Poesia e café
No mesmo dia em que leio no jornal que o café pode fazer muito pela memória (e eu até posso tomar mais de um porque tenho a tensão arterial baixa), descubro que a poesia estimula a actividade cerebral e é muito mais eficaz na resolução de problemas emocionais do que a leitura de livros de auto-ajuda; mesmo quando é difícil – ou sobretudo quando o é. Especialistas da Universidade de Liverpool em neurociência, psicologia e literatura inglesa monitorizaram a actividade cerebral de trinta voluntários, que leram, primeiro, excertos de textos poéticos clássicos (Pessoa, Shakespeare, T.S. Eliot e muitos outros) e, depois, essas mesmas passagens traduzidas para linguagem coloquial; os resultados mostram que a actividade do cérebro dispara quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica complexa, não reagindo de forma especial quando o conteúdo se expressa com fórmulas de uso corrente. Ora, ao que parece, esses estímulos mais fortes mantêm-se durante bastante tempo e potenciam, entre outras coisas, a atenção dos indivíduos, facilitando a aprendizagem. Além disso, segundo um dos autores do estudo, a descrição profunda de experiências emocionais constante na poesia afecta o lado direito do cérebro, onde são armazenadas recordações, ajudando o indivíduo a reflectir sobre elas e a entendê-las muito melhor do que nos livros de auto-ajuda. E esta, hein? Com café e poesia temos cabeça para dar e vender…
Como em tudo na vida, há que ter moderação. Poesia a mais pode levar à loucura e impedir a comunicação :).
ResponderEliminarE mais do que um café e meio por dia também deixa de ser benéfico, como os estudos parecem indicar. Já agora, alguns estudos também parecem indicar que o café não sobe a tensão por aí além àqueles que estão habituados a tomá-lo: segundo um que li há tempos, provoca um pequeno pico no momento em que se toma mas depois... até ajuda a estabilizar a tensão!
Nunca nada é como parece...
Boa.
ResponderEliminartenho de ir a mais sessões de "Poesia Vadia". :)
Não comento!
ResponderEliminarNão sou consumidor nem de poesia nem de café!
Enfim, poesia ainda vou lendo...
Saudações teístas da Cidade Morena!
Sou descrente em relação a estudos desta natureza. Mas há quem goste. Seja apologista. Acredite. Se guie pelo que recomendam (será mesmo?!). A poesia não me serve para nada além de gastar tempo a lê-la ou a pensá-la. Como a filosofia. Leio-as por gosto e só quando me apetece, que não é assim tanta vez. Nenhuma delas alguma vez, me resolveu ou ajudou a resolver problemas - admito a sua influência indirecta, talvez sem me aperceber -.
ResponderEliminarTenho certeza de que existem pessoas que não gostam de poesia e nem de filosofia e resolvem a sua vida muito melhor e mais rapidamente que eu e outra gente semelhante.
Ferpeitamente, Extraordinária Beatriz!
EliminarInteiramente de acordo!
Eu... os estudos, mesmo os feitos por mim... hum...
Eheheh! Acreditem que sei bem do que falo!
ferfeito:)
EliminarDa janela vejo a chuva a cair lá fora.
ResponderEliminarPonho o youtube a tocar o Clair de Lune , que saboreio com um café.
Depois acendo um cigarro e abro o ficheiro com este poema de Cesariny:
«Tocata
quando tu tocas Debussy
chove extraordinariamente
o sol as casas levemente doira
mas na saleta está-se bem
fazes sempre assim!
por mim
sinto um duende benigno que sorri
não bem de ti!
nada de Debussy !
mas do igual da hora
de sempre chover
de estar sempre frio lá fora
quando tu tocas Debussy .»
Entretanto, deixo o youtube avançar para os Arabesque... e por aí fora.
Olho fixamente a chuva que salpica o vidro. Perco-me em recordações.
Daqui a um bocado vou fazer outro café, para domesticar as ideias.
Debussy:
EliminarClair de Lune
Arabesque 1 e 2
etc
https:/ www.youtube.com /watch?v=LlvUepMa31o
Vale a pena ver as animações enquanto se ouve a música.
Achei bonito o que escreveu. Mesmo sendo de Césariny
EliminarVale? Não tenho paciência:); e na verdade o piano cai-me em lugar onde são demais.
EliminarAu clair de la lune?
EliminarMon ami Pierrot...
E quem é o dito cujo? O sapo?
Eu sou mais Falla... confesso... são manias!
Saudações do Filipe Mukenga, conhecem?
Não? Oiçam....!
https://www.youtube.com/watch?v=hw6huuicuY0
Por acaso regressei há pouco ao consumo diário médio de 3 cafés. Aprecio imenso café, é mesmo das poucas bebidas de que gosto. A lista completa-se com a água e o vinho tinto (e o leite uma vez por dia). Presumo que me faria mal beber muito café, o que me dissuade a fazê-lo.
ResponderEliminarSurpreende-me Extraordinário Pacheco. Se se deslocasse para os territórios do norte encontraria excelente café. Será que nem aí aderia a tão maravilhosa bebida?
Quanto ao cigarro, Extraordinário Jordão, depois de muitos anos a consumi-lo à média de 30 por dia, eliminei-o. Só lá volto sob tortura.
O texto da Extraordinária anfitriã inclui a passagem [...] "quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica complexa" [...] que veio reforçar a minha opção de recusar ler os livros escritos por estrelas da TV e afins, porque nunca as utilizam.
É verdade: odeio café, ao ponto de lá em casa o café que era feito de saco pela manhã, ser feito na minha ausência e depois de eu sair... pois só cheiro me punha mal-disposto!
EliminarAinda hoje....
Tanta a gente por aí a precisar de ler poesia... :-))
ResponderEliminarPor este andar, as 'coisas' para ler ainda se hão de vender nas farmácias...
ResponderEliminarUps !, só agora li café e poesia, ou vice-versa, excelente parelha ainda que a poesia caia bem com outras bebidas. Ao café tenho-o mantido mas cada vez leio mais poesia, que raramente entendo, e metapoesia , aqueles ensaios indecifráveis sobre a dita, poesia sobre poesia, que me maravilham pela inexpugnabilidade . Quando soçobro, leio um policial da Läckberg . Por exemplo.
ResponderEliminarNão esquecer que a memória também pode fazer muito pelo café.
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