Exponenciar

Ainda ontem vos falava de uma livraria francesa e da esplanada e serviço de cafetaria que montou para potenciar as vendas de livros. Pois não é só lá fora que isto acontece, e a Livraria Lello – a mais bonita do mundo, ou uma das mais bonitas, pelo menos – tinha, segundo vos contei aqui no blogue, tomado a decisão de cobrar uma entrada no valor de três euros, quer para conter as hordas de turistas que não param de lá entrar (mais de mil por dia), quer para facturar (até porque, no futuro, terá de custear obras de restauro, que essas visitas contínuas acabam por provocar muitos danos num espaço como aquele). O bilhete de três euros foi, efectivamente, instituído há uns três meses – e muito criticado também, mas os proprietários defenderam-se bem, dizendo que, se os visitantes comprassem um livro durante a visita, o valor da entrada seria descontado no preço do livro. E agora leio que as vendas da Lello aumentaram, para ser mais concreta, triplicaram, em três meses apenas. Se isso significar que há mais gente a ler livros em virtude de uma simples obrigação de pagar para ver a livraria, então aplica-se aqui o ditado popular de que «há males que vêm por bem».

Comentários

  1. Sim.

    E justifica-se plenamente o bilhete pela procura das pessoas.

    talvez dois euros se ajustasse mais no preçário, mas se tudo corre sobre rodas, ainda bem.

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  2. Não acho nada caro. Aqui em Lisboa 2 viagens no elevador de Santa Justa custam 5 euros e são sempre filas de turistas. Eles não se queixam do preço.
    Acho que 3 euros para circular pela livraria Lello e com possibilidade de descontar o valor num livro é quase gratuito, especialmente para os turistas.

    Além do custo de envernizar mais vezes a bela escadaria com mil pessoas por dia a estragarem o piso.

    Acho que até deveríamos exponeciar mais livrarias, museus, monumentos e apresentar melhores condições mediante uma contribuição. Todos sabemos que muitas pessoas não valor quando os produtos são oferecidos.

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  3. Se for só para não sentir que não perdem o dinheiro, e pôr o livro na prateleira sem nunca ser aberto como muitas vezes acontece, só lucra a lello e o escritor o que já não é nada mau.

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  4. Ainda que só lucre o escritor e a Lello, como foi dito acima, é bom. Mas nunca se sabe quem virá a ler os livros que comprámos. A vida atalha muita volta de sucessão e os livros que eram - são - de umas pessoas, passam e terminam em mãos de outras. E se, para alguns, são sem valor, não o serão para outros. Gosto de pensar que os livros que compro podem ser lidos daqui a uns tempos por gente que não imagino. Serem só meus ou lidos por mim é que seria mesmo um desperdício.

    Julgo que as compras na Lello só terão aumentado pelos tais 3€ de desconto; Se eu lá entrasse tenho certeza que tb compraria um livrito:). É que não há como nós no arrebanhar das pequenas pechinchas. Basta observar a lufa-lufa e até zaragata nas promoções de supermercado.

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  5. Bem estou surpreendida pois eu pensava que aquilo ia levar a muita gente deixar de ir ver a livraria. Mas também dessa contagem é preciso retirar uma coisa: quem tem ido e pago e comprado livros, são portugueses ou são estrangeiros? Acho que faz toda uma diferença :P

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  6. Pois eu conheço algumas pessoas que, sendo clientes mais ou menos frequentes, deixaram de ir comprar livros à Lello porque entrar lá agora é, ao que me dizem, uma carga de trabalhos: uma 1ª fila de espera para comprar o bilhete, depois uma 2ª fila de espera para entrar.

    Talvez se experimentassem esta sugestão da esplanada, para quem não quiser entrar...
    Um frequentador das Horas Extraordinárias sentava-se e pedia ao empregado de mesa:
    – Ó fáchavor, traga-me o “Olhai os Lírios do Campo” e um café cheio.
    – “Olhai os Lírios do Campo” não temos, está esgotado.
    – Então pode ser... deixe cá ver... “O Coro dos Defuntos”.
    – Com certeza. Mais alguma coisa?
    – Se m’arranjasse um cinzeirito, agradecia.
    – É para já. C’licença.

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