Elizabeth Taylor e os gémeos
Quiçá por deformação profissional, sempre que leio romances brasileiros contemporâneos, sinto que ficam aquém dos escritos pelos escritores portugueses da mesma idade e importância. E, porém, apaixonei-me por Do Fundo do Poço Se Vê a Lua, de Joca Reiners Terron, que estará nas livrarias esta semana e toca a mesma questão tratada num filme que está a ter muito boa crítica: A Rapariga Dinamarquesa. Depois da morte da mãe – perseguida e torturada pela ditadura militar –, os gémeos idênticos William e Wilson são criados numa redoma pelo pai, actor e encenador num teatro decadente. As semelhanças entre os irmãos são, porém, apenas físicas: enquanto William é bruto, acomodado e taciturno, Wilson é sensível, carente e obcecado pela figura de Cleópatra desempenhada por Elizabeth Taylor. No dia em que os jovens fazem dezoito anos e podem, finalmente, deixar a casa paterna, uma misteriosa tragédia abate-se, porém, sobre toda a família. Numa trama surpreendente que envolve amnésia, dança do ventre, comércio sexual e assassinatos, William receberá vinte anos mais tarde, da cidade do Cairo, um postal de Wilson. E não precisa de muito para saber que se trata de um pedido de socorro… Com um estilo ao mesmo tempo cómico e violento, poético e digno da melhor pulp-fiction, Do Fundo do Poço Se Vê a Lua é uma história admirável sobre como o amor fraternal resiste ao tempo, às diferenças e à ameaça constante da morte.
Sobre o livro fico curioso e irei estar atento mas da Rapariga Dinamarquesa posso falar: um filme fantástico, uma interpretação absolutamente avassaladora, do melhor que (eu) vi até hoje!
ResponderEliminarPela resenha parece interessante. Não posso falar de autores brasileiros de hoje, pouco os conheço. Também não li "A rapariga dinamarquesa", mas o filme tem quid.
ResponderEliminarNem de propósito: estou precisamente a lê-lo...
ResponderEliminarMais um para a lista...
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