David Bowie leitor
No dia em que se soube da morte de David Bowie – completamente inesperada, uma vez que acabara de gravar um CD e escondera muito bem o segredo da sua doença, fosse ela qual fosse – os jornais, as redes sociais, o espaço dos nossos ecrãs de computador, enfim, todas as linhas em que pudéssemos pousar os olhos, encheram-se de lamentos, de espanto, de luto, de elogio, parecendo que o mundo parara para dar, e chorar, aquela notícia. Para quem não fosse apreciador do Camaleão, seguramente um fartote – eu, que até fui ouvi-lo ao Estádio de Alvalade nos anos 1990, estava quase a pedir que parassem com aquilo. Porém, no dia seguinte, ainda houve muito Bowie em todo o lado, e um jornal resolveu publicar uma lista dos 100 livros preferidos do músico que, pelos vistos, era um leitor voraz e lia praticamente um livro por dia. Há de tudo (em cem livros, é natural) e os temas são muito variados, fazendo crer que o artista se interessava por distintas áreas do conhecimento e lia todos os géneros – teatro, poesia, literatura de viagens, autobiografias, ficção, ensaio (e livros sobre música, evidentemente, incluindo um de John Cage) . Passando os olhos pelos romances, reparo que Bowie gostava de O Leopardo e de Lolita, de Pela Estrada Fora e de A Laranja Mecânica (faz sentido), de um dos primeiros McEwan (Entre os Lençóis) e de Don DeLillo. Mas a lista é extensa e vale a pena ser apreciada na totalidade. Deixo-vos, pois, o link.
Nenhum clássico, quase só autores de língua inglesa, bom retrato de comum e ensimesmado leitor inglês. Rule Britannia !
ResponderEliminarÓ AA , sinceramente... o meu amigo é exigente; se DB não era um grande leitor vou ali e já venho...
EliminarAinda esta semana naquele concurso da RTP1 (big picture - que cena...), onde o marialva apresentador (que cena...) por vezes fala português, vi e ouvi, um advogado e professor, sobre entre a terra onde nasceu Eça Queirós, hesitar entre Amarante e Aveiro, rejeitando logo à partida a Póvoa do Varzim, daí...
caro Severino, não escrevi que o Bowie não era um grande leitor. Apenas que tinha os hábitos de leitura que são paradigmáticos dos ingleses e americanos: para eles só contam os escritores que escrevem originalmente em inglês. Examinei atentamente a lista dos 100 de Bowie e há lá autores que não conhecia e a quem darei uma olhada. É útil a lista, nesse sentido.
EliminarÓ Artur mas os Ingleses (e os americanos) pensam que apenas eles existem, que são os maiores e o resto é pechisbeque...
EliminarNão podia estar mais de acordo, caro Severino !
EliminarEstou satisfeita (sob a idéia dos fãs) levarem obras anterior a fase Camaleão.
ResponderEliminarClaro, o David sem artifícios.
Não me interessa muito o que lia o cantor. Intriga-me mais a velocidade da leitura. Como as vidas das pessoas e elas mesmas são diversas! Não me compraz ler um livro por dia, salvo se tenha 20 ou 30 páginas; 50, vá.
ResponderEliminarÉ sempre interessante saber o que lêem as figuras públicas. Perceber de que modo a literatura as influencia na sua própria criação e na sua forma de estar e de entre-agir com o Mundo, é sempre um exercício desafiante e muitas vezes também surpreendente.
ResponderEliminarConcordo inteiramente, Extraordinário Emílio... mesmo que numa perspectiva algo detectivesca, mas estamos num blog de leitura - ahahah! Perdoe mas não resisti! Deduzo que tenha idade para perceber a referência a Emílio e os detectives...
EliminarBem, bocas foleiras aparte, também acho interesse em saber o que lia este genial criador, que efectivamente me parece ter sido Alguém, sem necessidade de se expôr ou tomar aquelas atitudes próprias de que se presume artista, ele era-o de facto! E sim, very british.
Uma vez li numa BD (Clifton, um britânico do mais típico) o seguinte:
Um bandido ao ser descoberto exclama:
"Cerveja e salsichas!"
Com um asterisco vinha a explicação:
(Um americano, mais ordinário, diria "blood and guts" - sangue e tripas)
Sim DB creio que foi um roqueiro britânico, com a categoria que se lhe reconhece e fica. Na verdade ele é dos que não morreram, fica a sua obra.
Saudações britânicamente saudadas cá da Cidade Morena.
Peço desculpa... mas o anónimo sou óbviamente eu próprio, António Luiz Pacheco, da Cidade Morena...
EliminarDe facto, apesar de ser uma espécie de ícone da música e da cultura universal, não posso dizer que soubesse muito de quem era, fora dos palcos. Interessante também o saber que lia tanto em tão pouco tempo e que consumia todo o género de leitura/literatura, aparentemente sem nenhum tipo de complexo. Como diz, da Cidade Morena, trata (va)-se de Alguém cuja importância prevalecerá pelos tempos. Saudações Cordiais. Ah, e sim, reconheço a alusão a Emílio e os detectives.
EliminarJá que estamos em dia de listas publicadas pelo Guardian, aqui vai o link para a lista do Guardian referente aos 100 melhores romances publicados em inglês:
ResponderEliminarhttp://www.theguardian.com/books/2015/aug/17/the-100-best-novels-written-in-english-the-full-list
E não fosse o Kazuo Ishiguro esta lista confirmaria o tal retrato do comum e ensimismado leitor inglês.
EliminarKazuo Ishiguro, apesar do nome, é inglês (creio que ainda nasceu no Japão mas foi para Inglaterra com os pais ainda bem criancinha, uns quatro anixos) e escreve em inglês. Um grande escritor.
EliminarHá na lista uma meia dúzia de autores que não escrevem originalmente em inglês. Quanto ao Ishiguro é inglês ! Abraço.
EliminarCuriosamente, estou a ler "A breve e assombrosa vida de Oscar Wao" de Junot Díaz, que ganhou o Pulitzer em 2008. É o segundo na lista.
ResponderEliminarQuanto a Bowie ler um livro por dia: quem é que acredita nisso? Talvez na última década da vida dele e mesmo assim...
Rui Miguel Almeida
Realmente os temas lidos são dos mais diversos. Não faltou um bom livro de Literatura de Viagens -"The Songlines" do Bruce Chatwin.
ResponderEliminarÉ sempre curioso saber o que lêem os famosos. Não o que dizem que lêem, mas o que realmente leram.