Arrependidas

Já aqui falei num interessante ciclo de conversas que leva a designação geral de Os Espaços em Volta (uma alusão a Os Passos em Volta, de Herberto) e é coordenado pelas jornalistas e poetas Inês Fonseca Santos e Filipa Leal. Realiza-se uma vez por mês na Casa Fernando Pessoa em torno de um tema específico sobre o qual os convidados – normalmente duas pessoas de áreas distintas – são interpelados pelas organizadoras. Pois hoje calha-me estar na berlinda a falar sobre «arrependimento» na companhia da minha querida amiga e grande fadista Aldina Duarte. O fado está cheio de arrependimento – ainda há pouco tempo escrevi uma letra para o novo álbum de Ana Moura – Ninharia – que conta a história de uma mulher que, por causa de um ciúme doentio, rifou o amado e se mostra agora arrependida da sua precipitação, certa de que ele era, afinal, o homem da sua vida. Não sou lá muito de me arrepender – confesso – mas, claro, acontece-me de vez em quando pensar, pelo menos, que não devia ter dito o que disse (se calhar até aqui no blogue já ocorreu)… Vamos lá a ver como me saio nesta conversa a quatro, mais logo, às 18h30. Se quiser, apareça; se não for, que não se arrependa.

Comentários

  1. Respostas
    1. António Luiz Pacheco9 de dezembro de 2015 às 04:13

      Ahahah!

      Mea culpa, mea maxima culpa...

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  2. António Luiz Pacheco9 de dezembro de 2015 às 04:12

    Só Deus (ou similar...) poderá não sentir arrependimento.

    Acho que o arrependimento faz parte da vida, de viver... de fazer, de decidir...
    O arrependimento é pelo que se fez mas também pelo que não se fez, deixou de fazer ou por fazer.

    Confesso que me arrependo muitas vezes, mas sou incorrigível, eheheh!

    Claro que uma freira Carmelita ou um frade Capuchinho, um santão, um eremita... esses só poderão ter por arrependimento terem escolhido aquela via...

    Os que nunca se arrependem, serão malvados e egoístas? Era caso para se pensar nisso, porque se o arrependimento é falta de motivos, o nunca falhar, nunca errar, pode ser também por falta de sentimentos... não sei, mas desconfio que sim.

    Saudações arrependidas cá da Cidade Morena!

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    1. Não acredito em pessoas que não se arrependem. Todos nos arrependemos , como disse, do feito e do por fazer. Depois, o que acontece é que há arrependidos presos ao arrependimento e os que seguem em frente mesmo sabendo que vai haver outro momento em que vão arrepender-se:)

      E não acredite que eremitas e carmelitas só possam arrepender-se por escolher a solidão. Há muita coisa que se faz e deixa de fazer sozinho. Somos sempre pessoas.

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  3. Por isso nunca deveríamos esquecer que existem pelo menos quatro coisas na vida que não se recuperam:
    -A PEDRA - depois de atirada
    -A PALAVRA - depois de proferida
    -A OCASIÃO - depois de perdida
    -O TEMPO - depois de passado

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  4. É certo que “o fado está cheio de arrependimento”, e é certo também que o arrependimento resulta, regra geral, de decisões precipitadas por ninharias.
    É aqui o caso: “Precipitada, incontida / Expulsei-te da minha vida / Por uma coisa de nada.”

    Mas nem sempre o tema da “ninharia” é, no fado, associado ao arrependimento.
    Veja-se por exemplo este clássico de Amália, “O Namorico da Rita”, no qual a mãe desta, “Por dá cá aquela palha / Faz tremer toda a Ribeira.”

    Assim também aqui no “Horas Extraordinárias”. Por dá cá aquela palha vimos aqui comentar.
    Sim, que nós não somos como o Chico (do fado de Amália), que " à cautela / não dá trela nem diz nada.”
    Aqui, mesmo que a pretexto de ninharias, os comentários – ainda que coisas de nada – não são, regra geral, motivo para arrependimentos.

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    1. António Luiz Pacheco9 de dezembro de 2015 às 09:04

      E pegando no seu Extraordinário dito, "Foi Deus", para mim talvez dos melhores fados de todos os tempos (Carlos Alberto Janes) a par de "Povo que lavas no rio" (Pedro Homem de Mello) e "Barco Negro" (David Mourão Ferreira)... não têm nada de arrependimento ou amores desencontrados!

      E há mais, muitos mais... lembro estes 3 pois julgo que são exemplares e toda a gente conhece!

      Saudações fadistas cá da Cidade Morena ( e porque não ouvir João Villaret na mulata?)

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  5. Desculpem-me a sinceridade... mas que letra tão má. Pode-se escrever para fado e escrever literatura. Não é preciso ser assim.

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  6. Uma das coisas que mais gosto é ouvir falar. Talvez porque a escola me deu o prazer de escutar e aprender com os outros. Ou me habituou. A voz é um prazer que entra e faz eco. E em presença há os gestos, as hesitações, o olhar, as mãos...tanto é discurso.
    E que pena tenho de não poder ouvir a vossa conversa. Isto apesar de não concordar muito com fados e destinos e tristezas fadistas. Porém, muito se pode dizer partindo do tema.

    Boas conversas

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  7. E os passos em volta do Jorge Palma, das melhores musicas dele

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