Questões de Língua

Começou ontem um congresso dedicado à Língua Portuguesa como língua de futuro e organizado pela Universidade de Coimbra, que faz 725 anos e os comemora justamente amanhã (parabéns!). É nesse âmbito que será apresentado hoje à tarde, pela professora Clara Almeida Santos, um livro que publiquei em finais de Outubro e de que já aqui falei – Biografia do Língua, de Mário Lúcio Sousa, Ministro da Cultura de Cabo Verde, de quem já tinha publicado há uns anos O Novíssimo Testamento, em que Jesus era do sexo feminino. O novo romance, que homenageia os contadores de histórias e foi galardoado com o Prémio Literário Miguel Torga – Câmara Municipal de Coimbra, decorre ao longo de um período de mais de cem anos e tem como protagonista um condenado à morte que, qual Xerazade, se vai salvando do fuzilamento contando a sua história e atraindo multidões. O anfitrião deste lançamento é o belo Convento de S. Francisco e vamos, claro, bater palmas à Universidade de Coimbra. Se puder, venha fazer-nos companhia e apagar uma das 725 velas.


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Comentários

  1. 725 anos! Impressionante.

    Vai ser preciso muito fôlego para tanta vela.

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  2. A Universidade comemora 725 anos de existência, mas não propriamente em Coimbra. A 9 de Agosto de 1290, o papa Nicolau IV, através da bula "De statu Regno Portugaliae", confirmou a fundação do Estudo Geral das Ciências (percursor da Universidade) em Lisboa! A bula confirmava o ensino de Cânones, Leis, Medicina e Artes e autorizava a concessão de grau de licenciado pelo bispo ou vigário da Sé lisbonense.
    Lisboa era a cidade preferida de D. Dinis, seguida de perto por Santarém. Coimbra viria apenas em terceiro lugar (competindo com Leiria).

    O Estudo Geral das Ciências foi transferido para Coimbra em 1308, por divergências com a Casa da Moeda e com a população de Lisboa, divergências hoje não esclarecidas. Clemente V autorizou a transferência a 26 de Fevereiro de 1308. Os estatutos do Estudo Geral de Coimbra só foram estipulados pela carta régia "Charta magna privilegiorum", a 15 de Fevereiro de 1309.

    Mas a coisa não se ficou por aí, a Universidade andou entre Coimbra e Lisboa durante décadas, estabelecendo-se definitivamente em Coimbra já muito depois da morte de D. Dinis (confesso que não sei de momento a data, teria de ir pesquisar).

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    1. Bem verdade, eu na escola primária pensava que a universidade era uma casa estilo roulotte que viajava de Lisboa para Coimbra e o inverso quando bem entendia. Quando a visitei, durante o que hoje se chama o 8º ano, embatuquei naquela escadaria e monumentalidade, como é que eles teriam conseguido desmanchar aquilo tudo?!

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  3. Interessante. Ontem ouvi e vi o comentário/divulgação de um dos organizadores do evento. Por acaso não gostei de tudo o que disse, mas falou para o país inteiro e tudo que se faça pela língua portuguesa é de louvar. Dos livros em causa, já tinha ouvido falar. Pode ter sido aqui. Não os li.

    As universidades são parte interessada e, caso queiram, podem ser interessantes, nessa língua a que pertencemos e se chama português. Mas discordo do senhor quando afirmou (mais ou menos, não consigo citá-lo de ouvido) que o português de Portugal, seja menos importante que o do Brasil e perca relevância só porque tem menos falantes. No inglês isto não acontece, a língua mãe é sempre ela, não perde valor. Mas se já um professor universitário aceita o comando dos números, que faremos nós que poder não temos?! Além de amar e utilizar o melhor que sabemos e podemos a língua que nos ajuda a ser alguma coisa. Pessoas, por exemplo. Enfim.

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  4. Se tal coisa incomoda, isto é, Coimbra, encarem o aniversário do seguinte modo: aquela Universidade, que agora está em Coimbra e de que tal sítio se chama, e que é sabido se iniciou em Lisboa, local onde permaneceu nos primeiros 19 anos dos anunciados 725, faz amanhã esta provecta idade independentemente dos referidos 19 anos - a Lisboa o que é de Lisboa! - e de alguns outros, não contabilizáveis, onde terá andado, porventura a cavalo, entre uma e outra cidade. Parabéns!

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    1. Exatamente!
      Não concordo com a expressão "725 anos da Universidade de Coimbra".
      Seria melhor: 725 de Universidade portuguesa, ou em Portugal. Festejar em Coimbra, também faz sentido, já que foi lá que se encontrou, durante séculos, a única Universidade portuguesa.

      «O Estudo Geral, porém, continuava a ser um problema bicudo. A contestação dos escolares aumentava, pois a Casa da Moeda instalara-se definitivamente naquele que havia sido o seu edifício e o rei ainda não conseguira disponibilizar os terrenos para a construção de um novo. As querelas descambavam, muitas vezes, em autênticas zaragatas, que se alargavam à população residente à volta do bairro dos estudantes. Estes, por seu turno, reclamavam do monarca a proteção especial que Nicolau IV lhes havia destinado. E Dinis ponderava a transferência do Estudo Geral. Custava-lhe afastá-lo de Lisboa, mas a situação tornava-se insustentável.
      Considerava a hipótese de Coimbra. O Estudo Geral teria de se situar obrigatoriamente numa cidade, já que era o bispo quem concedia o grau de licenciado. Santarém e Leiria, por exemplo, não sendo assento episcopal, possuíam apenas o estatuto de vila. Em Portugal, havia apenas nove cidades, tantas, quantos os bispos: a Braga arquiepiscopal à cabeça, seguindo-se Lisboa, Coimbra, Porto, Lamego, Viseu, Guarda, Évora e Silves».

      Nota: excerto de uma obra de ficção, mas baseada em factos reais.

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  5. Parabéns a Universidade de Coimbra! Extensivo àqueles a oportunidade de freqüentarem uma das mais tradicionais e respeitadas universidades do mundo.





    Cláudia da Silva Tomazi

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