados, todos num raio de 100 metros, ou coisa que o valha. Dificilmente será um conjunto representativo.
ResponderEliminarUsar estes dados para acusar toda uma geração de ser irresponsável e despreocupada, é cegueira pura. Aliás, nem sequer duvido (embora não tenha dados oficiais para demonstrar) que actualmente existam mais jovens a votar do que em qualquer outra altura da nossa História.
É preciso analisar bem a situação, quando se fala destas coisas, e embora seja fácil deitar culpas e acusações para cima dos mais novos, também acho que é preciso ter-se noção das coisas...
Meu Caro e Extraordinário Rui Bastos:
EliminarNão me parece que se esteja a acusar uma geração... e aliás, qual geração? É que todas foram sempre irresponsáveis... e todos fomos jovens pelo que bem o sabemos, só que os jovens ainda não foram maduros e nem velhos... portanto nós veteranos sabemos, porque fomos jovens!
Eheheh!
"Os velhos desconfiam dos novos, pois já foram novos"
Estamos só a analisar!
Saudações desconfiadíssimas e provectas cá da Cidade Morena!
"Será que daqui a uns anos valerá a pena imprimir boletins de voto? Francamente, não sei. Terá a juventude de sofrer na pele para perceber que a política lhe diz respeito? Espero que não."
EliminarO texto que estamos a comentar acusa a minha geração (e arredores mais próximos), de ser desinteressada, tanto que daqui a uns anos nem vale a pena imprimir boletins de voto (embora essa afirmação possa entendida como referindo-se a quem se abstém de uma forma geral).
A última frase em particular, aborrece-me um pouco. A juventude sente bem na pele o que por aí se passa. É claro que há juventude privilegiada e inconsciente, eu próprio me farto de refilar contra essa secção da minha geração, mas é preciso não esquecer que é esta juventude que já vê um mercado de trabalho sem capacidade para ela!
Claro que não estou a insinuar que alguém aqui está a acusar alguém de forma maliciosa. Longe de mim, que adoro uma boa discussão. Apenas intervi porque as análises que se estavam a fazer caminharam a passos largos em direcções simplistas e ligeiramente falaciosas.
Imberbes cumprimentos!