Ajudar
Por cá, os escritores ganham mal… Não que os seus direitos de autor sejam mais baixos do que em outros países do mundo (na verdade, até recebem por vezes mais do que pagamos aos autores e editoras estrangeiras em termos de percentagem); mas Portugal é um país pequeno, o mercado é diminuto e, se os livros não são traduzidos, os autores nunca saem da cepa torta, como diria a minha avó (além de que raramente recebem adiantamentos chorudos, como nos EUA ou no Reino Unido). Por isso, não podemos pedir-lhes milagres. Porém, em Inglaterra, depois das terríveis cheias que causaram danos profundos em muitas zonas, os escritores arregaçaram as mangas e doaram quantias avultadas para a recuperação de livrarias que frequentavam e onde lançavam livros seus e que há trinta anos tinham livreiros fantásticos à frente. Além disso, arrebanharam colegas para autografarem dezenas de exemplares que depois foram vendidos em leilões para angariar fundos, bem como primeiras edições valiosas destinadas a coleccionadores. Um editor pediu até aos seus autores que oferecessem exemplares dos seus livros para repor o stock danificado de uma determinada livraria altamente prejudicada, e eles corresponderam. Claro que ser escritor em Inglaterra é outra coisa, mas é bonito ver estes gestos com quem vende livros.
Louvável!
ResponderEliminarDe alguma forma estavam a ajudar-se a eles próprios.
ResponderEliminarMas é muito bom ter memória e ser grato.
É sempre uma espécie de festa no coração haver gestos desta natureza. Venham donde venham. Mostram que o homem não está morto.
ResponderEliminarO problema é a vida maluca que levamos. A um click do computador está um site que nos vende todos os livros que quisermos a preço inferior ao das livrarias e, ainda por cima, nos entrega à mão sem custo adicional. Já não temos tempo para "pastar" nas livrarias, como antigamente, nem mesmo nas livrarias que são as mais confortáveis e que mais vendem, como a FNAC, onde só lá estão as últimas novidades. Empurram-nos para uma vida individualista e solitária, afastando-nos do contacto interpessoal e do mais ínfimo comunitarismo. Eu vou tentando resistir sendo sócio de uma Cooperativa Livreira (UNICEP) e lá encomendando livros. Mas não todos: quando estou com pressa, vou ao online porque as editoras não entregam com presteza os seus livros às artesanais Cooperativas Livreiras. Não contam no mercado, são coisas do antigamente. Por isso não me espanta que o negócio das livrarias esteja a morrer lentamente. O "Brave New World" vai-se impondo. Mesmo que ainda haja quem esperneie em Inglaterra.
ResponderEliminargosto de ir à FNAC folhear os livros e espreitar as novidades, mas não diria que há assim tanto contacto interpessoal:) estamos sozinhos na mesma. Existe é a possibilidade de ver mais livros.
EliminarDe acordo ! O que digo é que a lógica económica de hoje nos incentiva cada vez mais (com descontos, por exemplo) a encomendar os livros online e a esperar no nosso buraquinho que eles nos cheguem às mãos. E isso é a norma geral de todos os produtos de consumo. Objetivo: minimizar o contacto interpessoal para diminuir ao máximo o número de funcionários a pagar pela empresa. Nas lojas há cada vez menos funcionários para sermos atendidos, como se não fosse necessário haver quem ganhe um ordenado para depois haver consumo. Outro grande incentivo ao ensimesmamento e individualismo doentio são o crescente número daqueles com que me cruzo diariamente e que estão seduzidos por um pequeno écran a que fazem festinhas com os dedos.
EliminarPeço desculpa pelo atraso. A compra on line é bastante prática quando se quer um livro e se vive por exemplo na província onde não há forma de adquiri-lo. É verdade que um dos objectivos pode ser poupar no pessoal, mas empacotar e expedir tanto livro, deve ser feito também por pessoas, suponho. E não me parece que dê pouco trabalho. Desconheço as condições de trabalho - se ganham à hora, estão a contrato, etc, etc. Há quem aprecie livreiros ou funcionários a dar palpites e a cirandar à sua volta. Pessoalmente quero que me deixem em paz, gosto de pegar nos livros, folhear, andar pelas estantes e que, se precise de alguma informação, haja disponibilidade. Por vezes, opto pelo exemplar que tem mais folhas e é, proporcionalmente, menos caro.
EliminarOs telemóveis e seus substitutos são a ordem do dia. Andamos todos a gastar tempo na superfície da superfície.
Cara Beatriz, estou de acordo com todos os seus argumentos. De facto, há sempre outros ângulos a partir dos quais se observar uma mesma questão. Bela frase a sua do final do seu texto: "Andamos todos a gastar tempo na superfície da superfície."
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