O que ando a ler

Há livros em excesso (e quase nunca bons) sobre cãezinhos e gatinhos (e não estou a falar de literatura infantil, entenda-se); mas, quando o animal de estimação da história é outro (um burro como em Platero e Eu, por exemplo), é bem provável que o resultado seja melhor e mais agradável para todos. É-o seguramente no caso deste estupendo A de Açor, um livro da britânica Helen Macdonald difícil de classificar, que vendeu como pãezinhos quentes no Reino Unido e recebeu críticas altamente elogiosas em todos os países em que foi traduzido e publicado, além de prémios de monta, como o Samuel Johnson para não-ficção. Gostar de aves de rapina não é para todos, bem sei (e o açor é uma ave de rapina), mas não se assustem os leitores com as garras e os bicos aguçados do animal: esta não é obra que meta medo a ninguém e o açor só é o herói porque, na verdade, desempenha também o papel de uma espécie de pomba da paz, é o que permite à autora fazer o luto insuportável pela morte do pai, o seu grande companheiro desde criança. Helen Macdonald, historiadora, poeta, falcoeira, partilhava com o pai o amor às aves, mas precisou da mais indomável das criaturas aladas para aceitar e resolver finalmente a solidão, a dor e a perda. E nós, ao seu lado, lendo também os livros que retira da estante sobre açores e falcoaria (e ficando a conhecer muito especialmente o senhor White, figura que daria ela própria um livro fascinante), perceberemos o que faz de nós humanos, o que nos aproxima e afasta de um animal selvagem. Segundo alguém escreveu no New York Times, este é um livro que sangra. E vale muito a pena.

Comentários

  1. Estou a ler a "Biblioteca" de Pedro Mexia e "Paisagem sem Barcos" de Maria Judite de Carvalho.

    Estou a gostar de ambos, embora note que o Pedro abusa da "alta cultura". :)

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  2. Bom dia. Bom Ano. Sobretudo com bons livros, bons amigos e bons momentos. Estou a ler este livro, de momento e, mais do que um livro sobre uma perda e uma paixão por aves de rapina é um poema à amizade, ao amor e à resiliência. Aconselho. Vivamente. Porque se trata de Vida!

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  3. "CONTRA BERNARDO SOARES E OUTRAS OBSERVAÇÕES" - Vasco Graça Moura (€ 1 num alfarrabista) - Um livro de textos resultado de uma colaboração regular do autor na imprensa. Algumas crónicas interessantes mas, no seu conjunto, portadores de uma erudição fora do conhecimento do leitor comum...mas como devoro tudo o que tem letras... (é o vício é o vício)

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  4. Bom dia e bom ano. Terminei ontem Some Hope (Après tout, em francês) de Edward Sr. Aubyn, que julgo estar publicado na Sextante. Faz parte de um ciclo de romances com o mesmo protagonista, Patrick Melrose, livros inspirados em factos da vida do autor. E encerra um retrato impiedoso da aristocracia inglesa, com aquele humor britânico que todos reconhecem. Aconselho a leitura. Sou fã de biografias e li quatro, breves mas rigorosas: Giotto, La Fontaine, Scriabine e Alfred de Musset. Comecei ainda a ler um extenso estudo sobre a Jovem Guarda, sim aquela do Roberto Carlos. Continuarei nas próximas férias. Se alguém tiver curiosidade em conhecer as minhas impressões de leitura sirva-se à vontade do meu diário-blog parisvertigo.blogs por.fr Boas leituras!

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    1. Gostei do blogue.Mas não "admite" comentários?

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    2. Olá Severino. Como surgiu um vírus nos comentários do blogue, suspendi-os há algum tempo. Logo que possa retomo a opção. Obrigado pelo interesse.

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    3. Gostei. E aqueles cartazes... Donna Reed ...há quanto tempo não via um cartaz daqueles.

      Trouxeram-me à lembrança os meus primeiros anos de vida, quando ia primeiro ver os cartazes e só depois ia ver o filme.

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    4. Se és um cinéfilo certamente saberás quem foi o Hal Pereira?

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  5. Olá e bom ano a todos. Eu comecei-o com A Serpente Emplumada de D.W Lawrence, obra que ambicionava há muito ter e ler pois sempre me atraiu a Civilização Asteca e a forma como, pujante e em movimento, se deixou destruir em poucos anos por um punhado de bárbaros espanhóis, talvez por causa da miríade de divindades que os assolava, entre eles esta Serpente Emplumada, ou Quetzalcóatl. Como teriam evoluído se não tivesse havido a conquista? Um par de mistérios que não vou certamente resolver, nem a obra de D.W. terá esse objetivo. Para começar descreve-se uma tourada pelos olhos horrorizados de dois americanos e uma irlandesa de passagem.

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  6. Ando a Ler_40

    Na vez passada dei aqui conta do que tive de vasculhar para re )encontrar “As Palavras São Pedras” / Carlo Levi , por cá editado em 1964.
    Pois no meio da estimulante desarrumação do que terá sido noutros tempos a estante do neo-realismo e derivados, agarrado aquele livro estava este de Mário Ventura, de 1968: “O Despojo dos Insensatos” (nº 99 da Biblioteca Universal Unibolso ).

    Escrita no tempo da ditadura, nesta “obra de pena amordaçada” (1) José Álvaro (o alter ego do autor) debate-se com a descrença da idade madura, o cepticismo dos trinta anos.

    Cito:
    «Duas coisas lhe censuram sem grandes rodeios: o prazer da bebida e a paixão dos objectos antigos. “É como se estivesses, inconscientemente, a regressar ao passado”, dissera-lhe, muito penalizado, um amigo a que falava de um candeeiro de Vista Alegre pintado à mão que fora encontrar num velho armazém. Ficara sem palavras, somente a pensar que talvez esse ponto de vista fosse a explicação de muitas outras coisas, enquanto o amigo discorria:
    – Temos de ser comedidos nos nossos gostos e hábitos. A austeridade nunca ficou mal a quem pretende revolucionar. Se adoptamos o estilo de vida daqueles a quem nos opomos, qual será então a nossa moral?» (pág. 66)

    E lá mais adiante:
    «Os meus trinta anos empurram-me para fora e tornam-me indiferente, difícil de convencer, enquanto os jovens me repetem com frenesim aquilo que eu disse há dez anos aos homens de trinta. E daqui por uma década eles estarão no meu lugar a reagir da mesma forma que eu. Os jovens entregam-se a tudo louca e estupidamente, e é por isso que são hoje em qualquer parte do mundo uma força política. Dizem “não” a tudo, enquanto nós já não resistimos à tentação de dizer “sim” a muitas coisas.» (pág. 126)

    Ora bem: passou-se mais ou menos o mesmo comigo...

    (1) Palavras que roubo a José Cardoso Pires para dar ao seu amigo Mário Ventura.

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  7. Não conheço este "A de Açor". Se tiver qualidade literária, lerei bem, mesmo que adopte uma perspectiva antropocêntrica que costuma irritar-me ('falcoaria' é adestramento, para mais com o objectivo da caça por diversão, dois conceitos que me desagradam).

    Alguns de entre muito bons livros com animais, com qualidade literária e que defendem a extensão aos animais não-humanos dos princípios morais que adoptamos para os humanos, são: "Platero e Eu", de Juan Ramón Jiménez (maravilhoso), "Animal Farm", de George Orwell (tem vários títulos noutras tantas traduções portuguesas), "Bichos", de Miguel Torga e, mais recentemente, "Um Pinguim na Garagem", de Luís Caminha.

    Estou a ler "O Rastro do Jaguar", do Murilo Carvalho. Normalzinha, a primeira metade. Não é grande literatura mas também não compromete.

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  8. Não se pode ler tudo que existe e aparece, mesmo que seja bom. Vou lendo os livros que me ofereceram no Natal e estou bem grata por isso. Li o último de João Tordo e vou a meio de "O Idiota".

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  9. A ler o Paraíso segundo Lars D. de João Tordo e a gostar bastante!

    Cláudia Moreira

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  10. António Luiz Pacheco4 de janeiro de 2016 às 07:07

    Ora vivam todos, e, um Ano Extraordinário é o que desejo aos Extraordinários Comparsas!!!!

    "A Serpente Enplumada" ... li há tantos anos que já nem me lembro do enredo, é verdade e é extraordinário como aqui se fazem lembrar estas coisas!

    Nestas duas semanas, entre tachos e panelas, fechar o ano, assuntos de lenha e outros legais, pouco tempo fica... muito pouco...

    Leituras:
    Na viagem de 7 horas e mais esperas no aeroporto, deu para ler "Yaka" , de um dos meus autores preferidos - Pepetela. Bom como sempre. trata como ninguém as coisas e as pessoas... é um escritor com alma!

    Li depois e à pressa, o "Lusitana Melancolia", do nosso Pedro Almeida Sande. Gostei bastante, e como sempre gostei da sua escrita, do seu pensar e sobretudo da sua clareza, no pensar e no discorrer! Aquilo não é bem um romance, é mais uma conversa... recomendo.

    Finalmente e pela curiosidade, o último premiado da Leya, "Coro dos Defuntos". Gostei, gostei bastante, pois se insere numa corrente que muito me agrada, e são de facto as pessoas como nós, como eu... os aldeãos nos seus estratos todos e bem caracterizados, também com alma mas com luz e cor, com algo que é muito nosso e felizmente ainda aparece em alguns autores, apesar de muito menos premiados do que os "outros".

    Saudações festeiras cá do Bairro Ribatejano!

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  11. São dois, e ambos em formato ebook:

    - Machado de Assis, Memorial de Aires

    - Rubem Fonseca, Pequenas Criaturas

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  12. Uma opinião abalizada considerou há pouco a obra de Richard Flanagan "A Passagem Estreita para o Norte Profundo" o melhor livro publicado em Portugal em 2015. Como tinha o anterior "O Livro dos Peixes de Gould " fui induzido a lê-lo e é o que estou a fazer. Bastante estranho, muito apelativo, creio que serei atraído também para o outro.
    Bom ano para todos os Extraordinários.

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    1. Que tal "O Livro dos Peixes de Gould "?
      É que criei enormes expectativas com "A Passagem Estreita para o Norte Profundo".

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  13. Ando a ler "A rapariga no comboio" de Paula Hawkins, quis perceber a razão de tanto alarido. Não é grande coisa, mas confesso que estou a gostar. Pode parecer uma contradição, mas entre amantes de livros, estou certo que me compreenderão.

    Um bom ano a todos,

    Rui Miguel Almeida

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  14. Estou a ler "Uma História da Curiosidade", do Alberto Manguel.
    Na página 161 ele escreve: «quando um apicultor morre, alguém tem de informar as abelhas de que o seu cuidador morreu. Desde então, desejo que, quando eu morrer, alguém faça o mesmo por mim e informe os meus livros de que não regressarei.»
    Nao é lindo?
    Excelente 2016 para tofos!
    :-) Antonieta

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  15. Decidi, quando me aposentei, ler em cada Inverno um clássico de peso que me tivesse escapado. Leio à noite, na cama, de fio a pavio, volto atrás frequentemente, sem pressa de acabar.
    Este ano calhou a vez a Guerra e Paz, talvez o único de Tolstoi que me faltava ler. Já terminei o segundo volume, de três, lá para a Primavera terei acabado. Com pena.
    Bom ano e boas leituras.
    JCC

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  16. 'Leviatã, Em busca do gigante dos mares' de Philip Hoare, que é uma genial epopeia humana em torno das baleias. É quase tão bom como o seu primo 'A lebre com olhos de âmbar' de Edmund de Waal, que é uma genial epopeia humana em torno de uma família. Entretanto já fui desenterrar 'Moby Dick' da estante, para finalmente ter direito a uma primeira leitura.

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    1. António Luiz Pacheco4 de janeiro de 2016 às 18:19

      Leviatã? Olha...é extraordinário mas escapou-me esse, se bem que tenha em carteira "No coração do mar", aliás de que me ofereceram dois exemplares (cada uma das minhas irmã... deviam ter falado entre elas, eheheh!) e um deles troquei-o na Bertrand pelo "Assim se pariu o Brazil".

      Quanto ao Moby D. ... bem, sem palavras, é um clássico, logo está tudo dito, e uma obra soberba!

      Boa e Extraordinária leitura! Saudações e um abraço cá do Ribatejano Bairro!

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