Viva a Figueira!

Quando publiquei o primeiro romance de Nuno Camarneiro (No Meu Peito não Cabem Pássaros), era o meu primeiro autor da Figueira da Foz; pensava que não houvesse muitos mais, mas depressa descobri que Afonso Cruz também ali tinha nascido, bem como Maria Manuel Viana (e há mais, mas poupo-vos ao elenco). Com o segundo romance (Debaixo de Algum Céu), Nuno Camarneiro venceu o Prémio LeYa, que foi o primeiro para a Figueira da Foz; mas este ano o galardoado, António Tavares, é o vice-presidente da Câmara da Figueira, fazendo pensar que os figueirenses são especialmente dotados para a literatura e os prémios e que a Figueira está por isso de parabéns. É lá, de resto, que estarei hoje à tarde para ouvir o professor José Carlos Seabra Pereira, membro do júri, dissertar sobre O Coro dos Defuntos, um romance belíssimo que fala do nosso Portugal entre 1968 e 1974 e das milhas a que estávamos do mundo, que então fervilhava de novidade e convulsão – pronto-a-vestir, idas à Lua, guerra no Vietname, transplantes cardíacos, revolução estudantil em França, supermercados… Se estiver nas imediações, venha fazer-nos companhia. E leia o livro, claro.


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Comentários

  1. A Figueira deve ser mais literária do que se pensa, até pelo seu ambiente cosmopolita de Verão.

    O extraordinário, "Sinais de Fogo", de Jorge de Sena, passa-se na Figueira...

    Vou querer ler este livro, muito pela época retratada. E gosto do título.

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    1. Tal como o Luís, também vou querer ler este livro: pela época retratada e também porque já entrou nos meus hábitos comprar o vencedor do Leya.
      Antonieta

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  2. Vivam a Figueira e seus prosadores!

    Tudo a correr bem.

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  3. Será que é um romance assim tão "belíssimo"?

    http://observador.pt/2015/11/24/um-romance-que-precisa-de-dicionario/

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    1. Há outras críticas, nomeadamente a do Público, que elogiam o livro. Porque teria de ter razão o Observador, e não os outros jornais?

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    2. Não sei se tem razão ou não. Tem pelo menos a virtude, ao contrário do que acontece com o texto do Público, de usar argumentos para expor a sua eventual razão. O texto do Público não chega a ser uma crítica. É uma descrição superficial do romance à qual o autor decidiu juntar uma opinião que não justifica e que, por conseguinte, pouco ou nenhum valor pode ter. É fácil dizer que um livro é bom ou mau. O difícil é justificá-lo. Concordando-se ou não com o conteúdo, o texto do Observador tem esse mérito; o do Público não. É por isso que o segundo não serve de defesa para o ataque do primeiro.

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  4. "As Palavras Que Me Deverão Guiar Um Dia"? O autor sortudo encetou assim as hostilidades, no ano passado... E eu, quando o vi nas livrarias, fiquei enojado com a Leya.

    O primeiro livro publicado começa logo assim com um erro (Teria de ser "As Palavras Que Deverão Guiar-Me Um Dia", por exemplo) . Sim, sim, já aqui li, a este propósito, que tanto faz. Pois, tanto faz para quem não sabe. Para quem, infelizmente, tem poder para decidir e escolher.

    Para mim, é escritor banido. E a Leya, que tem pessoal muito fraquinho a rever. Uma coisa é o linguajar do dia-a-dia, que até pode ser plasmado nos diálogos de um romance. Mas logo no título?

    António Tavares, não te compro. Ainda se me pagasses...

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    1. A,

      A destilaria de ódio fica noutra rua, lá mais para trás.

      B

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    2. A,

      Já li. Como todos os Leya, fraquíssimo. Este, uma imitação barata do Aquilino (que, valha a verdade, também não é nada do outro mundo).

      B,

      O ódio não se destila, é o produto da destilação. Quando muito, instila-se. E tem razão, é lá mais atrás. A montante. Basta ter uma pequena ideia do mundo editorial...

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  5. Já agora assinale-se o recentíssimo Uma Vez Que Tudo Se Perdeu, de Pedro Mexia, que traz Figueira na capa, bonita, e lá dentro em pelo menos 2 poemas.

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    1. E por falar em Pedro Mexia, saíu também um belíssimo livro de crónicas literárias deste escritor: chama-se Biblioteca e é absolutamente imperdível.
      Antonieta

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