Longe do Mundo
Ontem saiu para as livrarias o romance vencedor da última edição do Prémio LeYa, intitulado O Coro dos Defuntos e assinado por António Tavares. Nele, vivem-se tempos de grandes avanços e convulsões: os estudantes manifestam-se nas ruas de Paris e, em Memphis, é assassinado o negro que tinha um sonho; transplanta-se um coração humano e o homem pisa a Lua; somam-se as baixas americanas no Vietname e a inseminação artificial dá os primeiros passos. Porém, na pequena aldeia onde decorre a acção do romance, os habitantes, profundamente ligados à natureza, preocupam-se sobretudo com a falta de chuva e as colheitas, a praga do míldio e a vindima; e na taberna – espécie de divã freudiano do lugar – é disso que falam, até porque os jornais que ali chegam são apenas os que embrulham as bogas do Júlio Peixeiro. E, mesmo assim, passam-se coisas muito estranhas: uma velha prostituta é estrangulada, o suposto assassino some-se dentro de um penedo, a rapariga casta que colecciona santinhos sofre uma estranha metamorfose, e a parteira, que também é bruxa, sonha com o ditador a cair da cadeira e vê crescer-lhe, qual hematoma, um enorme cravo vermelho dentro da cabeça. Quando aparece o primeiro televisor, as gentes assistem a transformações que nem sempre conseguem interpretar… Com personagens inesquecíveis e um recurso narrativo extremamente original, um belíssimo retrato do mundo rural português entre 1968 e 1974, a homenagear o grande Aquilino.
Parece bem realista e com imaginário suficiente para suscitar interesse. Por acaso, estive a folheá-lo na FNAC, a ler uns aqui e ali, ignorando ser tão recente; não colho dados sobre o autor que sejam prévios à leitura do romance, é um modo de abolir influências e me testar também.
ResponderEliminarAquilino? Isso são terrenos apertados, como se diz na minha terra... ou por outras palavras, atrevimento.
ResponderEliminarMas também aguardo com expectativa - aliás anual - a edição do celebrado e publicitado Prémio Leya.
Espero adquiri-lo em Dezembro próximo.
Já agora, eu gosto de saber "quem" é o autor e nem por isso considero que me influencie positiva ou negativamente, gosto de saber apenas por uma questão de avaliar a coerência entre quem e o que escreve e também por uma questão de credibilidade naquilo que leio.
Saudações expectantes cá da Cidade Morena
Desculpem: - e por acaso sei quem é o autor e vencedor, não é um nome desconhecido e até é uma pessoa com visibilidade e créditos firmados, mas repito que isso não me influencia.
EliminarEstou curiosíssimo de verificar a tal comparação a Mestre Aquilino!
A Rosário quando quer faz água a barba o post !
ResponderEliminarParabéns vencedor e a especial homenagem e aguardo livro quando o aqui tiver.
Já o estou a ler e já me fez largar umas boas gargalhadas. Acho que vou terminar a sua leitura num instante, pois é daqueles livros difíceis de despegar...
ResponderEliminarSobre o autor: como é que alguém consegue ser vice-presidente de uma câmara municipal e escrever um livro em dois meses? É obra!