Leitor livre

Muitas vezes falo neste blogue de livros de que gostei e recebo sugestões vossas nos comentários, achando que essa partilha vale muito a pena. Mas, recordando as palavras de Virginia Woolf, prefiro pensar que não vos estou a recomendar nada, mas simplesmente a dar-vos a minha opinião. Senão, vejamos: diz a escritora britânica que o único bom conselho que uma pessoa pode dar a outra sobre o que ler é justamente que não se deve aconselhar, pois cada um deve seguir o seu próprio instinto, servir-se do seu senso comum e chegar às suas próprias conclusões. Deixar que alguém entre na nossa biblioteca e nos diga como ler e o que ler é, segundo Woolf, destruir «o espírito de liberdade que se respira nesses santuários». E afirma também: «Toda a literatura, quando envelhece, tem a sua pilha de desperdícios.» E de que maneira! Frases sábias de uma das escritoras mais interessantes de sempre. Eu, mesmo fazendo a vénia, gosto que me falem de livros que não li e de autores que não conheço, ainda que também descarte muitas leituras de obras que alguém me apregoa mas que, sei lá porquê, não me seduzem. Cada um que decida o que for melhor para si. Os leitores, em suma, devem ser livres de escolher.

Comentários

  1. Devo confessar que daqui já retirei excelentes livros. É verdade que, como leitores, somos e devemos ser sempre livres no acto de escolher, mas confesso que gosto de ouvir sugestões daqui e dali, de pessoas muito diferentes, pois entre umas e outras há sempre algo de grande que me cai nas mãos. Por isso, continue a dar-nos a sua opinião querida anfitriã.

    Um abraço
    Carla Pais

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  2. Estou a ler neste momento "O Meteorologista" do Olivier Rolin, foi recomendado neste blogue e estou a gostar muito de ler.

    Eu gosto de recomendar livro à família e amigos, quando sei os gostos de cada um e que é provável que irão gostar de espreitar. Se depois leem ou não é com eles.

    Prefiro recomendações de amigos do que aquelas citações nas costas dos livros, de jornais ou escritores conhecidos. Fico na dúvida se aquelas citações são verdadeiras.
    Somos livres de ler tudo.

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  3. Cláudia da Silva Tomazi3 de novembro de 2015 às 02:38

    Bom dia ! Felizmente quando a Doutora Rosário está a demonstrar um lado delicado (mais exaustivo) através a exemplar Virgínia Woolf está a demonstrar com o mesmo modo a entender-se faces literárias o conhecimento humano.

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  4. Sugestões literárias são sempre bem vindas ! Sobretudo se quem sugere se dá ao trabalho de explicar porque gostou, ou não gostou, de determinado livro, como amiude acontece por estes lados. Já li livros de cuja existência não saberia se não fosse este blog. Acho que a Virginia Woolf estava a ser um bocadinho radical: não há nenhuma coação em comentar ou recomendar um livro a terceiros. É antes um serviço que se lhes faz, acho eu.

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  5. Hoje de manhã pensei no gosto de cada um de nós (foi por causa de uma exposição...), que difere da cultura e do olhar de cada um de nós.

    Na leitura passa-se a mesma, nem todos gostamos dos mesmos livros (e ainda bem).

    Mas uma das virtudes deste blogue é expressarmos o nosso gosto, a nossa opinião sobre livros... e normalmente nem tenho saído desiludido com as sugestões.

    Além disso, Rosário, porque razão é que a Virginia Woolf tem de estar certa?

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  6. Também sou de opinião que um bom conselho é sempre bem-vindo. Quando fundamentado ainda melhor.
    Meras opiniões é que não. Então para filmes... uff.

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  7. Hummm...concordo. Com ambas as senhoras escritoras. Nunca entendi as sugestões daqui como sugestões, digamos que as vejo sempre como um dar a novidade sobre o que vai surgindo, ou não sendo novo, vem à lembrança como gosto. Depois, quem quiser que procure, pegue e veja se; eventualmente, pondere a compra. Na leitura como em tudo, o bem de uns não é o de outros.
    Em mim qualquer sugestão perde para o feeling, se me assalta nas livrarias:). Sobretudo aprecio os livros que me oferece quem me conhece melhor por me saber de coração e que procura adequar a matéria à pessoa. Aí sim, as novidades tornam-se prazer superlativo. E a amizade fica de consumir. Gloriosa.

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  8. Concordo com as opiniões aqui veiculadas, na medida em que eu própria vou recolhendo ideias e opiniões sobre novos livros que vão sendo editados e outros que não sendo novos, são obras que devem ou podem ser lidas por todos nós.
    Gosto igualmente de conversar com quem me rodeia, sobre livros, literatura e leituras...

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  9. A Rosário pode recomendar o que quiser e da forma que quiser. Os seus leitores são suficientemente livres para seguirem (ou não) as suas sugestões. Se há coisa que se respira por aqui é liberdade.
    Cumprimentos para si e para a Virginia.

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