Lixo artístico
Vasco Pulido Valente disse uma vez numa entrevista que adorava ler trash (lixo) – e chamava «lixo» a obras menores, mas decerto bem menos poluentes e fedorentas do que muitas que hoje encontramos publicadas e à venda. As artes não estão isentas de lixo – e o facto de o lixo ter começado a ser difundido junto com a arte faz com que muitos de nós tenhamos, em áreas que conhecemos pior, grandes dificuldades em separar o que é moderno, original e ousado do que é simplesmente – isso mesmo – lixo (que ainda não está na lixeira, mas para lá caminha). Houve, aliás, recentemente um bom exemplo disso. Num museu do Norte da Itália, expunha-se numa sala uma instalação da dupla de artistas plásticos Goldschmied & Chiari, que, segundo li, representava nada mais, nada menos do que o «hedonismo e a corrupção política vividas na década de 80». A obra de arte, intitulada Onde Vamos Dançar Esta Noite?, era composta de duas telas, beatas de cigarro, garrafas de champanhe vazias e papelinhos de Carnaval (vulgo confetti); e, por isso, a funcionária da limpeza, quando chegou ao museu de manhã cedo, calculou que tivesse ali havido festança na noite anterior e apressou-se a limpar… A sala ficou num brinquinho, mas a instalação foi parar a uma lixeira, dizendo talvez alguns que era onde merecia estar. Deixo-vos as imagens do antes e depois, para se divertirem.
Hilariante. Não se arranjam umas empregadas de limpeza conscienciosas na literatura? :)
ResponderEliminarAinda me estou a rir e a imaginar a cara dos artistas plásticos. Funiconou como crítica de Arte feita por pessoas fora do circuito artístico.
ResponderEliminarJá havia assistido a uma instalação destas no Terreiro do Paço no seguinte à passagem de ano ;-)
Sim. O sol a quarar há solução assim o vovô dizia e com água e sabom íam-se (hoje) a moda reciclar-se. Quanto a arte haja democracia.
ResponderEliminarBom dia
Bom, como me assumo em boa parte (não completamente) ignorante em matérias como a "arte", que me parece muitíssimo larga e abrangente, por norma não me pronuncio ...
ResponderEliminarSei do que gosto!
Malhoa, Roque Gameiro, Aquilino, Torga, António Gedeão, The Norton Project, Rui Veloso...
Sei do que não gosto: Vieira da Silva, Paula Rego, António Lobo Antunes, Valter Hugo Mãe, Nuno Camarneiro, António Pinho Vargas e Maria João, Carlos do Carmo ...
Atenção: disse - "Não gosto", não disse que não são bons, o que é muito diferente!
Mas há "arte", que tenho dificuldade em conceber, pois que aquela que apenas contém mensagem, que é para chocar, sem estética... não é para mim arte, é antes "desabafo" ou explosão...
Creio que o famoso "Guernica" - um caos absoluto e que exprime a tal explosão, é o exemplo melhor de arte que me ocorre! Ou a pintura de um Jackson Pollock... são aquilo tudo e mais ARTE!
Isto em minha opinião... agora colar pneus velhos e papéis numa tela...
A propósito do conceito de arte, ocorre-me uma história que li em tempos nas Selecções do Readers Digest:
Almoçavam Groucho Marx e Picasso. Em meio à exuberância da conversa que se pode imaginar, Picasso salpicou as calças de Groucho com molho, e logo chamou um empregado para limpar... Groucho declarou: Não limpa nada! Assine as minhas calças!!!!
Saudações artísticas da Cidade Morena
Sou um bocadinho estranha à arte moderna, facto um tanto incompreensível, dado ser a que me é mais próxima. Tenho grande dificuldade em apreciar obras que não beneficiem de um padrão estético de alguma forma original ou belo que entre pelos olhos dentro. Do resto que se expõe, faço profissão de fé. Pelo que, me julgo bem capaz de, na minha fúria de arrumação - que, convenhamos, não me ataca assim tanta vez -, ter o espírito da mulher a dias e ir tudo parar ao contentor (admitindo que desconhecia a finalidade da desordem, claro)
ResponderEliminarMinha querida Beatriz arte e reparo a envergadura.
EliminarClaro, alguns ão concordar o conceito nem revela a mulher a dama a artista.
A boa faxina o mérito!
Obrigada, Cláudia, pena é que eu a não entenda:)
EliminarEm agosto passado fui ao Rainha Sofia de Madrid ver o acervo do Kunsmuseum que na altura estava lá. Necessitando de fazer um apontamento a lápis num pedaço de papel preparava-me para utilizar a superfície rija de uma sólida e grande mesa de metal quando fui impedido por uma funcionária que, apontando a dita mesa, me disse "É uma obra de arte".
ResponderEliminarIsto de a Arte poder ser tudo, tem que se lhe diga.
ResponderEliminarO exemplo da senhora da limpeza é excelente.
Um dia, ou talvez uma noite, há muitos anos, fui ver uma exposição que continha instalações do género da referida hoje: compunha-se de papel de jornal colado nas paredes, latas de tinta espalhadas a eito e, numa das salas, canas em profusão, instaladas ao alto como se de um canavial se tratasse. Desta parte gostei realmente, e das sombras que a iluminação projetava, e lá me passeei no canavial. Não sei dizer se aquilo era arte ou não, mas obra de arte reconheci num comentário que alguém inscreveu no livro que costuma estar à disposição dos visitantes nestas situações e que aproveitava magistralmente o nome do artista, entretanto já falecido, Dicho. Dizia simplesmente: que lixo, ó Dicho! Nunca mais esqueci o canavial. E o comentário, claro, eventualmente excessivo.
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