Um par improvável

Hum… A combinação dos dois nomes seguintes parece impensável: Patti Smith e Murakami; pelo menos para mim, não têm nada em comum – e nunca esperaria vê-los juntos… Porém, o destino às vezes tem destas coisas e põe duas pessoas aparentemente opostas no mesmo caminho. Foi realmente o que aconteceu a este par quando Patti Smith anunciou o seu espectáculo sobre a poesia de Allen Ginsberg (já leram O Uivo? Têm de ler) em Tóquio. Pois bem, a cantora tem um show intitulado «O Poeta Fala», que é uma homenagem ao mais famoso poeta da beat generation e no qual canta os seus poemas, acompanhada ao piano pelo enorme Philip Glass. Mas os japoneses precisavam de uma tradução dos textos de Ginsberg para projectarem no ecrã enquanto a diva cantasse, como nós fazemos por cá com as óperas alemãs. Então, apareceu a ideia de ser Murakami a fazer a tradução em colaboração com o ensaísta e tradutor Motoyuki Shibata, considerado o mais importante tradutor da literatura norte-americana contemporânea para japonês. Mas atenção, Murakami não é novato na arte da tradução: apesar de ser conhecido como escritor, foi o tradutor para japonês de Carver, Fitzgerald e Salinger. Poesia é poesia, claro, mas admito que, em japonês, faça uma boa tradução.

Comentários

  1. A poesia é a primeira «língua» de todos nós. É a que se escuta com a pele e se transmite pelo tom. Sobretudo se for boa poesia e se estiver acompanhada de boa música, simplesmente manifesta-se...

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    1. Em Japonês, nem que fosse Deus a descer à terra, eu não entendia. A poesia não entra sem tradução, quando se desconhece a língua. E aí, por vezes, muito nela se perde. Neste caso parece que o tradutor é bom.

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    2. Julgo que tem razão, se bem quem o japonês seja um povo muito expressivo a lidar com a poesia e com a arte em geral. Tenha um bom dia e obrigado pelo seu comentário.

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  2. António Luiz Pacheco15 de janeiro de 2016 às 02:25

    A língua japonesa, ou melhor dizendo, a forma de os japoneses falarem tem fama de ser poética... estou a repetir algo que li já várias vezes, e, lembro-me dos infindáveis e poéticos discursos do Taka Takata e do honorável coronel Rata Hosoja na série de quadradinhos

    Portanto... não será de admirar nenhuma destas iniciativas. A P. Smith, confesso que há muito que não ouvia falar dela e até imaginava já tivesse morrido. Lembro-me sempre do "because the night belong to lovers" que creio ser o eterno estribilho de uma belíssima canção!

    Murakami a traduzir? Excelente, então!

    Saudações poéticas de um amante do blues, aqui na Cidade Morena - há um clube de jazz na Baía Azul, e excelentes músicos de jazz angolanos!!!

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    1. Patti Smith tem 69 anos, idade manifestamente perigosa, mas está viva e tocou no Coliseu dos Recreios em 21 de Setembro passado o seu disco de 1975, "Horses".

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  3. Allen Ginsberg, simplesmente maravilhoso!

    E começa assim:

    "Eu vi as mentes mais brilhantes da minha geração destruídas pela loucura, famintas histéricas nuas/ a arrastarem-se na aurora pelas ruas de negros em busca de uma dose feroz,/ gingões de angélicas cabeças ardendo pelo velho contacto celeste com o dínamo estelar na maquinaria da noite,/ que de miséria e andrajos e olhos cavos e alucinados se sentavam a fumar na penumbra sobrenatural de quartos de águas frias flutuando pelos cumes das cidades contemplando o jazz, "

    A ideia de cantar a poesia de Allen Ginsberg pode vir a traduzir-se numa beleza magistral...

    Um abraço e bom fim de semana aos extraordinários leitores.
    Carla Pais

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  4. Modesto haiku:

    Assim de repente
    lembrou-me John (e Yoko):
    War is Over (mas pouco).

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